Lateral direito está de saída do Valência, aponta ao Veneza e fala do presente, do passado, do futuro e do 'seu' Sporting

«Gostava de voltar ao Sporting»

Thierry Correia ainda tem um objetivo de carreira, pois entende que deixou uma obra inacabada em Alvalade, mas um pouco lá mais para a frente...

— Sente que caiu um pouco no esquecimento em Portugal?

— Talvez. Mas acho que também depende muito do meu humor, não do meu esforço, mas do meu trabalho dentro de campo. Se o meu trabalho dentro de campo não for o mais notável… É normal que as pessoas se esqueçam. Se estivesse a fazer boas épocas, com vários golos, várias assistências, certamente as pessoas não se esqueceriam de mim.

— Quando saiu do Sporting tinha apenas 20 anos. Não foi uma saída demasiado precoce?

— Essa é uma boa pergunta. Tinha 20 anos. Mas hoje em dia nós vemos jogadores com 16, 17 anos já ao mais alto nível. Sinto que saí e não estava preparado. E foi de repente que eu não tinha intenção de sair. Tinha a intenção de aproveitar ao máximo o tempo na equipa principal, porque estava a realizar um sonho de criança e de repente, depois de atingir o alvo, dizem-me: 'há probabilidade de saíres'. Respondi que não queria depois, mas devido a circunstâncias acabei por sair. Acabei por chegar muito cedo ao Valência. Acabei também por no dia em que ia começar a treinar terem despedido o treinador que me tinha contratado, o Marcelino García Toral, que esteve agora no Villarreal. Entrou o Celades e depois ainda tive vários treinadores até me começar a impor.

Thierry Correia foi formado no Sporting, de onde saiu com apenas 20 anos

— Quando abandonou Alvalade rumo ao Valência tinha apenas sete jogos pela equipa principal. Ficou espantado quando alguém pagou €12 M pelo seu passe?

— Não, quando me disseram o valor de transferência foi-me um bocado indiferente, pois era um acordo entre os clubes. Eu, com 20 anos, queria jogar.

— Mas o ordenado terá sido mais interessante do que o auferido no Sporting?

— E não só porque sabia que o Sporting tinha dois laterais-direitos contratados para a equipa principal. Tinham acabado de adquirir o Rosier, que supostamente seria o titular nessa altura e no Valência sabia que era um lateral e ia ser contratado, que ia ser contratado para ser o segundo. Pensei que queria ter mais minutos e acabei por não o ter. Mas tudo é aprendizagem.

— Aquela derrota por 0-5 no dérbi da Supertaça com o Benfica, em 2019, acabou por lhe colocar um rótulo demasiado pesado?

— Um rótulo pesado, não sei, mas acho que acabou por ficar pesado para todos... Lembro-me bem de uma coisa, do treinador me dizer que eu ia jogar. No treino comecei a ficar nervoso e a pensar: ‘mas como é que eu vou jogar?’. Mas acho que nós entrámos bem no jogo e depois deixámo-nos levar pelos acontecimentos defensivos e a coisa começou a descambar e ficou pesado tanto para mim como para todos os meus colegas, pois foi o meu primeiro jogo como titular. Ainda assim, um jogo importante que nos poderia dar uma taça e acabámos por perder 0-5 contra o maior rival, o Benfica. Não, não é a melhor recordação…

— Sentiu que no Sporting foi como que uma obra inacabada?

— Na verdade, sinto isso um pouco.

— Gostava de um dia mais tarde voltar a Alvalade?

— Sim, gostava de pelo menos poder representar o Sporting, que é o clube que me formou.

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