Roberto Martínez, selecionador nacional
Roberto Martínez, selecionador nacional

Gestão, segundo Mundial e o barulho de fora: tudo o que disse Roberto Martínez

Antevisão do selecionador nacional ao duelo com a Croácia

Roberto Martínez, selecionador nacional, fez a antevisão ao duelo de Portugal com a Croácia, agendado para a madrugada de quinta para sexta-feira, a contar para os 16 avos de final do Mundial 2026.

— Está na hora de Gonçalo Ramos jogar e dar descanso a Cristiano? Bernardo já descansou o suficiente?

— Amanhã começámos o segundo Mundial. Fizemos coisas bem, outras difíceis. Temos 21 jogadores que já jogaram, inclusive o Gonçalo Inácio e o Guedes. O Bernardo não podíamos arriscar com a Colômbia, porque tinha visto um amarelo. Estamos preparados. Os minutos não são importantes, mas sim que todos possam ajudar a equipa.

— Estará calor e humidade. É uma vantagem defrontar um adversário Europeu?

— Não há vantagens no Mundial. A nossa preparação era treinar em Palm Beach com muita humidade, aqui teremos também muito calor, mas menos humidade. O Mundial é exigente e a equipa está preparada para tudo. A 1 de julho temos de estar preparados para tudo. Conhecemos muito bem a Croácia, eles também conhecem os nossos pontos fortes, vai ser um jogo competitivo, com a importância de ser um jogo a eliminar no Mundial.

— Stanisic pode ser um problema para Nuno Mendes?

— Todos os jogos são diferentes. Contra a Colômbia tivemos momentos que ajudaram a equipa a alinhar e ajustar. O importante é que o fizemos em situações difíceis de defender o último terço. Conhecemos a Croácia e é diferente. A equipa está preparada, tivemos momentos para ajustar. A equipa tem muita força, união. Temos a força, a preparação. Falta ter coragem de acreditar. Todos os jogos que tivemos ajudaram-nos a preparar, não são um problema.

— O que Portugal terá de fazer que ainda não fez?

— Isso é essencial, ter autocrítica. Os jogadores não procuram desculpas. É preciso ter valores para e este grupo tem todos os valores necessários. Agora temos de começar o segundo Mundial bem e iniciar o caminho. Só isso. O barulho de fora é normal, temos de estar preparados porque há muita paixão pela Seleção, ainda para mais num Mundial. Mas o balneário está unido e preparado para tudo.

— O que pode garantir aos portugueses numa altura em que estão cada vez mais desconfiados?

— É uma opinião muito subjetiva. Posso dizer que temos muita força e os adeptos estão connosco. Queremos estar sempre melhores. O que posso prometer é atitude, esforço e todos os valores do povo português que estão no balneário. Para fazer o caminho temos de estar focados e trabalhar muito. É o que está a fazer o balneário.

— O que seria uma má prestação de Portugal?

— Só quando terminar o Mundial poderemos avaliar. Agora, posso avaliar a atitude, o compromisso e o trabalho dos jogadores, que é exemplar. Esse é o aspeto mais importante. Depois no relvado há o adversário e vários fatores. Os três jogos que tivemos deram-nos uma preparação fantástica para o jogo com a Croácia. Há um escritor espanhol, Antonio Machado, que dizia ‘Caminhante, os teus passos são o caminho, e nada mais’. E é isso, o caminho faz-se caminhando. É o que vamos começar amanhã [madrugada de quinta para sexta-feira], seguindo o caminho todos juntos.

— Matheus Nunes, Gonçalo Ramos e Trincão com poucos minutos. Não se sentem incomodados e desmotivados?

— O papel de um jogador de seleção é esse. É uma questão de números. Há 26 jogadores. Há um 11 e cinco substituições. Importante é a atitude e o orgulho de vestir a camisola. Os que não jogam querem jogar, os que jogam quer marcar mais golos. É a mentalidade de um ganhador e jogador de seleção. O nosso balneário tem muito profissionalismo e força para tentar ajuda a equipa. Não é estar satisfeito, é estar preparado para quando a equipa precisar. Não há muitas seleções que tenham usado 21 jogadores.

— Como é enfrentar Modric? Cristiano Ronaldo ou Modric poderão desperdir-se dos Mundiais…

— Estamos a falar de jogadores que estão acima da opinião pública. São ícones mundiais. A longevidade que levam faz com que sejam especiais. Luka Modric com mais de 40 anos, continua a fazer muitos jogos. É o mesmo que o nosso capitão. A idade é só um número. O que vale é o que eles fazem e a importância que têm enquanto exemplo no balneário. O Modric é um exemplo para milhões atletas e novas gerações de futebolistas.

— O que falta esta equipa mostrar? Que análise faz da Croácia nos últimos anos?

— É um grande trabalho de selecionar croata. É uma geração comprometida, com Modric, Gvardiol, Kovacic. É um país de quatro milhões de pessoas que nascem com o  desporto, 2018 e 2022 são exemplos disso. Há dois Mundiais, o primeiro para criar um ambiente de autocrítica, força. Agora estamos no segundo Mundial. Todos os jogadores estão preparados. Há muitas opções. Tivemos oportunidade de utilizar 21 jogadores. Estamos num momento que estamos preparados para sofrer. Somos humildades para não nos considerarmos favoritos. Favoritas são as equipas que já ganharam o Mundial. Será um jogo difícil e vamos ter de sofrer.

— Já pensou num possível cruzamento entre Portugal e Espanha nos oitavos de final?

— No Mundial não existe essa possibilidade. Não é possível seguir as outras equipas. Chegámos de Palm Beach, agora estamos em Toronto e a complexidade de um mundial não nos permite isso. O importante é estarmos preparados com a Croácia e veremos se continuamos no Mundial. Se continuarmos, será sempre contra um adversário difícil.

— Há alguma tensão entre a comunicação social portuguesa e o selecionador? Como têm sido os dias com Cristiano Ronaldo, poderá ser o último dia num Mundial.

— A importância do próximo jogo é grande. O futuro de um jogador não é importante. Lutámos três anos e meio para chegar aqui. Tivemos momentos com muita emoção e é isso é importante. O barulho de fora é normal. É a paixão pela Seleção, há muita energia.

— Como olharia para o jogo como analista?

— A chave será tentar levar o jogo para onde queremos. As duas equipas gostam e precisam da bola para atacar e defender. A chave será controlar esse aspeto. Já nos defrontámos na Liga das Nações, por isso não há segredos.

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