Delegação ucraniana já apresentou uniformes alternativos, mas não desfilará na cerimónia de abertura
Delegação ucraniana já apresentou uniformes alternativos, mas não desfilará na cerimónia de abertura

Ucrânia proibida de usar vestuário com mapa nos Jogos de Inverno

Os atletas ucranianos não poderão usar vestuário com o mapa do país nos Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina d'Ampezzo 2026 devido ao Comité Paralímpico Internacional os ter considerado uma mensagem política. Entretanto, a Ucrânia apresentou um equipamento alternativo, que já foi aprovado

O vestuário destinado à cerimónia de abertura da comitiva da Urânia que vai participar nos Jogos Paralímpicos de Inverno Milão-Cortina d'Ampezzo 2026 exibia o país dentro das fronteiras de 1991, o que inclui a Crimeia e territórios atualmente ocupados pela Rússia. Imagem que não agradou ao Comité Paralímpico Internacional, que não perdeu tempo a proibi-los. Problema que já acontecera nos Jogos Paralímpicos Paris 2024 e no passo mês para os Jogos de Inverno Milão-Cortina 2026

A notícia foi avançada por Valerii Sushkevych, presidente do Comité Paralímpico da Ucrânia e depois confirmada pelo IPC. «De acordo com as regras do IPC para os uniformes paralímpicos, são proibidos textos de hinos nacionais, palavras motivacionais, mensagens públicas/políticas ou slogans que remetam para a identidade nacional», justificou um porta-voz do IPC esta terça-feira. O mapa do país, segundo o comité, enquadra-se nesta categoria.

Uniformes da Ucrânia proibidos

A decisão foi classificada como «vergonhosa» pelo atleta ucraniano de skeleton Vladislav Heraskevič, que já havia chamado a atenção no mês passado durante os Jogos de Inverno de 2026. O Comité Olímpico Internacional (COI) desqualificou-o da competição depois de este ter desobedecido a uma ordem. Heraskevič competiu apesar de lhe ter sido proibido usar um capacete com a imagem de mais de 20 atletas que morreram na agressão russa em território ucraniano. Heraskevych contestou, argumentando que a sua homenagem não infringia as regras e que outros atletas estrangeiros que prestaram tributos semelhantes não foram sancionados.

«Além da guerra com a Rússia, os ucranianos têm de lutar constantemente pelos seus direitos em eventos desportivos internacionais», escreveu então Heraskevic no seu perfil do Instagram.

«Este é o preço da nossa dignidade», escreveu Heraskevych na rede social X após o anúncio da sua desqualificação. O atleta foi posteriormente condecorado com a Ordem da Liberdade pelo Presidente Volodymyr Zelensky. O seu recurso para o Tribunal Arbitral do Desporto (TAD) foi indeferido, mas a sua equipa jurídica prepara-se para contestar a decisão noutras instâncias judiciais.

Outros atletas ucranianos também foram alvo de intervenções. A esquiadora de estilo livre Kateryna Kotsar foi obrigada a remover o slogan «Sejam Corajosos como os Ucranianos» do seu capacete, e o patinador de velocidade em pista curta Oleh Handei teve de alterar o seu equipamento, que exibia um verso de um poema da escritora ucraniana Lina Kostenko.

Numa entrevista à Ukrinform publicada segunda-feira, Valerii Sushkevych citou a resposta do CPI: «O Comité Paralímpico Internacional disse: 'Não, não, não – isto não pode ser!' Alegaram que o equipamento era político». Sushkevych descreveu o uniforme como belo e simbólico, acrescentando que este «gritava muito claramente que a Ucrânia existe no mundo e na Europa com todos os seus territórios, sem a ocupação russa». O equipamento foi desenhado pelo estilista ucraniano Viktor Anisimov, também foi o responsável pelos uniformes da equipa para os Jogos Paralímpicos de Paris 2024 e que já haviam dado que falar.

Casaco que já havia sido apresentado para os Jogos Paralímpicos Paris 2024

«Um mapa de um país enquadra-se nesta categoria, razão pela qual um item do uniforme da Ucrânia para os Jogos de Milão-Cortina 2026 não foi aprovado há vários meses», explicou Craig Spence, diretor de marca e comunicação do CPI. O responsável acrescentou que um equipamento alternativo foi fornecido no prazo de 24 horas e devidamente aprovado pelo comité.

T-shirt apresentada para os Jogos Paralímpicos Paris 2024

Os Jogos Paralímpicos de Inverno decorrerão em Milão, entre 5 e 16 de março, com a Ucrânia a ser representada por 35 atletas em quatro modalidades. Em contraste, o CPI confirmou a 17 de fevereiro que seis atletas da Rússia e quatro da Bielorrússia competirão sob as respectivas bandeiras nacionais, marcando o regresso da bandeira russa aos Jogos Paralímpicos pela primeira vez desde Sochi 2014. Decisão diferente da adotada nos Jogos Olímpicos e que já levou pelo menos oito países, além da Ucrânia, anunciarem que irão boicotar a cerimónia de abertura.