Farioli no banco do FC Porto no jogocom o V. Guimarães - Foto Rogério Ferreira/Kapta+
Farioli no banco do FC Porto no jogocom o V. Guimarães - Foto Rogério Ferreira/Kapta+

Farioli: «Não há aqui super-heróis, representamos gente operária»

Treinador do FC Porto em declarações após a vitória sobre o V. Guimarães

- O FC Porto sofreu muito para conseguir vencer o V. Guimarães. Como analisa o jogo?

- O jogo foi muito complicado contra uma grande equipa, o Vitória que jogou muito bem. Tivemos de saber sofrer, ter paciência, criámos muitas oportunidades, penáltis, remates aos postes. Além disso o Diogo Costa também fez defesas muito boas, mas temos de estar muito contentes porque somámos 30 pontos em 10 jogos fora. Temos de agradecer novamente ao que estes jogadores estão a fazer e estar orgulhosos porque aqui não há super-heróis, somos uma equipa de gente trabalhadora. Orgulhamo-nos de representar a gente operária. Foi essa energia que nos ajudou a vencer contra uma grande equipa.

- Sente que faltou agressividade na 1.ª parte e que foi essa a principal mudança na 2.ª parte?

- Esse foi um dos pontos de que falámos ao intervalo. Na 1.ª parte sofremos um pouco e esteve mais relacionado com a capacidade de ganhar duelos e segundas bolas no nosso meio-campo. Porque com bola estivemos muito bem, mas sofremos um pouco defensivamente e na forma como nos pressionámos. A energia que o Vitória colocou nos primeiros minutos foi impressionante. É uma equipa muito bem organizada e forte fisicamente. Sofremos, mas pelo menos lutámos e mantivemos o 0-0 e na 2.ª parte melhorámos e foi isso que nos deu o triunfo.

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- Esta é uma daquelas vitórias que valem mais do que três pontos pela forma como foi conseguida?

- Sim, vale muito. Acho que foi a nossa 14.ª clean sheet. E hoje tenho de voltar a dizer que o Diogo Costa nos ajudou muito a manter a baliza a zeros. E toda a gente defendeu a nossa baliza com muita energia. E tenho de dar uma palavra para o Alan Varela, que saltou do banco e pediu a bola para marcar o penálti, com uma grande personalidade. E fico muito contente por ele, porque merece realmente.

- William Gomes pediu para marcar o penálti, como tomou a decisão?

- Pela hierarquia, seria o William a marcar o penálti. Mas o Alan Varela veio ao banco e mostrou a confiança e o sentimento de que precisávamos. É um jogador muito importante para nós, nunca recua nos momentos importantes. E hoje fez isso, num momento difícil, e foi um belo gesto dele porque havia muita pressão para colocar nos ombros de um miúdo de 19 anos. Ele assumiu a responsabilidade e o William mostrou-se tranquilo com a decisão. Todos colocaram a equipa em primeiro lugar.

- O Samu não costuma falhar penáltis e foi-se abaixo animicamente, também sentiu isso?

- Falhar faz parte do futebol e tem de ficar no passado. Fiquei um pouco doido com ele nos dois minutos depois do penálti, porque foi um momento difícil para ele, que é um rapaz grande, mas tem 21 ou 22 anos. É normal sentir a responsabilidade em cima dele depois de falhar. Sentiu o calor do erro, mas depois teve uma boa reação e até defendeu melhor na 2.ª parte. No final do jogo veio ter comigo e pediu desculpa, eu disse-lhe que não tinha nada que pedir desculpa.