Rodrigo Tiuí bisou na final contra o FC Porto - Foto: ASF/RUI RAIMUNDO
Rodrigo Tiuí bisou na final contra o FC Porto - Foto: ASF/RUI RAIMUNDO

Deu a Taça ao Sporting em 2008, mas revela: «Não era para ser eu a entrar»

Rodrigo Tiuí recordou momento que o imortalizou na memória dos adeptos leoninos

Num dia em que Sporting e FC Porto se reencontram para a Taça de Portugal, Rodrigo Tiuí, o avançado brasileiro que decidiu a final de 2008 com dois golos no prolongamento, recorda a noite que o imortalizou na história leonina.

Apesar de uma passagem discreta por Alvalade, com poucos golos marcados durante um ano e meio, o nome de Rodrigo Tiuí ficou gravado na memória dos adeptos do Sporting. O motivo? Um bis decisivo na final da prova rainha, que garantiu o troféu para os leões.

Tudo aconteceu de forma inesperada. Tiuí, que chegara no mercado de inverno da época 2007/08 e nunca se assumiu opção regular para o técnico Paulo Bento. Na final da Taça, começou no banco e só foi chamado a jogo aos 90 minutos, para o lugar de Abel Ferreira, numa altura em que o FC Porto já jogava com dez elementos, após a expulsão de João Paulo.

Contudo, o plano inicial não o incluía. «Não estava previsto eu entrar, iria ser o Vukcevic, mas ele não estava afim por já serem os descontos. Eu aproveitei e dei o melhor de mim», revelou o antigo avançado, hoje com 40 anos, à Rádio Renascença.

E que bem que aproveitou. Já no prolongamento, aos 111 minutos, Tiuí inaugurou o marcador. Após um passe de Leandro Romagnoli, rematou de ângulo apertado, com a bola a desviar em Pedro Emanuel e a trair o guarda-redes Nuno Espírito Santo. Seis minutos depois, aos 117, sentenciou a partida com um golo memorável: um pontapé de bicicleta, correspondendo a um cruzamento de Yannick Djaló.

«Fica para a história. Muitos jogadores não querem jogar dez ou 15 minutos. Se tivesse oportunidade de jogar um minuto, tentaria fazer o golo de qualquer forma. Fui abençoado e consegui ainda fazer dois, jogando só o prolongamento. E quase fiz o terceiro», recorda o brasileiro.

Apesar do heroísmo, a sua carreira em Alvalade não teve a continuidade desejada. Na época seguinte, a chegada de Hélder Postiga relegou-o para terceira opção no ataque, atrás de Liedson e do internacional português. Após apenas sete jogos, sem marcar, regressou ao Brasil.

Hoje, Tiuí trabalha na formação no seu país, mas não esquece o clube de Alvalade. «Quando posso, acompanho o Sporting. O campeonato não passa no Brasil, mas quando há clássicos sempre vão passando e acompanho. Torço bastante pelo Sporting, aprendi a gostar muito deles. Espero que consigam levar a Taça de Portugal

O antigo jogador confessa ter perdido o contacto com os colegas de equipa da altura, mas o carinho dos adeptos permanece. «Continuam a ser carinhosos comigo, deixei amigos em Portugal. Fiz história com os dois golos, isso conta muito para os adeptos», concluiu, deixando um conselho aos atuais jogadores leoninos: «Que se dediquem ao máximo, cinco ou dez minutos podem mudar uma partida e um jogador pode ficar para a história.»