Líder dos minhotos continua focado no que consegue controlar e diz que só assim a equipa pode ambicionar ao sucesso - Foto: Famalicão
Líder dos minhotos continua focado no que consegue controlar e diz que só assim a equipa pode ambicionar ao sucesso - Foto: Famalicão

Hugo Oliveira: «O nosso processo tem vindo a desenvolver-se»

Treinador do Famalicão deixa rasgados elogios à qualidade dos seus jogadores e às prestações da equipa. Alerta máximo para o duelo com o Nacional, oponente a quem atribui bastantes créditos e do qual espera competitividade no limite. Contas europeias ficam para depois. Os parabéns às equipas portuguesas na Europa e as condolências à família de Silvino Louro

O embate entre o Famalicão e o Nacional, relativo à 27.ª jornada da Liga e que está agendado para 15h30 deste sábado, irá oferecer muitos problemas aos minhotos. Quem é o projeta é Hugo Oliveira.

Mas antes de começar a fazer a antevisão do jogo, Hugo Oliveira fez questão de se associar à dor da família de Silvino Louro, figura do futebol português que faleceu no dia de ontem: «Antes de mais, gostaria de enviar as condolências à família do Silvino e dizer que Portugal perdeu um grande guarda-redes e um fantástico treinador de guarda-redes, mas, acima de tudo, um ser humano que estivesse onde estivesse contagiava pelo seu sorriso e pela sua forma de estar muito positiva e bem humorada. Passei bons momentos com ele. Deixa-nos mais sós e quero deixar uma forte palavra à família.»

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Já no plano desportivo, mas ainda antes de falar propriamente do Famalicão, o técnico dos minhotos também não quis deixar passar em claro a extraordinária campanha europeia que está a ser efetuada pelos emblemas lusos: «Também queria congratular e desejar todo o sucesso às equipas portugueses que têm feito um trajeto fantástico na Europa. Foi mais uma grande semana do futebol português, acho que é o sublinhar da qualidade das equipas e dos seus processos. Mas também a demonstração da qualidade da nossa Liga, que faz com que as equipas cresçam e evoluam.»

O treinador dos azuis e brancos do Minho entrou, então, no confronto com os madeirenses, mas logo deu nota de que não se deixa iludir pela classificação dos insulares — 16.º posto, com 22 pontos, em zona de play-off — e atribui muito mérito ao trabalho que está a ser desenvolvido por Tiago Margarido. Desta forma, só um grande Fama poderá vencer este duelo.

«Em relação ao nosso próximo jogo, será muito difícil, contra uma equipa que é boa e que tem tido resultados que não são condizentes com as suas prestações em jogo. O Nacional está numa luta que é muito importante para eles [permanência] e pela qual têm de dar muito. É uma equipa muito organizada e perigosa, que sabe o que está a fazer dentro de campo e que é bem orientada. Vai criar-nos muitos problemas, mas, como é habitual, nós olhamos muito para nós e queremos chegar ao fim felizes. Tal como aconteceu na Madeira [na primeira volta], acredito que será um jogo muito competitivo e decidido nos pormenores. O Nacional normalmente faz campeonatos muito fortes em casa, este ano até tem tido também uma prestação for a mais forte do que no passado. Tem jogadores muito verticais e incisivos, sendo também uma equipa que sabe defender e fortíssima nas bolas paradas. O nosso processo tem vindo a desenvolver-se, com os jogadores cada vez mais dentro das ideias coletivas, mas não há jogos fáceis na nossa Liga e estou à espera de muitas dificuldades», projetou, na conferência de Imprensa realizada ao início da tarde desta sexta-feira.

Em caso de triunfo, os famalicenses atingem um recorde histórico: cinco vitórias consecutivas em casa para a Liga, algo que o clube nunca conseguiu. O dado é, claro, convidativo. «É um incentivo. Nós vivemos para sermos melhores no dia de amanhã e lutamos sempre pela vitória, independentemente de recordes e de podermos fazer o que ainda não foi feito. Faz parte da nossa forma de estar e de viver. Queremos ganhar todos os dias e olhar para a frente e evoluir. Amanhã temos mais uma oportunidade para ganharmos e mostrarmos o talento dos jogadores», notou Hugo Oliveira.

Olhando para o cenário atual, os azuis e brancos têm a Europa no horizonte. Mas a visão do técnico é... pragmática: «Nós vivemos à nossa maneira e a olhar para nós, para o nosso processo e para a nossa evolução. Competimos com todas as equipas da Liga e queremos ganhar todos os jogos. A nossa forma de estar é muito exigente, mas, acima de tudo muito focada em nós, não olhamos aos vizinhos. O importante agora é olharmos de forma muito vincada para o Nacional, porque só o melhor Famalicão é que conseguirá competir a um nível alto diante deste adversário.»

Sobre o facto de o Famalicão ser a única equipa do campeonato sem qualquer penálti a favor, Hugo Oliveira só pede que se aplique a Lei... quando assim tiver de ser: «Não tenho explicação, mas também não quero penáltis que não sejam penálti. Fico satisfeito com o facto de o Famalicão ser a equipa que mais faltas sofre e também uma das que mais toques dá nas áreas dos adversários. O que queremos é que quando for penálti, que ele seja assinalado. Esperemos que o castigo máximo um dia seja a nosso favor.»

A finalizar, o jovem treinador foi instado a comentar o facto de ter completado 50 jogos ao serviço do clube que lhe abriu as portas desta caminhada a solo. A felicidade e o orgulho, claro, estão bem presentes. «Passaram muito rápido. Pelo feedback que vou sentindo das pessoas, tanto do Famalicão como do futebol português, parece que já estou aqui há muito tempo. Sou um dos que mais longevidade tem, o que diz muito do que é a vida de um treinador. São 50 jogos de grande felicidade e de grande orgulho por representar esta casa. Há uma grande identificação entre a equipa técnica e a propriedade do clube e quando existe esse encaixe o futuro pode ser muito bom», analisou.