Villas-Boas e Francesco Farioli em absoluta sintonia no mercado - Foto: IMAGO
Villas-Boas e Francesco Farioli em absoluta sintonia no mercado - Foto: IMAGO

FC Porto: saiba o que a SAD não está obrigada a fazer no mercado de verão

Situação financeira desafogada permite olhar para a 'silly season' noutra perspetiva. Não é obrigatório realizar um encaixe elevado nesta janela de transferências. FC Porto vai contratar, mas de forma cirúrgica

O facto de a SAD do FC Porto ter apresentado, no primeiro semestre do exercício 2025/2026, um resultado líquido positivo de 1,9 milhões de euros — um valor que representa um crescimento face ao período homólogo (€0,6 M) — faz com que os responsáveis dos azuis e brancos não tenham a obrigatoriedade de realizar uma grande venda até ao dia 30 de junho, data de fecho do exercício financeiro para os emblemas da UEFA.

A pressão que existiu nos últimos defesos no clube portista não existe neste momento e as contas estão estabilizadas, ainda que qualquer injeção de dinheiro seja sempre necessária para dar uma almofada financeira maior para honrar os compromissos com os seus fornecedores. A SAD liderada por André Villas-Boas já engendrou um plano de ataque ao mercado de transferências, mas que nunca chegará, nem perto, aos mais de 100 milhões de euros investidos no verão de 2025. No que concerne à alienação relevante de alguns dos elementos mais cotados do plantel de Francesco Farioli, isso vai depender, naturalmente, do que ditar o mercado, mas o presidente do FC Porto não pretende facilitar a vida aos "tubarões" europeus e aponta sempre para os valores que constam nos contratos dos futebolistas cobiçados.

Com Diogo Costa e Froholdt à cabeça, há também clubes endinheirados com interesse em Kiwior, Gabri Veiga, William Gomes e Rodrigo Mora, mas a estrutura do futebol profissional não quer perder nenhum dos principais ativos, até porque quer manter o núcleo duro da equipa que se sagrou campeã e reforçá-la de uma forma cirúrgica, de modo a atacar em força o bicampeonato e fazer figura na fase de liga da UEFA Champions League.

As contas da segunda metade da época estão mais sobrecarregadas face à subida da massa salarial com os quatro reforços de inverno: os €8 M pelos quais foi acordada a compra de Pietuszewski em janeiro, a aquisição a título definitivo, por €17 M, de Kiwior, e a contratação recente de João Afonso, por €1,5 M. Em compensação, os dragões fizeram dinheiro extra com as vendas de Danny Namaso (€5 M) e Ángel Alarcón (€2 M), o cumprimento de objetivos de ex-jogadores, como Evanilson (€2 M), além de quase €8 M da performance desportiva na Liga Europa, depois dos €15,6 M do primeiro semestre.

O título de campeão português permitirá um encaixe financeiro que pode chegar aos 50 milhões de euros pela entrada direta na Champions e, desse modo, haverá margem para reforçar o plantel de Francesco Farioli, que já deu indicações precisas das lacunas que identificou junto dos dirigentes portistas. Aliás, depois de André Silva, que deve ser oficializado nos próximos dias, os reforços portistas devem chegar a tempo do início da época no Olival, no dia 3 de julho. Embora não haja uma necessidade imperiosa para vender ativos, a verdade é que a SAD espera realizar encaixes financeiros consideráveis, face à valorização dos jogadores durante a época finda. Diogo Costa tem sido associado ao bicampeão europeu PSG, mas até ao momento aos gabinetes do Dragão não chegou qualquer proposta, nem sequer sondagem.

O capitão é visto como peça fundamental para o projeto desportivo, tal como Froholdt, mas há outros jogadores cujas propostas a SAD pondera analisar caso eventualmente surjam, como os casos de Francisco Moura, Alan Varela, Borja Sainz, Pepê e Deniz Gül. Rodrigo Mora é apetecível, mas tudo dependerá do valor que apresentem para levar o jovem formado no Olival e a sua vontade de deixar o clube do coração. André Villas-Boas, Tiago Madureira e Henrique Monteiro, em consonância com Francesco Farioli, estão a trabalhar no máximo secretismo possível...

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