Sudakov, médio do Benfica - Foto: Imago
Sudakov, médio do Benfica - Foto: Imago

Bons exemplos para Sudakov: o «perfil» que Marco Silva já potenciou

Novo comandante do Benfica recordou rendimento de jogadores que treinou com características semelhantes ao internacional ucraniano. Um dos melhores sinais fala português

Heorhii Sudakov terminou a temporada de estreia no Benfica sem espaço nas opções de José Mourinho, mas o cenário pode mudar de figura com Marco Silva ao leme. O novo treinador dos encarnados reiterou a confiança no criativo ucraniano, na conferência de imprensa de apresentação, na sexta-feira: «Contamos com ele.»

Marco Silva destacou o «investimento muito grande» efetuado pelas águias que desembolsaram 27 milhões de euros para contratar o criativo ao Shakhtar Donetsk. O técnico luso realçou que o internacional ucraniano «teve um ano difícil a nível pessoal» e utilizou o passado para antecipar um percurso mais feliz no futuro.

«Olhando para as características das minhas equipas, Sudakov tem o perfil de um jogador que normalmente rende», afirmou Marco Silva. O técnico de 48 anos valoriza (e potencia) médios capazes de criar, lançar e finalizar jogadas no último terço.

Marco Silva opta tradicionalmente pela utilização de três médios no corredor central: um com características mais ofensivas em zonas mais avançadas que se possa juntar ao ponta de lança na pressão sem bola, e dois mais baixos, mas com qualidade técnica com a bola nos pés.

Andreas Pereira foi, ao longo de três temporadas, o médio que, habitualmente, ocupava terrenos mais avançados no modelo de Marco Silva. O centrocampista brasileiro formado no Manchester United rumou ao Fulham no verão de 2022, após duas temporadas no Flamengo.

Andreas Pereira a celebrar com Marco Silva, após marcar ao West Ham, em 2022 (Imago)

Um erro colossal na final da Libertadores que os cariocas perderam contra o Palmeiras, em 2021, asssombrou o médio no Brasil, mas Craven Cottage e Marco Silva ofereceram-lhe uma página em branco.

Andreas Pereira retrubiu a confiança com as melhores épocas a nível individual da carreira até então: cinco golos e seis assistências em 38 jogos disputados, em 2022/23, três remates certeiros e oito assistências em 44 partidas na época seguinte. Nunca o internacional canarinho tinha contribuído tanto no último terço.

Andreas Pereira assinou dois golos e cinco assistências em 37 jogos na última temporada (2024/25) no Fulham. Os números decaíram antes de sair para o Palmeiras, de Abel Ferreira, mas o canarinho sempre teve um papel de destaque, quer a criar, quer a finalizar no último terço.

Andreas Pereira regressou ainda à seleção brasileira em março de 2024, após seis anos de interregno enquanto estava no Fulham. Um mês antes, o médio destacou a influência de Marco Silva, em entrevista ao Globoesporte: «Ele acreditou em mim, abriu-me as portas de regresso a Inglaterra e permitiu-me mostrar a todo o mundo que posso jogar ao mais alto nível e fazer a diferença. Conversámos de forma clara desde o início e ele disse que acreditava no meu estilo de jogo e nas minhas qualidades.»

Os bons exemplos para Sudakov, ainda assim, não se esgotam em Andreas Pereira. Emile Smith Rowe assumiu, a par de Joshua King e de Alex Iwobi, a vaga deixada por Andreas Pereira. O extremo de origem contratado ao Arsenal em 2024, somou as duas épocas de maior utilização da carreira no Fulham.

Smith Rowe a celebrar um golo do Fulham
Smith Rowe a celebrar o golo do Fulham

Smith Rowe assinou seis golos e três assistências em 2241 minutos somados em 2024/25 e cinco remates certeiros em 2359 minutos na última temporada. O internacional inglês concorreu também com Joshua King, formado no clube, que se afirmou na equipa principal em 2025/26 (dois golos e duas assistências em 38 jogos).

Exemplos do passado

´Não só no Fulham Marco Silva rentabilizou criativos com elevada qualidade de passe curto e longo, recorte técnico e bons recursos para finalizar. Evandro (13 golos e oito assistências no Estoril) e Kostas Fortounis (21 remates certeiros e duas assistências no Olympiakos) rubricaram as melhores temporadas da carreira em 2013/14 e 2015/16, respetivamente.

Já Gylfi Sigurdsson assinou a melhor marca da carreira na Premier League (14 golos e 7 assistências) quando Marco Silva comandou o Everton, em 2018/19.

Bons sinais para Sudakov? As melhores marcas da carreira foram fixadas em 2024/25 quando assinou 15 golos e 7 assistências pelo Shakhtar Donetsk.

A iniciar sessão com Google...