Frances Tiafoe 'vira' o Arthur Ashe Stadium e iguala Andre Agassi

Numa intensa e longa batalha americana, com uma recuperação improvável em Flushing Meadows o tenista da Flórida, filho de refugiados da guerra civil da Sierra Leoa, roubo o domínio e estrelato que Alex Michelsen estava a ter no torneio, para conseguir a sua terceira semifinal no US Open

À procura da primeira vitória num Grand Slam, não era certamente mais um jogo de quatro horas e meia (4.39h), ser obrigado a dar a volta à desvantagem de 0-2, assim como a uma margem desfavorável de 0-3 no quinto parcial, que Frances Tiafoe (12.º do ranking) esperava ter de disputar até ao final da tarde de terça-feira, no Arthur Ashe Stadium, para passar, pela terceira vez (2022 e 2024) nas últimas quatro edições, às meias-finais do US Open.

Mas foi superando todas etas dificuldade que o teve de fazer para se tornar no primeiro norte-americano a realizar este feito no século XXI desde Andre Agassi (2002, 2003 e 2005).

Após ter visto o compatriota Alex Michelsen (46.º), de 21 anos, estar à beira da vitória mais importante da carreira, Tiafoe, de 28 anos, agarrou-se à última nesga de energia e resiliência existente no corpo num momento em queda livre para operar uma recuperação memorável, triunfando, completamente esgotado, por 5-7, 3-6, 7-5, 6-3 e 7-6 (10-6).

«Espero que ele fique nervoso», admitiu Frances sobre o seu pensamento quando perdia por 4-5 no terceiro parcial. «Ofereceu-me alguns presentes, com duas duplas faltas nesse jogo. Depois comecei a recuperar o ritmo, conquistei o terceiro set e fui jogando cada vez melhor. Mas ele é um jogador incrível. Hoje devia ter ganho facilmente, por isso deixo aqui um forte elogio ao Alex Michelsen», comentou ainda no court após ter puxado a parte da frente da T-shirt ante de ir cumprimentar, abraçar e reconfortar o adversário enquanto Alex chorava amparado no seu ombro.

Se para Michelsen, que esteve perto da quinta vitória consecutiva sem ceder qualquer set no torneio, tudo levará tempo a esquecer e com a esperança que não tenha reflexos no futuro, para Tiafoe terá sido uma das vitórias mais marcantes da carreira. Afinal, até reviravolta, nenhum adversário conseguira decifrar o serviço demolidor e o jogo agressivo de fundo do court com que a promessa norte-americana vinha a causar sensação.

Mas Francis Tiafoe também deu uma forte ajuda para que tudo corresse aida pior. No segundo parcial, o seu número de primeiros serviços bem-sucedidos ficou-se pelos 35 por cento, permitindo a Michelsen dominar as operações na resposta.

O duelo maratónico teve o seu momento de rutura quando Alex Michelsen serviu para fechar a partida a 5-4 no terceiro parcial. Face ao peso do momento de poder celebrar a primeira presença numa semi-final num Grand Slam, o jovem cedeu com duas duplas faltas, permitindo o break a Tiafoe, que não se ficou por aí. Salvou um set point a favor do adversário no jogo seguinte e acabou por arrecadar quatro jogos consecutivos para forçar o quarto parcial enquanto ia afinando o serviço.

Embora Michelsen tenha voltado a adiantar-se por 3-0 no quinto e decisivo set, Frances Tiafoe agarrou-se ao apoio ruidoso das bancadas como tanto gosta de fazer em casa e manteve a lucidez nos momentos críticos, garantindo o triunfo no super tie-break. O encontro registou uns impressionantes 40 pontos de break distribuídos por ambos, mas em que Michelsen até somou mais (173-170).

Nas meias-finais, Francis irá defrontar o vencedor do embate entre o campeão em título e número três mundial Carlos Alcaraz (3.º) e o seu compatriota Ben Shelton (9.º). Com este apuramento, garante ainda o regresso ao Top 10 do ranking mundial pela primeira vez desde setembro de 2023, subindo provisoriamente ao oitavo lugar do ranking live.

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