Francesco Farioli destacou aproximação azul e branca aos rivais. Treinador do FC Porto concordou «totalmente» com José Mourinho, que destacou a primeira volta «anormal» rubricada pelos dragões

Garantia aos portistas, «superestrelas» e ainda Mourinho: tudo o que disse Farioli

As palavras de Francesco Farioli na antevisão do jogo com o Santa Clara, que pode deixar os FC Porto com uma vantagem de sete pontos sobre o rival Sporting

Francesco Farioli quer que a cabeça dos jogadores do FC Porto esteja apenas e só no jogo com o Santa Clara, sem pensar no fosso que pode cavar em relação ao perseguidor Sporting. Na antevisão do duelo com a equipa açoriana, em São Miguel, o treinador dos dragões falou ainda sobre o mercado de inverno — confirmando uma saída — e expressou concordância com a análise de... José Mourinho.

— Como é que o grupo encara este mês de janeiro e o jogo deste domingo frente ao Santa Clara?

— Vai ser um mês muito preenchido, com muitas competições e jogos importantes. Mas a realidade é que o nosso foco e a nossa atenção estão totalmente no jogo de amanhã, porque encerra, de certa forma, um ciclo. Depois teremos, como sabem, 10 dias para preparar o próximo jogo. Por isso, é muito importante para nós viajarmos até lá para jogarmos contra uma equipa que, na época passada, foi fantástica e que esta época também está a fazer um excelente trabalho. Jogar lá é ainda mais complicado, mas, acima de tudo, não é apenas pelo campo ou pelas condições climatéricas, é mais pelo trabalho que o treinador e a equipa estão a desenvolver. Temos de estar muito bem preparados e mentalizados, sabendo que será um grande desafio para nós.

— Depois do empate do Sporting, o FC Porto, se vencer nos Açores, passa a ter 7 pontos de vantagem sobre o segundo classificado. Isto é quase uma 'via azul' para o título?

— Há algumas semanas disse que nunca vi ninguém celebrar o título em dezembro, e agora digo que nunca vi ninguém celebrá-lo em janeiro. Estamos focados no nosso caminho, no que temos de fazer. Quero que a equipa entre em campo com a mentalidade de quem está 15 pontos atrás, porque a fome e o desejo de melhorar têm de ser sempre o nosso combustível e a nossa principal motivação. Não há cálculos, não há planos a longo prazo, apenas a projeção total para o jogo de amanhã, dando total atenção ao Santa Clara.

— O seu sucesso no FC Porto deve chamar a atenção de colossos. Pode garantir aos adeptos do FC Porto que vai ser o treinador até ao fim da época?

— Com certeza, não há qualquer dúvida. Se olhar para as minhas experiências anteriores, no Nice ou no Ajax, nunca foi um tema para mim sair a meio da época. Não é algo que passe pela minha cabeça. E aqui, no FC Porto, acredito que existe, em termos de ligação e relação com o presidente e com o clube, algo ainda mais forte e profundo. Da minha parte, estou totalmente comprometido com o clube, totalmente ligado à realidade em que estamos, porque, talvez pela primeira vez na minha vida, sinto que podemos construir algo sólido e que pode continuar a crescer. Construímos a base e agora podemos passar para o primeiro andar. Estou muito grato às pessoas que me deram a oportunidade de estar à frente de um clube desta dimensão.

— A equipa vai entrar com mais vontade após o empate do Sporting? E qual a importância de manter todos os jogadores nucleares este mês?

— Repito: não há motivação extra, a motivação está no nosso caminho e no que temos de fazer. Isso não traz pressão ou motivação extra, porque sabemos o que é necessário para estar onde queremos estar em maio. Sobre os jogadores, o mercado de janeiro é sempre complicado, porque podem surgir grandes propostas nas últimas horas... Temos de estar preparados. O que posso dizer é que todos os jogadores que estão aqui estão felizes e querem ficar. Partilhamos o mesmo desejo e ambição. De momento, a única coisa que posso confirmar é que o Pedro Lima vai regressar ao Wolverhampton, porque chamaram-no de volta. É um jogador que foi fantástico connosco, com uma atitude incrível. Desejo-lhe o melhor.

— Villas-Boas lembrou a época passada para exemplificar que as coisas podem desmoronar rapidamente. Como é que o grupo recebeu essa mensagem?

— É algo que está absolutamente claro. A experiência que tanto o FC Porto como eu tivemos na época passada mostra que as coisas podem mudar muito rapidamente. Temos de estar cientes disso. É por isso que tento manter todos com os pés no chão. Especialmente nesta liga, onde a consistência e a estabilidade ao longo do percurso serão fatores chave, temos de estar focados. O sentimento do treino aberto foi de muita intensidade e desejo. É algo que não ganha jogos, mas que nos deixa mais perto do sucesso.

— Teme algum relaxamentos por conta da vantagem pontual? E o que ainda espera em termos de mercado?

— Não acredito no relaxamento do grupo. O nível de desejo que todos temos não nos permite baixar o nível. Acredito na maturidade do grupo, com os capitães e a equipa técnica todos no mesmo sentido. Sobre o mercado, é melhor falarmos depois deste jogo, quando tivermos mais tempo. Já disse várias vezes que estou feliz com os jogadores que tenho, mas tivemos algumas lesões graves que temos de gerir. O Thiago Silva está a chegar para nos ajudar e, com o presidente, estamos totalmente alinhados sobre as necessidades da equipa. Quem vier tem de saber que o FC Porto vem antes de qualquer indivíduo. Não vamos criar espaço para superestrelas, mas sim para quem quer trabalhar.

— Os jogos do Sporting nos Açores servem de guião para o encontro com o Santa Clara?

— Analisámos esses jogos como analisamos todos os outros. O relvado é um fator, tal como o facto de num mesmo jogo podermos experienciar quatro estações diferentes. Mas mais do que o tempo ou o relvado, o importante é o respeito que temos por um clube e um treinador que estão a fazer um trabalho notável.

— O facto de o FC Porto jogar quase sempre depois dos rivais dá alguma pressão extra?

— Jogamos depois por causa da Liga Europa, por isso jogamos ao domingo ou segunda-feira. Nada mais do que isso, é indiferente.

— O Santa Clara sentiu-se prejudicado pela arbitragem nos jogos com o Sporting. Sente que tem de ter a equipa preparada para um jogo mais emocional nesse aspeto?

— Queremos acreditar num jogo justo. Não vamos para o campo com medo de recebermos compensações por erros passados, em jogos de outros rivais... Vamos para jogar o nosso jogo, respeitando o adversário e esperando que a arbitragem seja justa para ambas as partes.

— Como encara as declarações, em jeito de elogio, dos treinadores rivais sobre o FC Porto?

— Sobre as palavras de Mourinho, concordo. O que estamos a fazer é extraordinário. Em termos de performance, pontos, consistência… Mas isto deve manter-nos com os pés ainda mais no chão e elevar o nosso nível de humildade. À parte disso, o facto extraordinário é a capacidade que tivemos de conseguirmos fechar a diferença de 29 pontos para o Sporting, juntando as últimas duas épocas. Temos de estar ligados à nossa realidade, com trabalho, paixão. Temos muitas competições e vamos manter o mantra de ir jogo a jogo. O de amanhã vai ser competitivo, o desafio é grande. O que importa é isso, apenas e só.