Greve de 'strippers' durante evento mais lucrativo do ano: o GP do Canadá

Montreal vai receber a prova no próximo fim de semana

As strippers de Montreal convocaram uma greve durante o GP do Canadá de Fórmula 1, que se realiza este mês, como forma de protesto contra as condições de trabalho e para reivindicar direitos laborais.

A paralisação está a ser organizada pelo Comité Autónomo do Trabalho Sexual (SWAC) e está agendada para 23 de maio, dia em que decorrem a corrida sprint e a qualificação no Circuito Gilles Villeneuve. O grande prémio realiza-se no dia seguinte, a 24 de maio.

Num comunicado, o SWAC delineou objetivos, exigindo o fim da taxa de bar (um valor que as strippers têm de pagar para atuar nos clubes), o reconhecimento do estatuto de trabalhadoras e «condições de trabalho seguras como em qualquer outra profissão». O SWAC sublinha que o fim de semana da corrida como o «período mais movimentado» e «mais lucrativo do ano» para os clubes.

A escolha da data não foi, assim, inocente, e pretende maximizar o impacto do protesto. «Achamos que o grande prémio é a melhor altura para fazer greve», afirmou o SWAC. «Os clubes estão no seu pico de atividade, tornando-se o período mais lucrativo do ano para o nosso patrão. Esta é a nossa oportunidade de ameaçar essa receita e afetá-los onde mais lhes dói».

A organização alega que, apesar do aumento dos lucros da gerência durante este período, as condições de trabalho pioram significativamente. «Durante este tempo, apesar de a gerência ganhar mais dinheiro, as dançarinas têm de suportar uma lista de novas regras, taxas de bar aumentadas, excesso de contratações e, no geral, piores condições de trabalho».

O SWAC acrescentou que «as taxas de bar são aumentadas exorbitantemente durante a F1 e novas regras arbitrárias são frequentemente aplicadas de forma rigorosa, com taxas de penalização exploradoras associadas».

«A realidade é que estamos claramente presas numa dinâmica de poder empregador/empregado, e o modelo da taxa de bar beneficia apenas os patrões», concluiu o comunicado. «Na verdade, eles têm todo o incentivo para trazer o maior número possível de dançarinas todas as noites para maximizar os seus lucros. Quanto à nossa segurança, os nossos empregadores demonstram muito pouca preocupação e deixam-nos tratar do assunto por nossa conta».

No ano passado, o Grande Prémio do Canadá, vencido por George Russell da Mercedes, atraiu um recorde de 352.000 espectadores ao longo do fim de semana.

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