Farioli, treinador do FC Porto - Foto: Catarina Morais/Kapta+
Farioli, treinador do FC Porto - Foto: Catarina Morais/Kapta+

Vitória 50 no FC Porto, Prpic, Mec e Inbeom: tudo o que disse Farioli

Análise do treinador do FC Porto ao duelo com o Académico de Viseu para a Taça da Liga

Francesco Farioli, treinador do FC Porto, analisou o duelo com o Académico de Viseu, a contar para os quartos de final da Taça da Liga.

— Que análise faz à vitória do FC Porto?

— Tivemos vários jogadores a estrear-se a titulares. Com tantas alterações e uma nova estrutura tática, foi algo que o grupo assimilou bastante bem nestes dois dias. Naturalmente, a vitória e o consequente apuramento para a final four eram o nosso grande objetivo. Há um troféu em disputa e, quando assim é, o FC Porto tem de lá estar.

— Porque utilizou três defesas-centrais de forma tão vincada, o que o levou a mudar o sistema e se já dispõe de informação sobre a lesão de Chris Smalling?

— Quanto ao Smalling, ainda não temos novidades; amanhã teremos todas as informações necessárias. Relativamente à mudança tática: no último jogo em Barcelos, frente ao Gil Vicente, a lesão do Óskar levou-me a refletir. Estávamos um pouco curtos nas alas — com o William a recuperar, o Pepê a acumular muitos minutos e partidas de grande exigência, e o Borja numa situação idêntica —, pelo que procurei protegê-los ao máximo. Ao mesmo tempo, este desenho permitiu colocar os jogadores nas suas posições ideais: o Mec a jogar mais por dentro, o Prpic como central descaído para a ala — papel que assenta na perfeição nas suas características — e o mesmo em relação ao Nehuén. Foi uma decisão lógica assim que soubemos da disponibilidade do Prpic. É uma estrutura que já utilizei no passado, designadamente na Turquia, onde jogámos assim durante seis ou sete meses. Estava bastante confiante de que a equipa conseguiria assimilar a nova ideia em poucos dias. Na verdade, estiveram muito bem e o jogo foi agradável, embora, como é evidente, a margem de progressão continue a ser grande.

Galeria de imagens 32 Fotos

— Significa algo para si — até porque costuma colocar de parte os registos estatísticos que vai somando no FC Porto — a 50.ª vitória como treinador dos dragões, nem que seja para reforçar o contínuo crescimento como técnico do clube?

— Antes da conferência, o presidente ofereceu-me uma pequena lembrança, mas, na realidade, mais do que as minhas 50 vitórias, são 50 vitórias deste grupo. É um plantel pelo qual já demonstrei várias vezes o carinho e o respeito que tenho, não apenas enquanto futebolistas, mas sobretudo pelo valor humano de cada um. É uma marca bonita, porque ganhar ajuda sempre a consolidar processos e aproxima-nos da conquista de troféus. No entanto, é um objetivo cumprido que fica para trás: olhamos já em frente, conscientes de que temos uma semana crucial pela frente, a começar pelo jogo deste fim de semana, em casa, frente ao Estoril.

— Na antevisão ao encontro, abordou o Gabriel Mec, referindo que no Brasil jogava muitas vezes por dentro, tendo alinhado ao lado de Santiago Gimenez no ataque. Há uma forte possibilidade de, no futuro, o vermos a atuar nas costas do ponta de lança ou em zonas mais interiores do terreno?

— O Mec é um jogador versátil, capaz de desempenhar várias funções. Até ao momento, tem trabalhado connosco maioritariamente como extremo — tanto na esquerda como, por vezes, na direita —, ou seja, aberto na linha, ainda que tenha a tendência natural de fletir para o corredor central, podendo igualmente jogar por dentro como fez hoje. Quando atua pelo meio, as exigências posicionais diferem daquelas a que está habituado: precisa de encontrar a altura certa para receber entre linhas e calibrar as combinações e a ligação com os companheiros. Teve pormenores muito interessantes, dois ou três bons dribles e um remate perigoso que quase deu golo, travado por uma grande intervenção do guarda-redes. Deixou uma imagem positiva, com excelente atitude e espírito de grupo. Fico muito satisfeito pela sua estreia oficial e pelo rendimento apresentado.

— Queria perguntar-lhe sobre Inbeom. Ao contrário do que acontece frequentemente quando é lançado no decorrer das partidas, foi mais solicitado à frente dos centrais, com Alan Varela por vezes mais adiantado. Qual a importância do Inbeom enquanto médio com um perfil distinto das restantes opções e se podemos vê-lo a atuar como número 6 mais vezes?

— Conheço o Inbeom profundamente há vários anos. Tentei contratá-lo no meu percurso na Turquia e cheguei a defrontá-lo quando estive nos Países Baixos. Está agora connosco e considero que tem capacidade para preencher com facilidade qualquer uma das três funções do meio-campo no nosso habitual 4-3-3: pode ser 6, 8, 10 ou jogar num duplo pivô, como se viu hoje. É tecnicamente evoluído com ambos os pés, mas a sua leitura e compreensão do jogo são extraordinárias. Trata-se de um jogador inteligente, que identifica os espaços, sabe associar-se, define bem em espaços curtos e tem a capacidade de quebrar linhas com o passe para encontrar as costas da defesa contrária. A tudo isto soma uma excelente mobilidade e poder de choque para cobrir muito terreno. Faz lembrar o Pablo no que respeita ao corredor central, cobrindo múltiplas funções. Reduzi-lo a uma só posição seria limitar o seu talento.

— Numa análise individual, pergunto-lhe sobre Prpic, que nos últimos meses esteve mais afastado das suas opções e vinha de uma expulsão na última partida pela equipa principal. Hoje realizou uma exibição segura e fez um corte determinante no último lance, muito festejado por ele e pelos colegas. Que indicadores retira deste jogo e que perspetivas tem para ele no futuro?

— É verdade que o Dominik não teve muitos minutos em jogos oficiais nos últimos meses, mas sempre vinculei a minha confiança nas suas qualidades. O setor defensivo é aquele onde habitualmente menos rodamos, o que torna a concorrência mais apertada. Contudo, é um profissional irrepreensível, que tem sido fundamental no dia a dia para manter os níveis de intensidade e competitividade dos treinos no máximo. Na preparação deste jogo, senti claramente que ele merecia esta oportunidade. Acredito que quem trabalha com esta dedicação acaba sempre por ter recompensa. Ele respondeu muito bem: demonstrou a qualidade habitual na construção, segurança sem bola, forte impacto nos duelos e assinou uma intervenção decisiva para carimbar o apuramento para a Final Four.

— O FC Porto apresentou uma nova disposição que deu grande liberdade posicional ao meio-campo, em particular a Fofana, que abriu frequentemente na largura, obrigando o médio que compunha a linha de cinco do Académico a saltar na pressão. Quão importantes foram estas dinâmicas para desarticular a estrutura adversária e de que forma os habituais titulares poderão encaixar neste modelo?

— O Seko é um jogador de grande mobilidade, já habituado a este desenho desde a sua passagem pelo Lens, ainda que aí atuasse preferencialmente no duplo meio-campo. Há ilações muito positivas a retirar desta partida. Faltou-nos apenas maior eficácia para traduzir as longas fases de posse em oportunidades claras de golo, mas foi muito positivo ver a fluidez associativa da equipa: o volume de combinações entre o Varela e o Inbeom, a dinâmica imprimida pelo Seko e os apoios frontais do Mec. Há vários jogadores fora deste onze que encaixam de forma natural nesta estrutura, como o Pepê, o Gabri ou o Vítor. Foi uma solução que emergiu para dar resposta às ausências por lesão do Óscar e do William, passando a ser mais um recurso tático disponível para quando for necessário.

Próximo artigo

A iniciar sessão com Google...