Jaime Faria admite ter acusado a pressão frente ao belga Zizou Bergs

Jaime Faria: «Ainda sinto muita pressão a este nível»

«Não consigo estar preparado para o próximo ponto da mesma maneira e tenho de trabalhar em manter frieza e não mostrar tantas emoções», admitiu o português após a derrota na 2.ª ronda de Wimbledon frente ao belga Zizou Bergs

Jaime Faria foi eliminado na segunda ronda do torneio de Wimbledon, ao perder com o belga Zizou Bergs em quatro sets, pelos parciais de 7-6 (8-6), 4-6, 6-2 e 6-3. Um momento crucial no terceiro set, quando o tenista português dispôs de uma oportunidade para quebrar o serviço do adversário, acabou por ditar o rumo do encontro.

O número dois português, 98.º do ranking ATP, equilibrou a partida com o 37.º mundial, especialmente após recuperar da perda do primeiro set no tie-break. Faria venceu o segundo parcial por 6-4 e parecia estar por cima no encontro. No terceiro set, com o marcador em 2-1 a favor, teve a chance de fazer o 3-1, mas um erro não forçado permitiu a Bergs recuperar e virar o resultado para 3-2. Esse momento quebrou a resistência do português, que cedeu o set por 6-2, optando por poupar energias.

Contudo, a quebra anímica manteve-se no quarto e último set, com Faria a não conseguir contrariar o ascendente de Bergs, que fechou o encontro com um 6-3.

No final da partida, em declarações citadas pelo Raquetc, Jaime Faria admitiu ter sentido a pressão e elogiou o adversário. «Hoje senti um bocadinho os momentos de pressão, mas foi 100% mérito do meu adversário. Houve um jogo em que ele começou a meter as respostas todas, de todas as maneiras, e isso na relva mete uma pressão no servidor com que é muito difícil de lidar e a que eu não estou habituado a este nível», explicou.

O tenista luso reconheceu a necessidade de evoluir mentalmente. «Isso desgasta mentalmente, não consigo estar preparado para o próximo ponto da mesma maneira e claramente tenho de trabalhar em manter a minha frieza e não mostrar tantas emoções», afirmou, acrescentando: «Se quero dar um step-up no meu nível é isto que tenho de melhorar para ter outro tipo de energia, não perder tanto a cabeça e não deixar de pensar.»

Faria usou o exemplo do encontro entre Nuno Borges e Jannik Sinner para ilustrar a consistência mental necessária a este nível. «Ontem vi o Nuno com o Sinner, não havia essa margem. Não senti o Sinner a jogar assim tão bem, mas mesmo assim estava sempre lá, sempre lá, não abria a boca e é claríssimo que tenho de melhorar isso», concluiu.

Com a eliminação de Jaime Faria, que se seguiu à de Nuno Borges, o quadro de singulares do Grand Slam britânico fica sem representantes portugueses. A participação lusa em Wimbledon prossegue agora apenas na variante de pares, com Francisco Cabral, que, ao lado do austríaco Lucas Miedler, já garantiu a passagem à segunda ronda.

Terminada a temporada de relva, o calendário de Jaime Faria inclui agora dois torneios ATP 250 em terra batida, em Gstaad (Suíça) e o Millennium Estoril Open, antes da digressão norte-americana. A sua posição no ranking deverá permitir-lhe a entrada direta no quadro principal do US Open, em Nova Iorque, evitando a fase de qualificação.

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