Farense-Belenenses «vai ser quentinho, vai ser quentinho...»
Farense ou Belenenses, um deles vai ficar com a última vaga da Liga 2 para 2026/27, através do play-off que irá opor o 16.º classificado do segundo escalão e o 3.º da Liga 3, com a primeira-mão a realizar-se neste sábado (20h30) no São Luís, em Faro. Um confronto entre dois emblemas que «dizem muito» a Rui Duarte. «O Belenenses foi o da minha formação e também fui lá profissional durante alguns anos. No total foram quinze anos. E o Farense em que acabei como jogador e depois me deu-me a oportunidade de me iniciar como treinador, como adjunto e depois principal», reconhece o treinador.
«São dois históricos que estão em ciclos diferentes. O Belenenses a tentar sair de uma situação complicadíssima depois do que aconteceu com a B SAD e aos poucos tem dado os seus passos consolidados para voltar aos campeonatos profissionais. Na época passada esteve próximo, no play-off com o Paços de Ferreira. Este ano andou também muito próximo do acesso direto, mas acabou por lhe sobrar o play-off. E o Farense num ciclo também melhor, porque tem estado nos últimos anos nos campeonatos profissionais, depois de também ter estado numa fase difícil. O que é certo é que vem de uma descida da Liga e enfrenta-se com uma situação inesperada, e não planearam a época para andar isso, mas para andar mais acima. Está em dois jogos que pode decidir muita coisa, como o passo em frente, seja de reestruturação do clube, ou de objetivos. Este confronto pode ser um passo marcante para ambos os clubes», apontou Rui Duarte.
O treinador não indica um favorito neste confronto, apesar de reconhecer que há uma diferença entre a Liga 2 e a Liga 3. «Os clubes que estão a jogar no campeonato inferior, normalmente vêm em ciclos positivos, com vitórias. Mas isso tem acontecido muito no play-off entre a Liga e a Liga 2, neste, entre estes escalões, acho que há uma ligeira diferença. Mas, acredito, que o Belenenses tenha aprendido alguma coisa com a experiência no ano passado e que o possa fazer crescer. Obviamente que os jogadores e a equipa são diferentes, mas também há gente dentro da estrutura que viveu o play-off do ano passado e que tenha essa experiência para estarem agora muito mais preparados», disse, recordando os duelos dos azuis do Restelo com o Paços de Ferreira, em 2024/25.
«Para o Farense é um mal menor, digamos assim, de uma época negativa, porque não podemos dizer que foi positiva. Ainda este último jogo, claramente que se sentiu - e não estou a dizer nada que escandalize alguém - o Portimonense foi mais forte, e acaba por ser um mal menor o Farense ir disputar estes dois jogos, como uma última oportunidade para salvar a época. Tal como o Belenenses, porque, acredito, também tenha apontado como objetivo nesta época, a subida direta», afirmou, sobre os algarvios.
O peso histórico dos dois clubes é enorme e Rui Duarte espera dois encontros emocionantes: «Vai ser quentinho, vai ser quentinho. São dois estádios míticos, com duas massas associativas muito fortes. O Farense tem adeptos muito próprios e calorosos, que gostam muito do clube e da cidade. Para mim foi um orgulho ter representado o Farense, seja como jogador, ou como treinador. E esse fator casa neste primeiro jogo, pode ter algum impacto. Acredito que vai ser muito tático, onde o Farense, de certeza absoluta, vai querer entrar muito forte e o Belenenses a querer levar a decisão para o segundo jogo. No Restelo também vai estar um ambiente muito quente, com uma massa associativa que nunca largou o clube, que é um histórico de Portugal e com uma grandeza incrível. As pessoas não têm noção do que é que é o Belenenses. E acredito que os seus simpatizantes e sócios, assim como as suas famílias e gente bastante antiga, vai se juntar para fazer desse jogo uma verdadeira final. São duas finais épicas para estas duas equipas históricas e vai ser engraçado de seguir de fora.»