Campeões de facto e de futuro
Domingo em cheio, ontem, para o Desporto português com a conquista de três medalhas nos Mundiais de pista curta, na Polónia. Agate Sousa e Gerson Baldé com ouro e Isaac Nader com a prata fizeram desta a melhor campanha de Portugal na história da competição. Um regozijo coletivo que não é válido apenas pelo momento, mas também pelas perspetivas de futuro que estes triunfos trazem numa modalidade (no seu mais amplo espectro, incluindo as disciplinas técnicas) com tanto peso, história e tradição num país que, contrariamente a um certo discurso pequenino e miserabilista do passado, não é nem pequeno em termos europeus (em tamanho e na demografia) nem fadado ao insucesso. Desde que haja organização, planeamento e conhecimento, tudo é possível, desde que também as instâncias públicas e políticas entendam que investir no Desporto é investir numa sociedade melhor.
Isto num dia em que se jogou, na Liga, um dos clássicos do futebol português da era contemporânea. Um estatuto que se deve ao crescimento do SC Braga, mas que de ano para ano fica sempre distante do tal sonho do título. Na Pedreira assistiu-se a um daqueles encontros que vale o preço do bilhete e que pede meças às melhores partidas disputadas por esse continente fora. Diria mesmo que do ponto de vista da intensidade e do espetáculo foi melhor que a final da Taça da Liga da Inglaterra entre Arsenal e Manchester City.
Culpa de duas propostas de jogo diferentes, vencendo mais uma vez a de Farioli, treinador que tem uma impressão digital nesta equipa e neste campeonato quase tão grande como a Torre dos Clérigos. É um Porto de honra, capaz de uma reviravolta em casa de um adversário que acabara de vir de uma virada na Liga Europa com o Ferencváros; é um Porto de alma, que não perde a orientação mesmo quando está por baixo; é um Porto de uma rotação acima dos demais e será por causa dessa alta voltagem que pode começar a encomendar as faixas de campeão. Porque o grande e derradeiro teste na Liga realizou-se ontem e os azuis e brancos passaram com distinção.
João Pinheiro transformou um momento de fair play de Luis Suárez, quando este assumiu não ter sofrido penálti, numa punição (amarelo) que revelou uma profunda falta de noção do juiz, talvez incomodado por ter percebido o erro enorme que cometera. Esta falta de sensibilidade não é um detalhe.