Incrível! Steve Kerr gostava que acabassem com os três pontos
Treinador dos Warriors há 12 temporadas e num momento em que há grandes dúvidas se deseja renovar o contrato que terminará em Julho — pelo menos até 2026/27, quando Stephen Curry concluir o atual vínculo com os californianos —, Steve Kerr surpreendeu tudo e todos ao sugerir que a eliminação da linha de três pontos poderia beneficiar o basquetebol moderno.
É uma ideia radical vinda de alguém que tanto proveito tirou desta opção e que ajudou a revolucionar o basquete moderno, transformando a forma como se passou a jogar ao tirar partido das capacidades únicas de lançamento de longa distância de Curry e de Klay Thompson — a mais bem-sucedida dupla de atiradores nos 80 anos da NBA. Estratégia que o levou a conquistar quatro títulos (2014/15, 2016/17, 2017/18, 2021/22) em seis Finals (2015/16, 2018/19) disputados em oito temporadas.
Numa entrevista à revista The New Yorker, e questionado sobre a possibilidade de se adicionar uma linha de quatro pontos, Kerr, de 60 anos, foi taxativo. «Nunca criaria uma jogada de quatro pontos», afirmou, acrescentando: «Na verdade, até consideraria livrar-me da linha de três pontos».
Recorde-se que o próprio Kerr foi um letal triplista, detendo ainda hoje o recorde da Liga de percentagem em lançamentos de três pontos, com 45,4 por cento. Números que alcançou nas 15 épocas em que atuou na NBA e nas quais conquistou três títulos pelos Bulls (1995/96, 1996/97, 1997/98) e dois pelos Spurs (1998/99, 2002/03).
A justificação para tão surpreendente afirmação prende-se com a evolução do jogo, que se afastou do seu desígnio original. «Penso que o jogo, tal como foi concebido, visa criar os melhores lançamentos possíveis», começou por explicar. «É por isso que, nos primórdios, se passava a bola para o poste. A linha de três pontos veio da ABA (American Basketball Association) em 1979 e penso que foi muito eficaz. Torna o jogo emocionante, mas a revolução analítica criou uma situação estranha em que todos sabemos exatamente onde estão os lançamentos de maior eficiência: afundanços e triplos de canto, porque o triplo de canto está a 6,7 metros e não a 7,24 metros, como no topo da área», foi justificando.
Kerr argumenta que esta obsessão com a eficiência criou uma «terra de ninguém» no campo, desvalorizando os lançamentos de meia distância. «Se agora se fizer um lançamento de 6,7 metros do topo da área restritiva, é considerado um mau lançamento», continuou. «Questiono-me — e não sei se resultaria ou não — se, ao nos livrarmos da linha de três pontos, isso diversificaria a forma como todos jogam e criaria muitas soluções criativas diferentes para o basquetebol».
Segundo Steve, a estatística confirma esta tendência. A análise de dados mostra que as equipas se concentram em lançamentos perto do cesto ou para lá da linha de três pontos, desencorajando os jogadores de arriscar na meia distância. O aumento do número de tentativas de triplos é evidente: na época de 2005/06, as equipas tentavam, em média, 16,0 triplos por jogo. Vinte anos depois, o número mais do que duplicou, atingindo uma média de 37,0 tentativas na temporada de 2025/26 — o segundo valor mais alto de sempre, apenas superado pelos 37,6 de 2024/25.
Apesar da proposta radical de Kerr, há quem considere que se devia manter uma linha perfeita de três pontos desde o topo e, com isso, eliminar apenas a possibilidade de se fazer um lançamento triplo de canto.
Breve história da linha de três pontos: Apesar de as quatro equipas da extinta American Basketball Association — Nets, Pacers, Spurs, Nuggets — terem integrado a NBA em 1976/77, a linha de três pontos (a partir dos 7,24m) que existia na ABA desde 1967 apenas foi implantada na NBA no campeonato de 1979/80, à experiência por uma temporada. Chris Ford, dos Boston Celtics, converteu o primeiro triplo.
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