Revolução ou tradição: o debate sobre a redução dos 'sets' no Grand Slam
O novo CEO da Tennis Australia, Andrew Abdo, lançou um debate crucial no ténis mundial, questionando uma das tradições mais sagradas do Grand Slam – o formato de cinco sets no quadro masculino. Durante a conferência desportiva SportNXT, em Melbourne, Abdo sugeriu que a modalidade deveria explorar a possibilidade de jogos mais curtos e alterações no sistema de pontuação, a fim de responder aos hábitos em constante mudança dos fãs.
Abdo sublinhou que as suas palavras são um convite à discussão e à exploração de possibilidades, e não regras pré-definidas. Segundo ele, o ténis compete com uma série de outras indústrias pela atenção da geração mais jovem, que dispõe de um tempo cada vez mais limitado. O antigo líder da liga de râguebi (NRL) salientou que, embora o atleticismo dos tenistas seja excecional, o próprio produto deve evoluir em conjunto com a era.
A discussão intensifica inevitavelmente a tensão entre a tradição e a modernização. Os puristas do ténis consideram os confrontos de cinco sets o teste supremo de resistência física e mental, enquanto os defensores da mudança veem nos jogos excessivamente longos o risco de perder a audiência mais jovem. Abdo observou que, se o desporto não pensar de forma contemporânea sobre o seu produto, corre o risco de ficar para trás.
A proposta de discussão não surge do nada. O Open da Austrália tem sido tradicionalmente pioneiro em inovações – foi aqui que, em 2019, foi introduzido o tie-break de 10 pontos com o resultado de 6-6 no set decisivo, que em 2022 foi adotado por todos os quatro torneios do Grand Slam. Com a introdução de formatos atrativos como o One Point Slam e as experiências com o FAST4, Melbourne continua a ser o principal motor das mudanças no ténis.
Assim, Craig Tiley, diretor executivo da Federação Australiana de Ténis e do Open da Austrália, propõe igualmente mudanças radicais no formato dos torneios de Grand Slam, incluindo a abolição do tradicional sistema de 5 sets. «Talvez no futuro, nos Grand Slams, não joguemos mais no formato de melhor de cinco sets durante todo o torneio. Talvez o sistema de pontuação mude. Talvez existam diferentes formas de envolver e entreter o público sem perder a essência do que torna este desporto verdadeiramente especial», », afirmou Tiley, citado pelo Tiempo de Tenis.
O diretor do Australian Open sublinhou a necessidade de o ténis evoluir para se manter relevante e apelativo para as novas gerações de fãs. «Se queremos maximizar os resultados comerciais, estamos na indústria do entretenimento, certo? O desporto é entretenimento e, obviamente, há um componente atlético incrível a este nível, mas as regras, o formato e o produto têm de evoluir», explicou o novo diretor do Australian Open.
Por fim, alertou contra a estagnação, referindo que ouvir exclusivamente os puristas poderia levar à perda de relevância perante um público mais jovem. «Se ouvirmos os puristas, dirão: 'Não mudem nada'. Mas se olharmos para os desportos no mundo, se não pensarmos o produto de uma forma contemporânea, de uma forma que se conecte com os jovens, creio que ficaremos para trás», concluiu.
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