Golo valeu o apuramento das águias para o play-off da Liga dos Campeões

«Festejei com o mister Mourinho!» Apanha-bolas do Benfica conta a história

A BOLA falou com Francisco Cunha, o miúdo que deu a volta ao mundo nos braços do treinador das águias no final épico com o Real Madrid

Francisco Cunha tem apenas 13 anos e era um desconhecido até à noite de quarta-feira. Apenas mais um jovem apanha-bolas do jogo entre Benfica e Real Madrid, da UEFA Champions League. Todavia, na loucura do golo de Trubin, foi agarrado e abraçado por José Mourinho, treinador das águias, na celebração épica, e deu uma volta mediática ao mundo.

«Só me lembro de Mourinho dizer: 'Vamos puto!», contou, ainda a sorrir, a A BOLA, Francisco Cunha, natural de Lisboa e estudante em Lisboa. «Bom aluno», a quem «a escola corre bem».

Francisco convive com o Benfica desde os sub-7 e agora, embora sendo sub-14, defronta equipas de sub-15. E tem um irmão gémeo, João Cunha, que também joga futebol, mas no Real SC, conhecido por muitos como Real Massamá. «Começámos a jogar aos quatro anos nas escolinhas do Benfica, no estádio, naqueles treinos de brincadeira, e uma vez chamaram-me para fazer um treino de captação no Seixal. Fiz o treino e fui para o Benfica, o meu irmão continuou nos treinos nas escolinhas do estádio. Fiquei no Benfica até agora, o meu irmão saiu para as escolinhas do Benfica de Oeiras, como guarda-redes, e depois esteve na equipa do Maristas e, por fim, foi para o Real», explicou.

Francisco é médio e garante que o irmão não foi para a baliza por falta de jeito. «Acho que ele gostou de ir à baliza e quis ser guarda-redes», disse, sempre a sorrir, antes de explicar o percurso de apanha-bolas: «A primeira vez que pude ser apanha-bolas foi há 2 anos, num jogo entre Benfica e SC Braga. Gosto muito, primeiro porque sou do Benfica e depois porque vejo os jogos no estádio. Às vezes não dá, mas gosto de ir ao estádio.»  

De volta ao jogo de quarta-feira e ao momento do abraço a Mourinho, recordou: «Eu estava ao lado do banco do Real Madrid e sabia que o Benfica precisava de um golo, era o estádio todo a gritar, era o último lance. Estava a ver aquilo e quando aconteceu comecei a correr, a correr e vi o mister mourinho e abraçámo-nos! Comecei a correr e era a pessoa que estava à minha frente! E abraçámo-nos! Estava mesmo muito feliz pelo golo do Benfica e por ter conseguido passar, só queria festejar!»  

A noite do jogo e o day after, na escola, foram momentos de glória para o miúdo de 13 anos. «No final do jogo tinha muitas mensagens de amigos a perguntar se era eu abraçado ao Mourinho... a minha família a mandar vídeos e fotos», conta, antes de recordar as poucas palavras que ouviu do treinador do Benfica: «Só me lembro de dizer-me, da segunda vez em que o abracei, 'vamos puto!'»  

A BOLA conversou com Francisco Cunha instantes depois do sorteio do play-off, que ditou novo duelo com o Real Madrid, caindo o Inter: «Eram dois adversários difíceis, mas para mim era melhor sair o Real Madrid.»

Benfica qualificado, vitória sobre o Real Madrid, golo de Trubin, abraço a Mourinho. Perguntámos ao Francisco qual foi o aspeto mais saboroso. «Nunca tinha visto um guarda-redes marcar um golo, mas ainda por cima foi ao Real Madrid e comigo no estádio... Depois festejei com o mister Mourinho, algo que nunca me tinha passado pela cabeça. Foi tudo bom!»

E, a rematar a conversa, revelou o que o irmão João, guarda-redes do Real, pensou do golo de Trubin: «Começou a dizer que os guarda-redes também eram bons naquelas situações e que há guarda-redes com mais golos que do jogadores de campo.»