Ferrari obteve a terceira e a quarta posições no Grande Prémio da Austrália

Ferrari contra mudança repentina das regras

Depois de reações mistas aos novos regulamentos, o chefe de equipa da Ferrari, Frédéric Vasseur, defende abordagem prudente e pede tempo para posterior ponderação

O chefe de equipa da Ferrari, Frédéric Vasseur, diz que nova alteração repentina dos novos regulamentos da Fórmula 1 «seria um erro». O francês defende que é preciso confiar nas simulações e evitar decisões precipitadas que possam comprometer o espírito das novas regras.

Recorde-se que a F1 introduziu novos regulamentos de chassis e motor para esta época, com as unidades de potência a serem aproximadamente 50% elétricas. Esta mudança tornou a gestão de energia um fator preponderante, o que ficou evidente no Grande Prémio da Austrália, onde os pilotos tiveram de gerir o consumo antes das zonas de travagem, uma questão agravada pelo exigente traçado de Albert Park.

Apesar de a corrida ter registado um número impressionante de 120 ultrapassagens, em comparação com as 45 do ano anterior, o papel da gestão de energia na ação em pista levantou questões. A isto somou-se a remoção do componente MGU-H, que dificultou a resposta do turbo e resultou num momento de perigo no arranque em Melbourne.

Após a corrida australiana, Vasseur comentou a situação: «No geral, é verdade que tivemos imensos comentários negativos e previsões antes da época. Fomos pressionados para alterar o regulamento antes da primeira corrida». O francês sublinhou, no entanto, que a primeira prova foi uma «boa surpresa».

«Honestamente, penso que faz sentido esperar por dois ou três Grandes Prémios. Não é por este ter sido muito bom que todos o serão», afirmou, referindo-se à intensa batalha pela liderança entre George Russell e Charles Leclerc. «Os primeiros 10 minutos da corrida, não tenho a certeza de ter visto algo assim nos últimos 10 anos. Foi um ótimo começo para o desporto e para o espetáculo. Se tivermos de reagir, fá-lo-emos após algumas corridas, mas seria um erro fazê-lo demasiado depressa».

Numa entrevista à revista da Ferrari, Vasseur reforçou a posição: «Temos uma boa colaboração com a FIA e a FOM relativamente aos regulamentos de 2026, e precisamos de evitar tomar quaisquer reações precipitadas».

Frédéric Vasseur defende que é preciso confiar no trabalho desenvolvido pela FIA para os regulamentos técnicos de 2026, sublinhando que, por agora, o foco deve ser extrair o máximo potencial dos monolugares atuais antes de se pensar em alterações futuras.

«Precisamos de confiar nas simulações, precisamos de confiar no trabalho feito pela FIA antes de mudar qualquer coisa», afirmou Vasseur. «Com certeza, se tivermos de fazer alguns ajustes, fá-lo-emos, mas primeiro vamos focar-nos no carro atual e tentar extrair o máximo do que temos.»

Recorde-se que os regulamentos técnicos para 2026 preveem uma mudança significativa nos carros, que serão consideravelmente mais pequenos, mais leves e com menos carga aerodinâmica do que os atuais monolugares de efeito solo.

Haverá também uma reformulação completa das unidades de potência, com a remoção do MGU-H e um aumento substancial da potência elétrica. A FIA já deixou claro que irá monitorizar atentamente o desenvolvimento das regras e que está preparada para fazer alterações, se necessário.

Vasseur destacou ainda o papel da aerodinâmica móvel na nova geração de carros. «A FIA está a trabalhar na regulamentação dos dispositivos aerodinâmicos móveis, que serão muito mais importantes com a nova geração de carros», explicou. «Isto implicará uma mudança substancial em comparação com o que temos hoje em termos de estilo de condução, afinação do carro e também ultrapassagens, por isso é provavelmente demasiado cedo para tirar conclusões.»

Já no que toca especificamente aos motores, o responsável mostrou-se confiante no caminho traçado.

«No que diz respeito à unidade de potência, temos uma imagem muito clara da arquitetura geral e da macrodinâmica dos componentes», disse. «O que falta é a afinação dos detalhes, mas este é um desafio entusiasmante para nós, e temos uma visão muito clara do que temos de fazer.»