FC Porto: o que é que Farioli pode ter em comum com Conceição e AVB (entre outros...)?
Se o FC Porto está a uma vitória de carimbar a conquista do 31.º título de campeão nacional da sua história, colocando, em simultâneo, ponto final num jejum de três anos no campeonato, Francesco Farioli encontra-se também muito perto de inaugurar o museu particular. À sexta época como treinador principal, o italiano tem, nesta altura, mão e meia no primeiro troféu oficial da carreira.Confirmando-se o triunfo azul e branco na Liga, seja este sábado, frente ao Alverca, ou depois, o técnico de 37 anos tornar-se-á no 19.º a sagrar-se campeão português no banco do FC Porto. Desse lote, 12 conseguiram alcançar o objetivo primordial na primeira época ao leme, uma façanha que também está à mercê de Farioli.
Uma espécie de clube de elite, que conta com membros... ilustres. O fundador foi o brasileiro Dorival Yustrich, que, na longínqua temporada 1955/56, colocou ponto final numa autêntica travessia do deserto azul e branca — não celebravam o título nacional desde 1940. Seguiu-se, ainda nessa década, o carismático Bela Guttmann, que deu lugar a um hiato de 26 anos nessa galeria de 12 ilustres.
O terceiro foi Artur Jorge, em 1984/85, duas épocas antes de alcançar a glória europeia frente ao Bayern, na Taça dos Campeões. Foi o primeiro campeonato da presidência de Jorge Nuno Pinto da Costa, funcionando como pontapé de saída para uma era dourada da história do FC Porto.
Aí, o grupo restrito começou a aumentar: Tomislav Ivic, Carlos Alberto Silva, António Oliveira, Fernando Santos, Co Adriaanse, Jesualdo Ferreira, André Villas-Boas — agora presidente —, Vítor Pereira e Sérgio Conceição, este último em 2017/18, a primeira de sete campanhas na liderança da equipa portista.
Contas feitas, há domínio português nesta elite — sete treinadores lusos —, mas Farioli prepara-se para ajudar a equilibrar a balança, tornando-se no sexto estrangeiro (e primeiro italiano) e sucedendo a Co Adriaanse, que, há 20 anos, celebrou o 21.º título dos dragões antes de um processo de saída conturbado, na pré-temporada de 2006/07. Para o seu lugar entrou Jesualdo Ferreira e o resto, como se diz na gíria, é história.
Treinadores | Época |
Dorival Yustrich | 1955/56 |
Bela Guttmann | 1958/59 |
Artur Jorge | 1984/85 |
Tomislav Ivic | 1987/88 |
Carlos Alberto Silva | 1991/92 |
António Oliveira | 1996/97 |
Fernando Santos | 1998/99 |
Co Adriaanse | 2005/06 |
Jesualdo Ferreira | 2006/07 |
André Villas-Boas | 2010/11 |
Vítor Pereira | 2011/12 |
Sérgio Conceição | 2017/18 |
Nota, ainda, para os exemplos de Bobby Robson e José Mourinho. Ambos entraram a meio da época — 1993/94 no caso do inglês, 2001/02 no do atual treinador do Benfica — e não conseguiram chegar ao título. Contudo, no primeiro ano completo ao leme do FC Porto, conseguiram alcançar a glória, que, em 2002/03, até se estendeu à Europa, com a vitória na Taça UEFA. Um paralelismo entre mestre e aprendiz que não deixa de ser interessante...
Francesco Farioli tem, assim, a porta escancarada para se sentar à mesa com nomes de vulto da história azul e branca, estando ele próprio muito próximo de ver o seu nome gravado no livro de conquistas do clube. Com o extra de se tornar no timoneiro do primeiro título da liderança de André Villas-Boas no FC Porto e de poder vingar o debacle da temporada transata no Ajax. Mas se, nos Países Baixos, o troféu fugiu-lhe das mãos em cima da linha de meta, desta feita parece não haver margem para tamanha hecatombe.