Pessoas agitam bandeiras do Irão e do Hezbollah durante uma manifestação após o ataque do Irão a Israel, na praça Valiasr, em Teerão —Foto: ABEDIN TAHERKENAREH/EPA
Pessoas agitam bandeiras do Irão e do Hezbollah durante uma manifestação após o ataque do Irão a Israel, na praça Valiasr, em Teerão —Foto: ABEDIN TAHERKENAREH/EPA

Israel ignora Trump e retalia contra o Irão, cresce risco de guerra total

Ação militar surgiu em resposta a um ataque direto do Irão

A tensão no Médio Oriente atingiu um novo pico depois de Israel ter lançado uma ofensiva contra o Irão, contrariando a posição do presidente norte-americano, Donald Trump, que havia garantido ter o controlo da situação. A retaliação israelita, que não acontecia em solo iraniano desde abril, coloca a região perante o risco iminente de uma guerra total.

A ação militar israelita surgiu em resposta a um ataque direto do Irão, o primeiro em mais de dois meses, motivado pela continuação das operações de Israel no Líbano. Embora o ataque iraniano tenha sido descrito como preventivo e com todos os projéteis intercetados, a resposta de Telavive não se fez esperar.

Ainda antes da retaliação, Donald Trump tinha afirmado ao Financial Times que a autoridade para qualquer ação militar na região era sua. «Não vai ter nenhum impacto nas negociações. Sou eu que tomo as decisões, sou eu que tomo todas as decisões. Não é ele [Benjamin Netanyahu] que toma as decisões», declarou o presidente dos EUA, sublinhando que o primeiro-ministro israelita não tinha «outra escolha» senão aceitar um acordo.

Contudo, Benjamin Netanyahu parece ter tido uma interpretação diferente. Durante a madrugada, registaram-se explosões em várias cidades iranianas, incluindo a capital, Teerão, bem como em Isfahan e Tabriz. A agência iraniana IRNA confirmou «duas explosões fortes» em Teerão, enquanto a televisão IRIB reportou incidentes noutras localidades.

As Forças de Defesa de Israel (IDF) confirmaram posteriormente ter atacado «alvos militares» no oeste e centro do Irão. Esta escalada surge num momento em que o conflito no Líbano também se intensifica, sendo esta a justificação de Teerão para o seu ataque inicial. O Irão já tinha estabelecido que qualquer acordo de paz passaria pela retirada total das forças israelitas do Líbano.

A decisão de Israel apanhou a Casa Branca de surpresa, especialmente porque Donald Trump tinha prometido avanços significativos nas negociações de paz para esta semana. A administração norte-americana acreditava ter um acordo para evitar um ataque israelita. O jornalista Barak Ravid, do portal Axios, noticiou, momentos antes da ofensiva, que Netanyahu tinha concordado em não retaliar, num «pseudoacordo» que deu a Washington a sensação de ter «comprado um pouco de tempo».

Um responsável norte-americano, citado pelo Axios, expressou a convicção de que um acordo com o Irão estava próximo. «[Donald Trump] está bastante convicto de que estamos perto de um acordo com o Irão. Não creio que haja nada iminente em termos de um ataque israelita», afirmou, descrevendo o momento como «crucial» e alertando que uma operação israelita poderia comprometer todo o processo.

Por sua vez, antes da resposta israelita, a Guarda Revolucionária Islâmica do Irão tinha classificado o seu ataque como um mero «aviso», afirmando ter cumprido a promessa feita ao povo libanês. A mensagem, no entanto, foi seguida por uma retaliação que deixa o futuro das negociações e a estabilidade da região em suspenso.

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