Harriet Haynes não desiste de competir no género que lhe foi atribuído depois da transição. Instagram Harriet Haynes
Harriet Haynes não desiste de competir no género que lhe foi atribuído depois da transição. Instagram Harriet Haynes

Jogadora transgénero banida do bilhar ganha recurso

Harriet Haynes foi proibida de participar em torneios femininos depois de ser considerado que os homens tinham vantagem na modalidade. Recorreu e agora o Supremo inglês deu-lhe razão

A jogadora transgénero de bilhar Harriet Haynes viu ser-lhe concedido o direito de recorrer da decisão que a baniu das competições femininas, após um juiz do Supremo Tribunal ter aceite o seu pedido. A atleta tinha perdido um processo por discriminação em agosto, mas poderá agora contestar essa decisão.

O caso remonta a abril do ano passado, quando a Federação Inglesa de Blackball Pool (EBPF) proibiu a participação de atletas nascidos homens nas suas competições femininas. Em resposta, Haynes interpôs uma ação judicial, alegando que a exclusão constituía «discriminação direta» com base na sua reatribuição de género.

A decisão inicial, proferida em agosto pelo juiz Parker, foi desfavorável a Haynes e tornou-se um marco no Reino Unido, por ser a primeira a aplicar a nova definição legal de mulher como alguém biologicamente do sexo feminino, estabelecida após uma decisão do Supremo Tribunal. O juiz concluiu que o bilhar é uma «atividade afetada pelo género» e que a exclusão era necessária para «assegurar uma competição justa».

A EBPF, que teve de recorrer a financiamento coletivo para custear a sua defesa, argumentou que os jogadores que nasceram homens e passaram pela puberdade masculina têm vantagens físicas específicas nos desportos de taco. Entre estas, a federação destacou a capacidade de gerar maior velocidade na tacada inicial, uma maior envergadura da mão para fazer ponte sobre as bolas e um maior alcance.

Um porta-voz da organização afirmou na altura: «O tribunal concluiu que o bilhar é um jogo em que os homens têm uma vantagem sobre as mulheres e que permitir que apenas as nascidas mulheres compitam nas nossas provas femininas é necessário para garantir uma competição justa».

Apesar da derrota inicial, Haynes solicitou ao Supremo Tribunal autorização para recorrer, pedido que foi agora aceite pelo juiz Ritchie, o que representa um revés para a EBPF. A jogadora manifestou-se surpreendida com a proibição, afirmando não acreditar ter uma vantagem injusta. «Tudo o que sempre quis foi poder jogar como qualquer outra mulher», declarou ao The Independent.

Recorde-se que a participação de Haynes já gerou controvérsia no passado. Em 2023, uma adversária desistiu de uma final que iria disputar contra ela em protesto. No ano passado, também ocorreram manifestações quando Haynes e Lucy Smith, outra jogadora transgénero, se defrontaram num evento da Ultimate Pool Women’s Pro Series em Wigan.

Atualmente, o recurso de Haynes é um de dois processos legais ativos contra organismos desportivos no Reino Unido. O outro envolve um jogador de críquete transgénero anónimo que apresentou uma queixa contra o England and Wales Cricket Board (ECB) no Tribunal do Condado de Cardiff.