Gabri Veiga tinha a chave da única porta que abria (crónica)
O FC Porto regressou às vitórias e segura a vantagem na liderança do campeonato fruto de um golo de Bednarek (uma vez mais decisivo de cabeça num canto) resultante do primeiro toque na bola do médio espanhol Gabri Veiga, acabadinho de entrar para o lugar de Rodrigo Mora. Gabri tinha com ele no banco, portanto, a chave da única porta possível de abrir neste jogo de sombras e xadrezes defensivos quase irrepreensíveis. É a marca de Farioli, até ver resulta bem, ainda que nem sempre seja uma delícia para os olhos do espectador.
Se o relvado da Choupana fosse um pano de subbuteo poderia ter chegado aqui acima dobrado pelo meio-campo, com os jogadores das duas equipas encaixadinhos uns nos outros, e ter sido aberto na hora de jogar, tamanha era a simetria entre os contendores. Ambos organizados em 4x3x3, com o elemento mais central do meio-campo (Matheus Dias no Nacional e Varela no FC Porto) a juntar-se aos centrais na hora de defender e armar a primeira saída de bola.
As transições defensivas prevaleceram desde o início, com as equipas a organizarem-se antes de o adversário poder criar verdadeiro perigo. Tanto que resultaram de bolas paradas os lances mais entusiasmantes, com o FC Porto a aproximar-se em dois cantos de Mora (cabeceamentos fáceis de deter por Kaique) e o Nacional noutro canto ao qual Chucho Ramírez respondeu com uma cabeçada fulgurante, mas à figura de Diogo Costa, que ainda assim teve de puxar dos reflexos para parar a bola e, em seguida, ceder mais um pontapé de canto quando ela ia pingar sobre a barra.
Foi, no primeiro tempo, um jogo de toma-lá-dá-cá. Maior domínio territorial dos donos da casa no primeiro quarto de hora, um segundo terço com mais FC Porto no meio-campo madeirense (boas indicações de Pietuszewski, em entendimentos com Zaidu e Mora, este todavia numa tarde-menos) e um equilíbrio mais marcado entre os 30 e os 45 minutos, com o Nacional a reencontrar a melhor forma de pressionar o dragão e de novo a atrever-se bastante no meio-campo contrário.
No regresso dos balneários o FC Porto terá achado que era altura de pressionar mais a sério e instalou-se muito mais perto da área madeirense. Oportunidades continuavam a não ver-se, quer de um lado quer de outro (até porque nessa altura o Nacional mal passava a divisória). Aos 59 minutos, já estava assinalado um canto a favor dos dragões, a partir da esquerda, e Farioli promoveu uma dupla substituição, fazendo voltar tudo às origens com as entradas de Borja Saínz e Gabri Veiga para os lugares de Pietuszewski e Rodrigo Mora, que os tinham rendido no onze.
Não é comum os treinadores gostarem de fazer alterações antes de uma bola parada, mas tenha-se-tratado de astúcia, inteligência, intenção ou pura coincidência, a verdade é que o italiano tomou a melhor decisão da tarde, visto que Veiga encontrou a cabeça de Bednarek e o caminho do triunfo.
Sem surpresa, o FC Porto manteve a fortaleza bem guardada. Com o passar dos minutos não se importou de baixar linhas e deixar o Nacional ir ensaiando tentativas atrás de tentativas, quase todas com o mesmo destino — ação defensiva eficaz do líder da Liga.
Só mesmo no último minuto da compensação o Nacional assustou, com um remate forte de Miguel Baeza a sair por cima. Foi um jogo bonito, que correspondesse à beleza da tarde de sol madeirense? Não, mas foi bom, pelo menos, voltar a ver futebol à hora do futebol.