FC Porto: fórmula defensiva do clássico pode ter novo exame no castelo
Thiago Silva saiu do clássico com o Benfica com o estatuto reforçado e com o corpo a pedir cuidados redobrados. O jogo foi de exigência máxima para o central brasileiro e os quatro dias que separam o duelo da Taça de Portugal da sempre complicada deslocação a Guimarães obrigam a uma gestão física rigorosa, tanto mais tratando-se de um jogador de 41 anos.
Habituado a calendários apertados no Brasil, onde a sucessão de jogos é regra e não exceção, o internacional canarinho não deverá vacilar perante mais um teste de fogo, mas Francesco Farioli não deixará de avaliar com lupa o estado do seu patrão defensivo antes de voltar a lançá-lo às feras no Estádio D. Afonso Henriques.
Tudo indica, porém, que o italiano não mexerá na fórmula que esteve na base do triunfo por 1-0 sobre o Benfica e da consequente passagem às meias-finais da Taça de Portugal. Kiwior deverá manter-se na asa esquerda da defesa, enquanto o eixo continuará entregue à dupla Thiago Silva/Bednarek, que mostrou nervos de aço no clássico. O central polaco, de resto, tem sido uma referência silenciosa no campeonato: é o segundo jogador da Liga com mais recuperações de bola, 95, apenas superado pelo leão Gonçalo Inácio, que soma 105. Uma estatística que ajuda a explicar a solidez recente do FC Porto e a confiança de Farioli no bloco defensivo.
O peso de Thiago Silva no Dragão não se mede apenas pelo nome ou pela experiência acumulada, mas também pela história que já começou a escrever de azul e branco. Frente ao Benfica, o central tornou-se no jogador mais velho de sempre a representar o FC Porto, batendo o recorde de Pepe. O antigo capitão havia fixado a fasquia nos 41 anos, 1 mês e 26 dias; o brasileiro foi ainda mais longe, ao apresentar-se em campo com 41 anos, 3 meses e 23 dias, e fê-lo com uma autoridade que não margem para reparos.
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— FC Porto (@FCPorto) January 15, 2026
Os números da estreia pelos dragões falam por si e enquadram-se, de forma natural, no elogio coletivo à exibição portista. Thiago Silva venceu todos os duelos em que se envolveu (100%, 3 em 3), dominou pelo ar (100% nos duelos aéreos, 2 em 2), acertou 93% dos passes tentados (40 em 43) e ainda somou uma interceção, duas recuperações de bola e seis alívios. Teve 53 toques na bola, o máximo de qualquer jogador do FC Porto no clássico, e registou apenas três perdas de posse, o número mais baixo entre todos os titulares. Estatística que, em vez de ser apresentada à parte, ajuda a contar a história de um líder que se impôs com classe num palco de alta temperatura competitiva.
A exigência do jogo com o Vitória pede não um, mas dois patrões na defesa. O adversário está moralizado pela recente conquista da Taça da Liga, troféu selado no fim de uma caminhada triunfal que teve um momento marcante precisamente no Estádio do Dragão, com a vitória por 3-1 sobre o FC Porto, resultado que confirmou o apuramento dos minhotos para a Final Four da prova.
O contexto é, por isso, de alerta máximo, mas os dragões chegam a Guimarães embalados por um incrível momento de forma: fora de casa, venceram todos os nove jogos que disputaram na Liga, e, juntando a época passada, não perdem no campeonato há 20 encontros, com 19 triunfos e apenas um empate nesse ciclo.