A Seleção Nacional já se encontra nos Estados Unidos, trazendo consigo o peso — e também a esperança — de muitos milhões de portugueses: os do Continente e das Ilhas, os da Diáspora, e ainda toda a vastidão da lusofonia, de Timor a Cabo Verde (força, Tubarões Azuis!).

A responsabilidade que recai sobre a comitiva lusa é, por isso, imensa; e exige-se que, ao contrário do que sucedeu noutras ocasiões, todos saibam estar à altura da hora e das circunstâncias.

No Mundial da África do Sul, tive ocasião de viajar da Cidade do Cabo para Durban, onde Portugal defrontou o Brasil na fase de grupos, num avião povoado de portugueses e lusodescendentes vindos das mais diversas paragens: Austrália, Estados Unidos — de uma e outra costa —, Luxemburgo, França, Alemanha, Inglaterra. Eram todos diferentes, e contudo todos iguais na vontade de apoiar a Seleção Nacional e, sobretudo, de afirmar com orgulho a portugalidade que os unia. Conversei então com lusodescendentes, envergando com solenidade a camisola das quinas, que não falavam uma palavra de português, mas tinham decidido ir até à África do Sul para assumir, com orgulho sereno, a herança das suas origens.

Foi também nesse Mundial que assisti a um episódio lamentável protagonizado pela comitiva nacional. Numa chegada à Cidade do Cabo, reuniram-se, desde as quatro da tarde, algumas centenas de adeptos — na sua maioria emigrantes — desejosos de manifestar o seu apoio a Portugal. A Seleção só chegou às dez da noite e, indiferentes àqueles que os esperavam havia tantas horas, os jogadores recolheram ao hotel em passo apressado, sem um aceno, sem uma palavra de simpatia para com os adeptos, que ficaram, com inteira razão, indignados.

Seis anos mais tarde, em Marcoussis, nos arredores de Paris, esse comportamento viria a ser corrigido. O ‘cerco’ carinhoso dos portugueses ao centro de estágio da seleção francesa de râguebi, onde estagiavam os futuros campeões da Europa, foi então retribuído com ‘visitas’ diárias de pelo menos um jogador.

Em Palm Beach, onde se encontra a equipa de Roberto Martínez, paredes-meias com Mar-a-Lago, a residência de férias de Donald Trump, a segurança é, segundo rezam as crónicas, desmedida e quase absurda, pelo que dificilmente os adeptos conseguirão aproximar-se da Seleção. Razão acrescida para que os jogadores se esmerem, sempre que possível, no contacto direto com quem os apoia. Porque ser grande não é apenas jogar bem ou vencer partidas; é também saber estar.

*Eusébio da Silva Ferreira jogou no México (CF Monterrey), nos Estados Unidos (Boston Minuteman, Las Vegas Quicksilvers e New Jersey Americans) e no Canadá (Toronto Metros-Croatia). O Mundial de 2026 disputar-se-á por terras onde o ‘King’ espalhou o fulgor derradeiro da sua magia… 

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