Foi contratado por Amorim e explica o que falhou com o português em Manchester
A fazer a época de estreia no Manchester United e na Premier League, Senne Lammens elogiou o impacto do treinador interino, Michael Carrick, que substituiu Ruben Amorim em janeiro e soma sete vitórias, dois empates (e apenas uma derrota). O guarda-redes belga destacou a clareza e a simplicidade das ideias do novo técnico, em contraste com a rigidez tática do treinador português.
«A primeira coisa, desde o primeiro dia, foi a sua capacidade [de Carrick] de tornar tudo bastante claro e de apresentar uma mensagem direta. Ele não tornou as coisas demasiado difíceis ou complicadas para nós», explicou. «Às vezes, os treinadores elaboram um plano demasiado complicado e alguns jogadores não aderem, tornando difícil que todos estejam em sintonia. Mas, desde o primeiro jogo, ficou claro o que ele queria. Ele não pedia as coisas mais difíceis, mas também permitiu que os nossos jogadores prosperassem nas suas qualidades», disse, em entrevista ao The Athletic.
Lammens sublinhou que a solidez defensiva tem sido a base do sucesso recente. «Não sofrer golos é uma das coisas mais importantes, e depois os nossos jogadores da frente podem fazer a diferença. É provavelmente isso que tem funcionado melhor», acrescentou.
O guarda-redes apontou ainda que, sob o comando de Carrick, a equipa raramente sofre golos no início dos jogos, o que tem sido fundamental para a confiança. A maior consistência na linha defensiva, com a passagem para uma defesa a quatro mais estável, também facilitou o seu trabalho. «O Michael deu-nos muita confiança e estabilidade a partir de trás», acrescentou, elogiando a presença de Harry Maguire à sua frente: «Ele também é uma besta, por isso é sempre bom tê-lo ali.»
No que toca ao estilo de jogo, Lammens admite que existem diferenças culturais significativas entre o futebol inglês e o belga, sendo o primeiro «muito mais rápido e físico». O guarda-redes descreve-se como «agressivo e proativo», um estilo que acredita poder beneficiar a equipa. «O treinador quer sempre que eu saia e jogue com uma linha subida quando temos a bola», explicou. «Gosto de me envolver e ser um defesa extra. Acho que isso me torna diferente. E espero mostrar isso à equipa principal um dia.»
Apesar de agora ser titular, o guarda-redes belga revela que nada lhe foi garantido quando assinou. «Nunca houve nada claramente definido sobre isso», afirma Lammens. «Nunca houve um prazo ou algo do género. Apenas disseram: 'Olha, se acreditares em ti, vais ter uma oportunidade. Se mostrares a tua qualidade nos treinos, o treinador vai colocar-te a jogar'. Eu também vi que, mais cedo ou mais tarde, o caminho para ter a minha oportunidade existia», admitiu.
Antes de se mudar para Manchester, Lammens revelou ter sido cobiçado por vários clubes europeus. «Na época passada, o Brighton, o Lyon, o Marselha e um clube neerlandês estavam todos interessados em mim, mas eu não quis ir para lado nenhum», confidenciou, esperando por um salto maior do Club Brugge.
Na ausência de Courtois, lesionado, Lammens foi o titular pela Bélgica no particular com os Estados Unidos, o próximo adversário de Portugal, e comentou a semelhança entre os equipamentos das duas seleções. «Vou ser honesto, o início do jogo foi bastante difícil por causa das camisolas iguais. Perguntei aos responsáveis dos equipamentos ao intervalo e eles disseram que não foi decisão deles. Ambos os países queriam jogar com os seus novos equipamentos. Não foi o ideal, penso eu, nem para as bancadas nem dentro de campo. Espero que no futuro seja um pouco mais diferente», contou.
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