Incompreensão, Samuel Soares e Trubin, favoritos ao título e mais — tudo o que disse Marco Silva
— Na antevisão do jogo, o treinador do Académico de Viseu, Bruno Pinheiro, disse que espera combater o caudal ofensivo do Benfica contra o Hearts e também que não haver público nas bancadas pode equilibrar mais o jogo. De que forma espera que o Académico contrarie o futebol do Benfica e a ausência de público pode equilibrar mais o jogo?
— O Académico de Viseu é uma equipa equilibrada e organizada. São características das equipas do Bruno [Pinheiro]. Naturalmente irá tentar contrariar e jogar dessa forma, apresentando uma boa organização. É uma equipa com treinador novo também, acabado de chegar. É um treinador que tem uma de ter bola, gosta de ver a sua equipa com uma ideia clara dentro do campo e claramente com um 4x3x3 a tentar usar os três médios de formas diferentes e depois tentar criar problemas ao adversário. É isso que esperamos deles com bola. E, sem bola, atentos àquilo que é a nossa forma de jogar. Irão ter uma estratégia e uma forma de tentar contrariar. Neste momento, é difícil dizer qual será a forma, se irão tentar com bloco mais alto, tentar pressionar-nos de forma diferente. Isso para mim é complicado neste momento. Interessa-nos estarmos preparados para qualquer situação e para a forma como o adversário irá tentar contrariar aquilo que é a nossa forma de jogar e a nossa forma de atacar. E depois termos a capacidade de analisar, quando o jogo começar ou durante o jogo, se alteram coisa, para tentarmos implementar o nosso jogo e fazer de tudo para o ganhar, que é esse o nosso objetivo. Em relação à segunda questão e ao facto de não haver adeptos poder equilibrar um pouco mais a balança, é óbvio que uma das grandes forças, para não dizer a maior força de um clube como o Sport Lisboa e Benfica, é a sua massa adepta e o apoio que tem. Quando nos retiram isso, naturalmente, a força será diferente. Isso é óbvio e o Bruno [Pinheiro], nesse caso, foi honesto e há que o ser também. Retiraram-nos algo que é muito importante para enquanto clube, que é muito importante para nós, Benfica. Não é agradável de todo. A minha opinião até vai no sentido contrário. Não querendo criticar, até porque não estive cá muitos anos e não sou a pessoa indicada falar, retirar 65 mil pessoas ou 60 mil pessoas de um estádio de futebol não vai resolver problemas. Estamos completamente enganados se pensarmos que é assim que vamos resolver os problemas. Temos muitos bons exemplos pela Europa de como contrariar algumas coisas que não são boas. E se não são boas, há que atuar diretamente e não é interditando ou não permitindo que os adeptos estejam no estádio e que um jogo seja à porta fechada que vai resolver o que quer que seja. Simplesmente retirar adeptos de futebol é para quem não percebe. Só faz sentido jogar futebol se tiverem adeptos. Portanto, o que se irá passar amanhã é um jogo que teremos que fazer tudo para o ganhar, o Académico de Viseu irá fazer tudo para ter um bom resultado também. Independentemente deles perceberem que pode equilibrar um pouco mais a balança, nada melhor do que após mais de 30 anos o Académico de Viseu voltar à primeira liga e poder jogar no Estádio da Luz com um ambiente de futebol a sério. Seria muito bom para eles também, seria carimbar o regresso à I Liga de uma forma bonita, como tem de ser o futebol. Não entendo. Retiraram isso não só ao Benfica, mas também ao Académico de Viseu e ao espetáculo. É ir por caminhos que nada vão resolver e a razão de todos estarmos aqui. Estamos aqui porque vai haver um jogo de futebol amanhã. E um jogo de futebol sem adeptos, na minha opinião, não é um jogo normal. Devia arranjar-se soluções que realmente contrariassem ou combatessem aquilo que se quer combater e não desta forma.
— Considera que o FC Porto, por ser o campeão em título, parte como favorito ou os três grandes, talvez até o SC Braga, partem um pouco em pé de igualdade para esta disputa?
— Ainda bem que referiu também o Sporting de Braga, porque disse na minha apresentação que teríamos, além de nós, três adversários muito competentes, claramente os três crónicos candidatos ao título e depois o SC Braga sempre muito próximo, com um jogo de qualidade também. Percebo a pergunta, percebo o clichê e percebo que pode fazer algum sentido na questão de quem esteve melhor na última temporada, quem foi mais consistente. Pode levar-se por esse caminho. Não vou fazer qualquer comentário nem vou entrar por aí. Naturalmente teremos de fazer o nosso papel e o nosso papel é concentrar-nos em nós, naquilo que podemos fazer e devemos fazer e sermos competentes a cada jogo que iremos jogar.
— Trubin tem sido associado a alguns clubes europeus. Como treinador, sente que a situação do jogador no mercado pode interferir com a competição para a titularidade? Samuel Soares será titular amanhã outra vez?
— Em relação à titularidade, não vos irei dizer qual será o nosso onze, não só na baliza como nas restantes posições. Irão esperar e perceber com que onze iremos iniciar o jogo. Em relação ao mercado, não tem influência alguma nas minhas decisões enquanto treinador. Disse-vos isso há várias semanas pela questão do António [Silva] e não há que ser diferente neste momento. Não tomo decisões a pensar no mercado. Os jogadores que estarão na convocatória de amanhã são do Benfica no momento, têm vindo a trabalhar e estão completamente integrados no nosso desafio para a época que se inicia. Um grande desafio para um clube como o Benfica, que não é campeão há três anos e todo o foco tem que estar aí. É óbvio que o mercado, enquanto estiver aberto, tem influência, não há que escondê-lo. Há sempre rumores, muita coisa à volta, mas a como treinador compete-me conseguir ao máximo ter todos os jogadores bem concentrados nos nossos objetivos. Já tivemos três jogos oficiais, iremos para o quarto. Tivemos de começar mais cedo com circunstâncias não muito agradáveis, devido ao número de jogadores, jogadores do mundial e tudo aquilo que vocês sabem, começando a competir a 23 de julho. Neste momento já com a bagagem desses três jogos, todo o foco está no jogo com o Académico de Viseu. O mercado não entra no jogo de certeza, o mercado não vai jogar amanhã, o mercado não estará lá. Infelizmente não estará lá a grande força do Benfica, os adeptos, porque nos retiraram isso. Isso é que é importante e realçar mais uma vez porque isto foi levado de ânimo muito leve. Mas é o que é. Em relação ao mercado, não há grandes conversas neste momento.
— O plantel tem necessidade de ter três avançados ou ficaria satisfeito com dois?
— Temos quatro [Pavlidis, Durán, Ivanovic e Anísio Cabral]. O Anísio tem estado connosco desde o princípio da época. Integrou o plantel principal na fase final da época passada e desde o primeiro dia tem estado connosco, com mais minutos, com menos minutos, mas essa é a realidade. É um jogador ainda muito jovem que precisa de jogar e terá o seu espaço na equipa B quando não jogar na. Esse será o seu espaço de evolução em muitos momentos da temporada. Neste momento é a realidade, temos quatro. Iremos ver o que é que o mercado nos vai ditar até ao final de agosto, princípio de setembro, se poderemos ou não jogar com dois avançados. Há sempre essa possibilidade. Na maioria das vezes não será um ponto de partida, mas poderá ter de ser utilizado mesmo de início em alguns momentos. Até pelas características do Pavlidis: é sempre um jogador que pode jogar numa linha um pouco mais atrasada, quase como um segundo avançado. Não seria a primeira vez que o faria. É algo que temos em mente, mas precisamos de mais mais tempo para trabalhar. Estamos a tentar cimentar algo importante: a nossa forma de jogar, com muitos jogadores a chegarem já atrasados, com uma equipa técnica nova. É importante cimentar algo que é a nossa forma de jogar e depois a partir dali começar a dar algumas condicionantes diferentes à nossa forma de jogar e pode ser naturalmente com o Pavlidis numa posição diferente e depois com os avançados mais na posição nove.
— Há desconforto de Trubin com as bancadas. Já disse que não fala de jogadores que não estão cá e não fala de Palhinha. Está disponível para esperar até ao final do mercado como o Bayern admitiu que pode acontecer com Palhinha?
— O mercado está aberto e enquanto estiver aberto poderão acontecer entradas e saídas, tão simples como isso. Não vou individualizar num jogador ou noutro. Falo dos jogadores do Benfica e é essa a minha responsabilidade, mas temos vindo a dizer, e não vou esconder, que enquanto o mercado estiver aberto essas possibilidades estarão em cima da mesa. Queremos estar sempre atentos, o nosso objetivo é sempre tentar melhorar a equipa e se o pudermos fazer iremos fazer porque a época será longa e com muitos jogos, muito competitiva, com adversários muito fortes que tiveram boas temporadas e que demonstraram a qualidade na época passada. Queremos mostrar a nossa qualidade, focar-nos em nós, mas enquanto o mercado estiver aberto teremos de estar atentos e tentar sempre melhorar a equipa, que é esse o objetivo quando se contrata jogadores. Em relação à primeira questão que colocou, não vejo qualquer desconforto do Trubin. O Trubin vem para treinar-se todos os dias com seriedade. É um jogador que tem características muito próprias de personalidade, mas não vejo absolutamente alguma diferença do Trubin da semana passada ou no pós-jogo da última quinta-feira, se é isso que querem saber nesse aspeto. Absolutamente nenhuma diferença. Todos os jogadores gostam de jogar. Se estivesse no lugar do jogador também queria começar todos os jogos com a camisola do Benfica e todos os jogos a titular, mas compete-me depois decidir qual será o onze. Em relação à questão de desconforto ou não, não vejo absolutamente algum. Tenho falado com o Trubin, nunca houve desconforto da parte dele. Portanto, concentrar naquilo que é o trabalho dele, sabe o que é o futebol. Quando estamos no futebol também estamos sujeitos muitas vezes ao elogio, à crítica e ao apoio. Estamos aqui pelos adeptos, é a nossa profissão, adoramos o que fazemos, mas jogamos futebol e o futebol sem os nossos adeptos não vale a pena. Jogamos para os orgulhar, para ter vitórias para que eles se sintam orgulhosos da equipa e naturalmente quando algo acontece menos bom, e não estou a dizer que aconteceu, mas quando algo acontece menos bom, temos de estar preparados também para reações por vezes um pouco exageradas. Faz parte da emoção daquilo que é o futebol e depois compete-nos a ter o equilíbrio necessário para aguentar quando tivermos de aguentar. Neste caso, como treinador, estarei sempre aqui para apoiar os nossos jogadores em todos os momentos que precisarem e sentir que será necessário.
— No último jogo utilizou Manu como defesa-central. Manu é o terceiro central do Benfica neste momento e até surgir o central que queria? E, já agora, quer clarificar a hierarquia de capitães? No último jogo o Tomás Araújo foi o capitão, no próximo quem será?
— Ia dizer-vos quem são os capitães. Está definido o grupo de capitães: Fredrik [Aursnes] primeiro, Tomás Araújo segundo, depois Samuel [Soares], Lenglet e Leandro Barreiro. Em relação à primeira questão, Manu tem vindo a treinar-se como central. Não há que escondê-lo.. Não é uma posição nova para ele, é fazê-la, mas precisa de rotinas de treino que depois podem ser necessárias no jogo. Portanto acho que responde à sua questão.— Que garantias a mais lhe deu Samuel Soares em relação ao Trubin para utilizá-lo contra o Hearts. No fundo, porque optou por ele?— Percebo a questão mas, como deve calcular, não lhe vou estar a dar explicações porque é que meti o jogador A, B, C ou D. É uma decisão minha, uma decisão técnica. Veremos qual será a decisão para amanhã. Como tomo decisões em relação àquilo que quero para a equipa, não vos vou anunciar porque é que o faço.
— Que garantias a mais lhe deu Samuel Soares em relação ao Trubin para utilizá-lo contra o Hearts. No fundo, porque optou por ele?
— Percebo a questão mas, como deve calcular, não lhe vou estar a dar explicações porque é que meti o jogador A, B, C ou D. É uma decisão minha, uma decisão técnica. Veremos qual será a decisão para amanhã. Como tomo decisões em relação àquilo que quero para a equipa, não vos vou anunciar porque é que o faço.
— Benfica tem conseguido chegar com muitos jogadores à zona de finalização e sido eficaz no momento defensivo. Quais são características que quer vincar na equipa para esta época?
— Sim, decididamente tem de ser uma das nossas características. Não o conseguimos fazer da forma como pretendíamos no primeiro jogo oficial na Suíça. Demos passos em frente nos dois jogos seguinte, conseguimos melhorar nesses aspetos, o que foi importante. Melhorámos claramente no nosso momento de transição defensiva e, para conseguirmos jogar no meio-campo ofensivo, temos de ser bem fortes nessa característica. Isso pode acontecer sempre em momentos de contra-ataque e podemos ser apanhados de uma forma em que não estamos tão bem posicionados. Estarmos bem posicionados e preparados para esse momento de jogo é um objetivo, porque nos dá coesão, capacidade de ganhar a bola em zonas mais subidas, como no último jogo, principalmente na primeira parte em que conseguimos fazer de variadíssimas vezes. E depois sermos sólidos. Sabemos que no final de contas é importante ter um futebol que nos identifique com o clube. Mas depois não há campeões, não há títulos, não há épocas consistentes se não formos uma equipa que tenha capacidade de manter a baliza a zero e não dar muitas oportunidades ao adversário. Portanto aqui o equilíbrio tem de ser entre as duas questões. Uma coisa é ter uma mentalidade de jogo que quer ser dominante, outra coisa é depois ser uma equipa frágil em algumas situações como no momento de transição defensiva ou organização defensiva. Queremos ter equilíbrio em ambas. Por isso é muito importante termos uma equipa sempre muito bem posicionada, com capacidade de reação e de ser agressiva naquele momento. Depois, quando estamos em zonas mais defensivas, precisamos de ter capacidade tática e agressividade para ganhar duelos, precisamos de ser consistentes para não sofrermos e não deixarmos que o adversário crie muitas oportunidades de golo.