Grande revolução e pequeno susto no caminho do 'play-off' (crónica do Benfica)
Seis-um é uma diferença tão grande que permite a quem está por cima mudar alguma coisa e por cima continuar. Assim aconteceu com o Benfica. Marco Silva fez sete trocas (Bah por Dedic, Tomás Araújo por Manu, Dahl por José Neto, Leandro Barreiro por Richard Ríos, Rafa Silva por Lukebakio, Prestianni por Schjelderup e Pavlidis por Durán). Restaram, do onze inicial que arrancou na Liga, Samuel Soares, Lenglet, Barrenechea e Sudakov. E, com um susto pelo meio, o play-off está aí. Tal como se esperava desde o final do jogo da Luz.
Tirando os primeiros cinco minutos, nos quais o Hearts quis marcar e tentar reduzir a abismal desvantagem trazida da primeira mão, o Benfica mandou no jogo. Mais bola, mais agressividade e mais velocidade, com Jhon Durán a ser o jogador em maior evidência. Desde logo, porque mostrava grande disponibilidade para receber a bola e, de costas para a baliza e longe da área dos escoceses, combinar com os alas, Lukebakio e Schjelderup. Depois, porque foi o pé esquerdo do colombiano quem mais problemas colocou à defesa do Hearts, embora todos os remates, fortes e espontâneos de pé esquerdo, tenham saído muito ao lado.
A maior falha dos encarnados apareceu aos 24 minutos quando Sudakov, após cruzamento rasteiro de Dedic, falhou a emenda já na pequena área. Já na parte final do primeiro tempo, surgiu a mais perigosa oportunidade do Benfica, com Dedic, no meio da grande área, a desviar de cabeça à barra, após defesa apertada de Reus num remate de Durán. Por fim, em cima do intervalo, Schjelderup ultrapassou dois adversários e rematou rente ao poste.
A segunda parte começou com uma surpresa: Lenglet por Tomás Araújo. Manu manteve-se no lado direito do centro da defesa e Tomás Araújo entrou para a esquerda. Porém, não como consequência direta desta troca, o Hearts subiu de rendimento e começou a criar sucessivos momentos de perigo, sobretudo através de Guendouz. E aos 55’, os escoceses chegaram ao golo, num cruzamento rasteiro de McPake para Miller encostar de forma perfeita, numa jogada em que, globalmente, a defesa encarnada esteve muito mal. Felizmente, havia fora de jogo de McPake no momento em que recebeu a bola.
O lance pareceu acordar, ligeiramente, o Benfica, mas tal só aconteceu, de facto, quando Marco Silva voltou a mudar, pouco depois da hora de jogo: Barrenechea por Barreiro e Sudakov por Prestianni. E foi este último que, naquele estilo exuberante de ir para cima de tudo e de todos, começou a encostar o Hearts para junto da sua grande área.
O jogo aproximava-se do final quando, aleluia!, os golos apareceram. Primeiro, o do Hearts, aos 77’. A bola apareceu soltinha à frente de Magnusson e este, quase sem ninguém a fazer-lhe sombra, rematou fortíssimo, sem hipótese para Samuel Soares. Segundos depois, num lance quase gémeo, o Benfica empatou. José Neto colocou a bola soltinha na frente de Lukebakio e, igualmente sem ninguém à frente, o belga rematou de pé esquerdo e igualou.
Em cima dos dez minutos finais, Marco Silva mexeu pela última vez: Lukebakio por Kaminski e Schjelderup por Rafa Silva. Barreiro quase marcou de fora da área e, pouco depois, o neerlandês Sander van der Eijk apitou pela última vez. Venha de lá o play-off e os dinamarqueses do Aarhus, já na próxima quinta-feira, no Estádio da Luz.