Golaço de João Guilherme garantiu o triunfo do Académico de Viseu frente ao Gil Vicente — Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA
Golaço de João Guilherme garantiu o triunfo do Académico de Viseu frente ao Gil Vicente — Foto: Manuel Fernando Araújo/LUSA

Ewerton vendeu bem Kahra(man) a... vitória (crónica)

Guarda-redes defendeu... tudo. Médio ofereceu glória a João Guilherme. Injustiça total para os galos

Se algum adepto do Gil Vicente tivesse dito, no final da partida, que esta tinha sido uma das derrotas mais injustas dos últimos (largos) anos, ninguém poderia ousar contestar a tese. Mesmo que fosse simpatizante do Académico de Viseu. Porque uma coisa é a alegria de uma vitória, outra é saber analisar um jogo de futebol. E quem quiser ser justo no comentário, sem qualquer camisola vestida, dirá, sem ponta de chauvinismo, que o resultado não traduz, de todo, o que se passou no relvado do Cidade de Barcelos.

Também se aceita a ideia de que o futebol é eficácia, é certo. E se a discussão for por aí, nada a dizer. Ou melhor, dir-se-á: o Académico marcou, o Gil Vicente não, os três pontos seguem para Viseu. É factual, nada a objetar.

Mas abramos, então, a análise. Falemos de estratégias e de individualidades. No entanto, e para o fazermos de forma cronológica, temos de fazer o mais simples: olhar ao relógio e verificar o minuto 4. Porque foi nesse preciso momento que ficou escrita a história do jogo. Kahraman fez um passe sensacional, entrelinhas, descobrindo João Guilherme, nas imediações da área e ligeiramente fletido para a direita, com o extremo brasileiro a não pedir licença e a atirar uma bomba ao ângulo superior direito da baliza à guarda de Lucão. Golaço!

Era o primeiro golo sofrido pelo Gil Vicente na presente edição do campeonato — os galos eram a única equipa que ainda não tinham consentido qualquer tento aos adversários — e, logicamente, colocava em causa a invencibilidade do conjunto barcelense.

A partir daí, entrou em ação um verdadeiro... carro de assalto. Os visitados foram para cima do adversário, carregaram, carregaram, carregaram, mas na grande maioria das vezes depararam-se com um nome que deve ter dado insónias aos jogadores dos minhotos: Ewerton. O guarda-redes brasileiro defendeu tudo o que havia para defender. E quando não conseguiu, havia o poste. Ou o VAR, que anulou um golo a Héctor Hernández (80'). Terá mesmo o ponta espanhol cometido falta? Benefício da dúvida.

Quantas oportunidades? Muitas. Tantas. Weverson (9'), Héctor Hernández (20', 49' e 64'), Joelson Fernandes (28'), Diogo Prioste (34' e 36'), Gil Martins (45+1'), Mohamed Kaba (48' e 59'), Murilo (54' e 71'), Tidjany Touré (72') dispuseram de grandes ocasiões, nenhum foi feliz.

Pelo meio, André Clóvis ficou perto de um golo olímpico, com um remate ainda dentro do meio-campo defensivo, perto da barra (60').

Voltamos à eficácia? Parabéns aos academistas. Alargamos a análise? Bela exibição dos gilistas.

O melhor em campo: Ewerton (Académico de Viseu)

Por entre outras intervenções que realizou ao longo da partida, destacam-se seis defesas de elevado grau de dificuldade e que colocaram, sem ponta de discussão, o guarda-redes brasileiro na pole position para vencer esta distinção. Sendo que o mais importante, na ótica do camisola 98, foi mesmo o facto de a sua exibição ter contribuído (e de que maneira) para a conquista de três preciosos pontos.

A figura: Murilo (Gil Vicente)

Iniciou a época como suplente, devido a um problema físico, mas chamado pela primeira vez à titularidade correspondeu ao seu nível. Desconcertante pelo flanco direito — menção honrosa a Joelson Fernandes, que fez o mesmo à esquerda —, o brasileiro ganhou a grande maioria dos duelos individuais que protagonizou e nunca se coibiu de procurar o golo, especialmente de longe. Não era noite.

As notas dos jogadores do Gil Vicente:

As notas dos jogadores do Académico de Viseu:

Luís Pinto (treinador do Gil Vicente)

Golo anulado? Não quero comentar. Entrámos bem no jogo. Sofremos um golo, daqueles que temos de bater palmas, e demorámos a reagir. Mas depois fomos a melhor equipa e podíamos ter empatado até ao intervalo. Na segunda parte criámos o suficiente para ganharmos. Satisfeito com a equipa, não com o resultado, claro.

Bruno Pinheiro (treinador do Académico de Viseu)

Não queríamos jogar tão atrás, mas fomos empurrados pelo adversário, que esteve muito bem. Como não tínhamos a bola, isso retirou confiança à equipa. Mas agarrámo-nos aos três pontos. Defender o resultado não é o que mais desejamos, mas esta vitória estava a fazer falta e a confiança ganha-se com vitórias.

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