Froholdt, o dragão com cabeça, tronco e membros (as notas do FC Porto)
Destruiu e construiu, destruiu e construiu e, quando teve a primeira grande oportunidade, marcou, de cabeça, após cruzamento perfeito de Pepê, fugindo a Jatta, o seu marcador. Utilizando uma frase muito em voga nos últimos dias: foi um gajo competentíssimo. Foi o elemento mais inconformado e decisivo do setor intermédio, mas baixou muito de rendimento na última meia hora. «Querem jogar este jogo comigo?», sugestionou o dinamarquês aos companheiros. Porém, excluindo Diogo Costa, os restantes dragões foram apenas minimamente competentes...
7 Diogo Costa — Entrou em 26/27 como deixara 25/26: enorme muro atrás da defesa. Logo ao segundo minuto, após livre direto de Javi Vázquez, deu o primeiro sinal de que estava bem vivo, ao desviar para canto um remate bem perigoso. Esteve sempre seguríssimo naquele que poderá ter sido o último jogo de dragão ao peito.
5 Alberto Costa — Não entrou em 26/27 como terminara 25/26. Mostrou algumas dificuldades defensivas, sobretudo no primeiro tempo, sem conseguir impor depois uma das suas principais características: galgar metros atrás de metros com a bola nos pés rumo à área adversária. Teve dois ou três raides na segunda parte, mas nunca com o selo de qualidade da época passada, dando a sensação de não estar fisicamente a cem por cento. Jorge Jesus, na bancada, esteve atento ao lateral-direito, obviamente candidato a ser chamado, em breve, à Seleção Nacional.
6 Bednarek — Esteve em destaque nos minutos iniciais, com dois cortes preciosos, sobretudo o primeiro, após remate de Javi Vázquez, dando o corpo à bola. Foi o primeiro a provar que o relvado estava quase impraticável, com o joelho direito a sofrer um bom bocado e, fruto desse estiramento, saiu ao intervalo.
5 Kiwior — Cometeu alguns erros de posicionamento que permitiram ao Torreense criar perigo no ar, mas fez um corte providencial sobre a linha aos 45+3' que evitou o golo. Exibição com altos e baixos, valendo-lhe a frieza no momento crítico para segurar a baliza a zeros.
5 Zaidu — Jogo discreto e maioritariamente posicional, sem registo de grandes desequilíbrios no ataque nem sobressaltos graves no seu corredor.
5 Pablo Rosario — Quase um terceiro central a defender e demasiado lento na fase de construção quando o FC Porto começou a pegar no jogo. Passou a central, em definitivo, com a saída de Bednarek, ao intervalo. Passou a ter mais metros para perfurar com bola, mas sentiu mais dificuldades a defender. Ao minuto 60, por exemplo, parou em falta a fuga de Dramé rumo à baliza de Diogo Costa e viu o cartão amarelo.
4 Gabri Veiga — Deu nas vistas, logo aos 11’, ao tentar marcar de calcanhar dentro da pequena área. Seria lindo, sim senhor, mas a bola não chegou ao seu destino, retrocedida por Stopira. Depois, pelo tempo fora, talvez por inadaptação ao péssimo relvado, esteve sempre longe do melhor Gabri Veiga. Perdeu algum fulgor com o passar dos minutos, num meio-campo que passou a ter menos controlo de jogo na segunda parte.
5 William Gomes — A finta 1 é igual à finta 2 e igual à 3 e à 4, como se sabe. Recebeu um passe doce de Pepê em cima da meia-hora e, só com Adriel pela frente, rematou desastradamente por cima da barra. Foi tentando tirar um coelhinho da cartola, mas este nunca saiu do pé esquerdo do brasileiro.
6 André Silva — Regressou para ser homem-golo, mas começou por ser homem-associativo. Ainda está a readaptar-se ao futebol do FC Porto e a equipa, claramente, está a tentar perceber como são os movimentos do 19. Tabelou diversas vezes, de início, com alguns companheiros e permitiu, após desvio de cabeça, uma defesa fácil de Adriel. Por fim, ao minuto 22, teve a primeira oportunidade de marcar, após cruzamento rasteiro de William Gomes. Porém, falhou o remate e o golo perdeu-se. Mostrou sempre grande disponibilidade para defender e, já na segunda parte, aos 58’, esteve perto de marcar, num livre direto que ia direitinho para golo, não fosse Adriel evitar que a bola entrasse junto à barra. Saiu logo a seguir.
5 Pepê — Meteu a bola, bem redondinha, tirando Quintero da frente com classe e cruzando com precisão para Froholdt. Colocou também a bola na frente de William Gomes, mas o compatriota falhou o que parecia não ter falha.
5 Alan Varela — Um minuto depois de ter entrado, encheu o pé e, se não fosse a bola bater em Froholdt, teria sido um golaço. Deu mais capacidade de choque e presença no meio-campo para travar a resposta do Torreense no segundo tempo.
4 Deniz Gul — Entrou para o lugar de André Silva para trazer frescura ao ataque, mas teve pouca alimentação, dado que o FC Porto se remeteu a uma fase de menor circulação e mais estéril.
4 Borja Sainz — Entrou num período em que o FC Porto já tinha menos bola. Nulo envolvimento em ações de golo devido à perda de critério ofensivo dos dragões.
5 Inbeom — Ajudou a reter a bola e a congelar o ritmo do jogo. Teve um remate muito perigoso, de longe e de pé esquerdo, para defesa segura de Adriel. Perto do fim, fez uma entrada arriscada sobre Dany Jean, na área, que o árbitro decidiu ser sem falta.
- Martim Fernandes — Entrou para tapar o lado direito da defesa. Conseguiu-o sem exuberância.