Feirense anuncia investigação interna após suspensão da equipa de ciclismo
A direção do Clube Desportivo Feirense anunciou que irá iniciar «de imediato uma investigação interna» à equipa de ciclismo Feirense-Beeceler, suspensa por 22 dias na sequência de três casos de anomalias no passaporte biológico de corredores num período de 12 meses, e garante que suspenderá a modalidade caso se comprove «qualquer violação deliberada das regras».
Num comunicado, o clube de Santa Maria da Feira demarca-se de forma veemente de qualquer prática ilícita. «O Clube Desportivo Feirense repudia de forma absoluta e inequívoca qualquer prática de dopagem. O doping é incompatível com os valores que defendemos e não encontra tolerância, justificação ou conivência na nossa instituição», pode ler-se na nota.
A sanção foi anunciada pela Agência Internacional de Testes (ITA) e resulta de três processos individuais relativos a anomalias detetadas nos passaportes biológicos de ex-ciclistas da equipa entre 2022 e 2023. Os atletas em causa são Venceslau Fernandes, António Carvalho e o norte-americano Barry Miller.
O clube esclarece que a investigação interna visa «apurar responsabilidades» e sublinha a confiança na estrutura profissional da equipa. No entanto, a direção é perentória: «A integridade do clube está acima de qualquer resultado desportivo». Caso se confirmem responsabilidades individuais, o Feirense «reserva-se ao direito de agir judicialmente para defesa da sua reputação e dos seus valores».
De acordo com a ITA, os casos que levaram à suspensão envolvem Venceslau Fernandes, notificado pela ADoP em novembro de 2024 por anomalias que remontam a julho de 2022, e António Carvalho, notificado pela UCI em novembro de 2025 por irregularidades detetadas em fevereiro de 2023. O terceiro caso é o de Barry Miller, notificado em setembro de 2025, cujo processo ainda decorre.
Recorde-se que Venceslau Fernandes cumpre uma suspensão de seis anos, até novembro de 2030, enquanto António Carvalho, duas vezes terceiro classificado na Volta a Portugal, está suspenso por quatro anos, até novembro de 2029. O clube feirense salienta que «dois dos ciclistas envolvidos nestes processos já não fazem parte da equipa há vários anos» - supostamente referindo-se a Venceslau Fernandes e a Barry Miller, que representaram o Feirense até 2022 e 2023, respetivamente - e que nunca teve «qualquer conhecimento ou notificação prévia de anomalias» relativas aos mesmos.
No comunicado, o Feirense reforça o seu compromisso com os valores da história centenária do clube. «O Feirense orgulha-se de 108 anos de história, marcados por ética, responsabilidade e respeito pelo desporto em todas as modalidades e pelos mais de 1380 atletas que diariamente nos representam. Estes princípios são inegociáveis e continuam a orientar cada decisão que tomamos», conclui a direção.