Jovane marca como um… leão e o Estrela agradece
Jovane Cabral assume-se como uma das figuras do Estrela da Amadora no presente – capitão de equipa e um dos elementos de maior experiência e mediatismo no plantel, o cabo-verdiano é também um dos elementos em melhor momento de forma.
O extremo de 27 anos assinou o primeiro golo do Estrela ante o Gil Vicente e contribuiu para a conquista de um ponto na caminhada da equipa rumo à manutenção na Liga, desempenhando um papel que há muito não se verificava na sua carreira: além de influente na manobra da equipa, Jovane marcou pela quinta vez na temporada e é, hoje, também um goleador.
Uma faceta que não surpreende Leonel Pontes, que o orientou em 19/20, primeiro quando este orientava os sub-23 do Sporting e, mais tarde, quando assumiu a primeira equipa dos verdes e brancos de forma interina, na transição entre Marcel Keizer e Jorge Silas no comando técnico.
«O Jovane tem várias valências e, até fruto da experiência e maturidade que adquiriu, pode ser um jogador que tenha evoluído e crescido neste contexto de jogo. Portanto, essa pode ser uma boa solução para ele se ele tiver a regularidade do jogo. Jogando mais tempo, ganhando confiança, conhecendo melhor a equipa e os colegas, naturalmente estará melhor preparado para dar resposta às posições que for ocupando no campo», vaticina o treinador, hoje diretor técnico do Shanghai Shenhua, na China.
Jovane Cabral isolou-se como melhor marcador da equipa… entre aqueles que compõem o atual plantel visto que, em termos absolutos, está igualado com Sidny Lopes Cabral, que em janeiro rumou ao Benfica, e está a um golo de alcançar Kikas, que rumou aos belgas do Eupen.
Há muito que o capitão estrelista não marcava assim e nas últimas vezes que marcou tanto ou mais, ainda era… leão. É preciso recuar cinco épocas, até 2020/2021, para encontrar um registo tão produtivo e, neste caso em particular, trata-se inclusivamente da sua melhor marca de carreira (oito golos).
Nessa altura, o internacional cabo-verdiano fez parte do grupo que conduziu o Sporting ao primeiro título de campeão nacional ao fim de 18 temporadas, o primeiro com Rúben Amorim no comando técnico, e contribuiu com cinco golos na Liga, mais dois na Taça da Liga (ambos marcados ao FC Porto, na meia final) e um na Taça de Portugal.
Desde então, Jovane apenas se reencontrou na… Reboleira e o posicionamento sob o comando de João Nuno não será, também, alheio a esse facto – foi já com este técnico que apontou todos os golos e alinha numa posição mais adiantada, no último terço do campo. No passado domingo, o Estrela apresentou-se sem uma referência ofensiva, formando um trio dinâmico no qual juntou Jovane aos (habitualmente) extremos Abraham Marcus e Ianis Stoica.
Uma opção que, para muitos, terá sido surpreendente, mas que no entender de Leonel Pontes poderá mesmo ter pernas para andar no futuro, considerando mesmo que Jovane poderá desenvolver-se como um interessante falso nove.
«Ele é um jogador rápido na rotação, com espaço é um jogador que progride e pode desequilibrar e depois há o facto de ter uma boa ação técnica de remate, meia distância, movimento dentro da área, pode aparecer de trás para a frente, cria problemas aos centrais e à marcação adversária. Portanto, ele até pode ser um falso 9, que joga um bocadinho mais baixo para poder ganhar os espaços, e de trás para a frente pode aparecer nos espaços vazios para finalizar», antevê, por fim.