Roberto Carlos e Júlio César foram oradores no Portugal Football Summit - Foto: André Carvalho
Roberto Carlos e Júlio César foram oradores no Portugal Football Summit - Foto: André Carvalho
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Ex-Benfica e internacional brasileiro: «Fui enganado e ainda devo ao banco»

Júlio César, que venceu a Champions com o Inter Milão, de José Mourinho, faz alerta aos jogadores

Júlio César e Roberto Carlos brilharam a grande nível nos relvados. Juntos somam mais de 200 internacionalizações pelo Brasil, quatro Ligas dos Campeões, cinco campeonatos italianos e quatro espanhóis.

Ainda assim, e apesar de todo o reconhecimento internacional que alcançaram, nenhum deles se livrou de terminar a carreira… quase a zeros.

E é isso que ambos querem evitar que aconteça aos jogadores da atualidade. Tal como partilharam no palco do Portugal Football Summit, nesta quinta-feira, num painel dedicado à construção de «uma marca e um legado no futebol».

Roberto Carlos, considerado por muitos como um dos melhores laterais esquerdos da história do jogo, e que se sagrou campeão do mundo em 2002, revelou que sabia que iria manter-se ligado ao futebol depois de deixar de jogar, mas que se via como treinador ou diretor desportivo. A vida, porém, trocou-lhe as voltas.

Roberto Carlos no Portugal Football Summit - Foto: André Carvalho

«Pensava ser treinador, começar numa equipa pequena com o sonho de chegar à Seleção do Brasil. Sempre me preparei muito porque jogava com pessoas muito inteligentes, que me ensinaram a pensar no futuro. E quando acabei a carreira já tinha a licença de diretor desportivo», começou por relatar. 

«Tive problemas com pessoas que me deixaram a conta a zero. Por conta de empresários e de família, perdi 99% do que tinha ganhado com o futebol. Equivoquei-me e por isso peço que não façam o mesmo», acrescentou, sublinhando a importância de ter um acompanhamento de confiança, ele que é sócio de uma empresa que faz esse serviço.

Júlio César, antigo internacional brasileiro e ex-jogador do Benfica - Foto: André Carvalho

Também Júlio César quer evitar que outros futebolistas  passem pelo que ele passou. Essa é uma das principais razões para ter-se tornado empresário depois de terminar a carreira de futebolista.

«Também tive um problema com um empresário que me enganou em 2012. Ainda hoje devo ao banco por causa disso. Uma pessoa confia, assina coisas sem ler, porque há confiança e depois as coisas acontecem», declarou, o guarda-redes que foi três vezes campeão pelo Benfica já na fase final da carreira.

«O futebolista ganha dinheiro até uma dada altura. Tem de ter pessoas ao lado que ensinem a investir para poupar para depois do futebol. E  nós os dois aqui somos privilegiados. Só 1 % pode viver com o dinheiro ganho durante a carreira de futebol. Quero ajudar os jogadores com isso», assumiu.

O guardião que conquistou a Liga dos Campeões com Inter Milão, treinado por José Mourinho, assumiu ainda que mais difícil do que lidar com os atletas é com quem os rodeia e que vê neles uma forma de ganharem a vida.

«Muitas vezes, é difícil convencer os jogadores pelas pessoas que têm em redor. Família, empresários. Quando tentamos educar, muitos mudam de empresário porque o empresário é chato. O jogador muitas vezes fica cego, só quer jogar e ter os seus hobbies. Por isso, queremos partilhar também as coisas negativas da nossa carreira para tentar blindar o jogador de futebol, que é um alvo muito frágil», finalizou.

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