Mink Peeters passou no Ajax, PSV e Real Madrid
Mink Peeters passou no Ajax, PSV e Real Madrid - Foto: IMAGO

Ex-Real Madrid retira-se aos 27 anos: «Após sete cirurgias, disse ‘não quero mais’»

Mink Peeters partilhou o balneário com De Ligt, Frenkie de Jong e Justin Kluivert no Ajax e recordou um momento «hilariante» com Cristiano Ronaldo, que começou a dizer palavrões em neerlandês

Mink Peeters, o futebolista neerlandês que em tempos foi apelidado de Guti e contratado pelo Real Madrid aos 16 anos, anunciou o fim da sua carreira aos... 27 anos. Um calvário de lesões e sete cirurgias ditaram o adeus precoce de um talento que chegou a partilhar o balneário com De Ligt, Frenkie de Jong e Justin Kluivert no Ajax.

A decisão de pendurar as botas surgiu após uma nova lesão grave, desta vez na anca, que exigiria uma oitava intervenção cirúrgica. «Tive outra lesão muito dura em Nova Iorque e precisaria de outra operação... Pensar noutra reabilitação, pensar no que custou, especialmente a nível mental, lutar para voltar uma e outra vez... Disse: 'simplesmente, não quero fazê-lo mais'», confessou Peeters em entrevista ao jornal AS.

O jogador, natural de Nimega, descreveu a decisão como um «alívio», sentindo que se libertou de «um peso de cima». O desgaste mental, mais do que o físico, foi o fator decisivo. «Estava a custar-me muito, também a parte mental. Tinha muitas dúvidas sobre mim mesmo», admitiu, explicando que a pressão para provar o seu valor se sobrepôs à alegria de jogar.

«Cheguei a jogar apenas para demonstrar a toda a gente que continuava a ser o mesmo jogador que era quando tinha 16 anos, que continuava a ser aquele que todos diziam ser tão bom», atirou.

Peeters chegou a Valdebebas com o estatuto de jovem promessa, tendo sido treinado por Guti, com quem era comparado pelo estilo de jogo, e por Zidane. No entanto, uma sucessão de lesões graves — clavícula, pulso, apêndice, antebraço e três nos tornozelos — impediu a sua afirmação. O percurso foi marcado por empréstimos e longos períodos de recuperação.

Apesar do percurso acidentado, o neerlandês não se arrepende da sua escolha. «Voltaria a escolher o sonho de jogar no Madrid», afirmou. Agora, o seu futuro passa por ajudar outros atletas que enfrentam dificuldades semelhantes. «Quero ajudar jogadores que passam pelo que eu passei», revelou, anunciando que está a trabalhar num projeto para apoiar futebolistas a nível mental, seja no topo da carreira ou em escalões amadores.

Peeters sublinhou a importância do apoio psicológico durante a recuperação de lesões, um período em que o trabalho mental é tão ou mais exigente que o físico. «Trabalhas durante cinco meses para voltar, com sorte, ao mesmo nível ou até melhor. Mas quando voltas, é difícil voltar a ser esse jogador», concluiu.

Peeters também teve um encontro memorável com Cristiano Ronaldo na piscina de Valdebebas. Com 18 ou 19 anos, o jovem jogador tentou manter a distância, mas foi o próprio astro português, na companhia de Pepe, quem iniciou a conversa.

«Sim, isso foi hilariante [risos]. O Cristiano era o centro de tudo, obviamente. Eu estava na piscina em Valdebebas e não ia falar com ele... Não é o meu estilo. Certifiquei-me de lhe deixar bastante espaço... Tinha uns 18 ou 19 anos. E vi-o ali com o Pepe. Mas eu tinha de ir para lá, onde ele estava. Pensei: 'Não lhe digo nada, deixo-o fazer o que quer'. Mas ele começou a falar comigo. Em inglês, porque o meu espanhol não era mau, mas o meu sotaque era notório. E quando lhe disse que era dos Países Baixos, ele disse-me: 'Conheço algumas palavras em neerlandês'. E começou a dizer palavrões! É inesquecível [risos]», completou.

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