Marrocos venceu a CAN na secretaria - Foto: IMAGO

Ex-Sporting defende decisão da CAN e sai ao ataque: «É o rei da estupidez»

Mustapha Hadji afirmou que «foi feita justiça» e deixou críticas a Claude Le Roy, antigo selecionador do Senegal, que sugeriu a existência de manipulação

A lenda do futebol marroquino e ex-jogador do Sporting, Mustapha Hadji, reagiu à surpreendente decisão da Confederação Africana de Futebol (CAF) de atribuir a vitória na final da CAN a Marrocos na secretaria, afirmando que «foi feita justiça».

Numa reviravolta inesperada, a CAF declarou Marrocos campeão da última Taça das Nações Africanas, uma decisão que abalou o futebol africano. Em declarações à RMC, o antigo internacional marroquino (63 jogos e 13 golos), defendeu a posição.

«Foi feita justiça. Penso que no futebol há leis e, a partir do momento em que existem, têm de ser respeitadas», afirmou Hadji, acrescentando: «Penso que Marrocos não fez mais do que respeitar as leis do futebol. Se os jogadores senegaleses estivessem em perigo, se arriscassem a vida ou estivessem ameaçados, eu compreenderia que abandonassem o campo, mas aqui... Se tivermos de discutir as decisões de arbitragem a toda a hora, dissecar tudo e agir desta forma, é complicado.»

Mustapha Hadji pelo Sporting em agosto de 2017  - Foto: ASF
Mustapha Hadji pelo Sporting em agosto de 1997 - Foto: ASF

Apesar de concordar com a decisão, o antigo médio criticou duramente a CAF pelo tempo que demorou a resolver o caso, considerando que a demora retira sabor à conquista.

«Divulgar uma decisão destas dois meses depois é, claro, surpreendente. Hoje, nós, marroquinos, estamos felizes por sermos campeões de África, mas não tem o mesmo sabor e temos a impressão de que nos deram um presente», lamentou. Hadji apontou o dedo à liderança da confederação: «Só podemos culpar os dirigentes da CAF. A dada altura, é preciso colocar pessoas competentes, capazes de tomar uma decisão no minuto. Porque isto lança o problema sobre todo o futebol africano e é lamentável, pois é uma bela competição, mas digo-o de coração, é gerida por incompetentes».

Na sua intervenção, Hadji visou também Claude Le Roy, antigo selecionador do Senegal, que sugeriu a existência de manipulação.

«A final foi estragada e ficará nos anais como um desperdício, mas nós ganhámo-la, o que é primordial para o futebol marroquino. Mas eu culpo sobretudo certas pessoas, como Claude Le Roy. Para mim, hoje ele é o rei da estupidez», declarou Hadji, continuando: «Falar de manipulação, penso que ele vai longe demais. Tenho respeito por ele e pela sua carreira, mas aqui ele é o rei da asneira. A dada altura, é preciso apresentar provas da manipulação.»