Magia(r) à solta na Pedreira escrita com caneta de ouro (crónica)
Quando, logo aos 6 minutos, Rodrigo Zalazar pressionou Dávid Gróf e obrigou o guarda-redes a despachar (mal) a bola, que Gabri Martínez recuperou e endossou, depois, ao uruguaio para que este ousasse o primeiro remate à baliza, percebeu-se que teríamos uma tarde... à SC Braga.
Pouco depois, Víctor Gómez integrou-se na manobra ofensiva e cabeceou ligeiramente ao lado. Sentia-se, cada vez mais, que o primeiro golo estava a vestir-se.
A anunciada festa começou a fazer-se aos 11 minutos: Pau Víctor chamou Rodrigo Zalazar, o criativo fugiu pela direita e ofereceu as honras da casa ao patrão Ricardo Horta. Pedreira a fervilhar...
Mas a massa associativa bracarense quase nem teve tempo para se sentar. Afinal, ato contínuo, a avalancha ofensiva da formação orientada por Carlos Vicens era de tal ordem que o segundo golo apareceu quando o relógio (ainda) marcava o quarto de hora. Nesse instante, Zalazar (e novidades?) cruzou, Toon Raemaekers cortou de forma imprecisa, e Florian Grillitsch atirou de primeira para o 2-0. Não podendo, de todo, retirar mérito ao tiro do internacional austríaco, também não podemos omitir a colaboração de Dávid Gróf. Na gíria, chama-se um frango.
Depois do triunfo do Ferencvaros na Hungria, a eliminatória estava empatada. E se a entrada triunfal do SC Braga deixou a plateia em êxtase, o que dizer do que aconteceu ao minuto 34? Sim, caro leitor, nesse preciso momento os guerreiros deram a volta ao texto! Pau Víctor fez um passe de rotura e potenciou a fuga de Gabri Martínez. El Gato, como é carinhosamente tratado, arrancou sem deixar rasto e colocou a cereja no topo do bolo com um remate colocado, já no interior da área. Sim, 3-0!
Se nas estrelas já estava escrito que o apuramento dos arsenalistas era o pano de fundo para uma tarde absolutamente épica na Pedreira, então os artistas de alto quilate vestidos de vermelho e branco fizeram questão de (continuar a) escrever a história com uma caneta de ouro. O céu era (e é) o limite.
A primeira parte dos forasteiros foi absolutamente desastrosa, mas além da inércia magiar deve também elevar-se ao mais alto patamar da excelência a exibição bracarense. Do melhor que se viu.
E para que não restassem quaisquer dúvidas, o início da etapa complementar trouxe o 4-0. Que chegou assente numa verdadeira obra de arte pintada por aquele que é considerado por muitos como o maior artista da vida do SC Braga: Ricardo Horta. Assistência de Florian Grillitsch e remate portentoso do capitão fazendo a bola entrar junto ao ângulo superior esquerdo.
A partir daí, o modo gestão. Com o triunfo e o apuramento no bolso, até deu para um cheirinho de Lukas Hornicek, que se juntou à festa com três intervenções ao seu nível.
O dia 18 de março de 2026 constará eternamente do livro de honra do SC Braga. Os quartos de final estão garantidos — diante de Panathinaikos ou Betis —, mas a final de Istambul (20 de maio) não é utopia. O sonho comanda a vida...
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