Aurelio De Laurentiis, presidente do Nápoles
Aurelio De Laurentiis, presidente do Nápoles

Jogos de 25 minutos, fim das expulsões e um supercampeonato: as propostas do presidente do Nápoles

Aurelio De Laurentiis teme fuga dos mais jovens se nada for feito. Pede redução de equipas em Itália e uma espécie de Superliga entre equipas do 'top' 5 do ranking europeu

Há muito tempo que se fala sobre o tempo útil no futebol. Por exemplo, José Mourinho, treinador do Benfica, fez referência aos «50 minutos» que se jogam em Portugal, exatamente o tempo que, segundo o presidente do Nápoles, deveria ter um jogo.

«Devia ser 25 minutos para cada parte e com tempo cronometrado, como no basquetebol», é a proposta de Aurelio De Laurentiis. Em entrevista do The Athletic, o decano dirigente do clube do sul de Itália vai mais longe: «Se um jogador não puder estar em campo e ficar a fazer cenas como um ator, deveria sair imediatamente. E os jogadores não deveriam ser expulsos; um amarelo deveria equivaler a estar cinco minutos de fora e um vermelho seriam 20 minutos.»

A falta de golos é outro tema que o preocupa. «Sem golos não há espetáculo. Temos de mudar, de facto, as regras. Não podemos anular golos por milímetros, o fora de jogo deve ser profundamente alterado. As novas gerações são o nosso ouro, se não formos ao encontro deles, morreremos, pois não haverá a mesma fidelidade ao jogo que houve nos últimos 100 anos.»

Outro exemplo sobre o tema: «Intervalos de 15 minutos são muito extensos. Quando isso acontece, os meus netos vão logo para o quarto jogar Fifa.»

É a pensar em reformas estruturais que De Laurentiis aponta à redução do número de clubes na Serie A italiana, de 20 para 16, com um argumento mais radical: «Antes de mais, só deviam ser aceites clubes com saúde financeira e sem dívidas. Em segundo lugar, não deviam ser aceites clubes de uma cidade de 50 mil habitantes. Porque quando os jogos daquela equipa passam na DAZN ou na Sky, quantas pessoas é que vão ver? Três mil, quatro mil? E a publicidade, por que motivo devem as TV pagar tanto?»

As críticas são extensivas ao atual modelo da Liga dos Campeões. «A primeira fase foi alterada há dois anos para haver mais jogos, mas as audiências não têm sido proporcionais, porque alguns dos jogos não interessam a ninguém. E o mesmo acontece nos campeonatos nacionais, há equipas a mais», sublinha.

A solução, diz, passa por criar um «supercampeonato», juntando as equipa de topo de «Inglaterra, Espanha, França, Itália e Alemanha». Não seria uma Superliga, mas quase, formada pelos países do top 5 europeu. Tal não sucede porque na sua opinião os detentores do poder querem agradar a todos. «Faz sentido que São Marino tenha tanto peso de decisão como a Itália?»

Conte: agora ou nunca

Pelas suas palavras fica também em aberto o futuro de Antonio Conte, falado para o cargo de selecionador de Itália. «Ele não abandonará o Nápoles em cima da hora, sem me dar tempo para encontrar um substituto. Por isso será agora ou nunca. Mas para isso é preciso haver primeiro um novo presidente da Federação italiana...», disse De Laurentiis.