Guardiola de keffiyeh num discurso pró-Palestina: «Deixámo-los abandonados»
Pep Guardiola aproveitou o dia de folga do Man. City para se deslocar a Barcelona, onde discursou a favor da Palestina, num concerto de beneficência realizado esta quinta-feira à noite na cidade catalã.
Usando um keffiyeh, lenço xadrez branco e preto que é símbolo tradicional da cultura e da resistência palestinianas, o treinador dos citizens manifestou apoio às crianças que sofrem na região, ao mesmo tempo que criticou a passividade dos líderes mundiais.
«Boa noite, salam alaikum, que maravilha», começou por dizer no Palau Sant Jordi, durante o concerto «Act x Palestine». «Deixem-me dizer-vos duas coisas. Penso no que achamos, quando vemos uma criança nestes dois últimos anos, com estas imagens nas redes sociais, na televisão, a suplicar 'Onde está a minha mãe?' entre os escombros e ainda não sabe isso», prosseguiu.
«E penso sempre: 'No que deverão estar eles a pensar?' E acho que os deixámos sozinhos, abandonados. Imagino-os sempre a dizer: 'Onde estão vocês? Venham ajudar-nos'. E nem agora o estamos a fazer. Talvez porque aqueles que estão no poder são cobardes, porque basicamente mandam jovens inocentes para matar gente inocente. É isso que os cobardes fazem. Porque estão nas suas casas, com aquecedores quando está frio e ar condicionado quando está calor», criticou.
«Temos de dar um passo em frente. Só o estar presente sozinho significa muito — tanto, tanto. O que as bombas causam — e o que querem causar — é o silêncio, para que olhemos para o outro lado. Esse é o seu único objetivo: que não demos um passo em frente. E é a isto que temos de resistir. Temos simplesmente de não olhar para o outro lado. Temos de estar envolvidos e participar», sublinhou.
«Apresentamo-nos perante o mundo para mostrar que, naturalmente, estamos do lado dos mais fracos — neste caso a Palestina. Mas não apenas a Palestina; todas as causas. Esta é uma declaração à Palestina e é uma declaração à Humanidade».
As receitas do concerto, que teve cerca de 12 mil pessoas e que contou com artistas com Rosalía, reverteram para iniciativas culturais palestinianas.
Esta não foi a primeira vez que Guardiola manifestou o seu apoio à causa palestiniana — em novembro, apelou à participação num jogo de solidariedade entre a Palestina e a Catalunha, descrevendo-o como «um grito de solidariedade e uma homenagem a mais de 400 atletas que foram martirizados em Gaza».