EuroCup: «A Luz é a nossa casa, temos de ser capazes de competir»
Conseguirá o Benfica mostrar capacidade para discutir o jogo e até a vitória com o Sopron Basket no embate da 3.ª jornada do Grupo I da EuroCup feminina? Essas são as principais expectativas para o confronto desta quinta-feira (18h30), na Luz, que coloca frente a frente os únicos invictos da poule e que poderá permitir dar um passo importante na qualificação para o play-off, para o qual passam os dois primeiros e os quatro melhores terceiros dos 12 grupos.
«[O Sopron] é o tubarão do grupo. Foi campeão há bem pouco tempo da Euroliga [2022], que é a divisão acima daquela em que estamos a competir neste momento, jogou este ano a fase de apuramento da prova e perdeu para uma equipa [Vilnius Kibirkstis] num jogo muito renhido — contra uma formação que está muito bem na Euroliga, com duas vitórias em dois jogos —, e no nosso grupo ainda não foi derrotado. É a nossa casa e nós temos de, acima de tudo, ser capazes de competir», começou por referir Ricardo Vasconcelos, que esta temporada assumiu o comando técnico das águias, antes de explicar o que significa conseguir competir.
«Se mantivermos o jogo equilibrado até ao fim, elas vão ficar nervosas porque não estão preparadas para isso. É fundamental erguer uma boa defesa, pois trata-se de um conjunto que tem marcado muitos pontos — na Liga húngara já passou duas vezes os 100 —, pelo que a partida passa pela base defensiva. Se conseguirmos, no plano defensivo, pô-las a jogar em desconforto na Luz, fora do que estão habituadas a fazer, garantindo que o marcador não dispara, isso pode-lhes criar os nervos necessários para podermos surpreender este tipo de equipas», vai referindo.
«Ainda assim, o nosso apuramento não depende deste jogo, o que também nos vai tirar ou tem de, de alguma maneira, retirar um pouco da pressão, porque é realmente um adversário que vai bater-se pelo título desta competição», completou o técnico, que na prova já alcançou triunfos frente a Saarlouis Royals (69-65) e Student Nis (75-82).
E quais são as dificuldades defensivas que o Benfica pode encontrar? «Temos dois handicaps. O primeiro é que elas, no perímetro, são mais altas em todas as posições em relação às nossas jogadoras. Portanto, as pequenas são todas mais altas do que as nossas pequenas. A segunda situação é a mobilidade de algumas das postes. Este ano temos postes mais altas, mas não conseguimos ter tudo», diz.
«Pelo menos a Masa [Jankovic] vai-nos criar muitos problemas. Trata-se de uma internacional sérvia, que joga na posição 4, coloca a bola no chão com muita facilidade e pode lançar de três pontos. Canhota, ainda por cima. Há poucas jogadoras interiores canhotas a criar tantos desequilíbrios. Ou seja, trata-se de uma atleta que, normalmente, nos cria dificuldades para parar, e por isso sabemos que esses dois handicaps têm de ser colmatados. Teremos de criar uma estratégia para que, de alguma forma, isso não nos saia muito caro ao longo do jogo», explica.
Para além de travar o ataque húngaro, o Benfica também terá de fazer funcionar o marcador. Como ultrapassar uma equipa mais alta e criar dificuldades na área restritiva? «Não necessariamente, porque elas são mais altas apenas nas jogadoras exteriores», esclarece de imediato Vasconcelos. «Nas interiores — eu treinei a poste Nneka [Ezeigbo] em Espanha —, é uma jogadora muito potente, muito forte, mas não é enorme. Elas não têm jogadoras superaltas. São uma equipa com uma estrutura média muito alta. O seu cinco base é todo muito idêntico. Aliás, por dentro até podemos criar algumas fissuras na defesa interior do Sopron.»
«A outra arma é lançar de três pontos com eficácia. Temos de ter uma equipa efetiva nos triplos, porque, se vamos tentar criar por dentro e ter a necessidade de colocar a bola no pintado para provocar ajudas defensivas em excesso, isso tem de nos dar garantias de que o tiro exterior terá um dia de acerto. Vamos precisar desse equilíbrio, entre jogo interior e jogo exterior. Não se vence este adversário só a jogar para fora. Assim não vamos conseguir», explicou o líder das tricampeãs nacionais.
Ricardo Vasconcelos revelou igualmente que o Sopron também gosta de atuar em transição: «Sim, jogam bastante rápido, dominam as tabelas, é uma equipa que sai vertical, contam com várias jogadoras que podem fazer esse transporte de bola, não possuem uma base pura, têm muitos elementos da posição 2, altos, e aí é um adversário que claramente temos de travar cedo, longe do nosso cesto, para lhes tirar a velocidade de execução».
«É aquilo que dizia: optaram por não ter postes muito grandes, não têm mais de 1,90m, mas têm bastante mobilidade. Daí ser fundamental parar a bola, porque as jogadoras vão correr; a bola é que não pode correr.»
E como se gere a transição do campeonato para esta competição europeia? O que traz esse nível superior? É bom não ter jogos tão desgastantes internamente para aguantar este ritmo europeu, com viagens e jogos a meio da semana, ou prefere-se um nível mais exigente, dado que o Benfica nem sempre encontra rivais do mesmo patamar na liga nacional? «Bom, em primeiro lugar, prefiro o nível mais elevado sempre, porque o atleta que joga ao mais alto nível habitua-se a entrar em campo sempre megaconcentrado. Os jogos fáceis criam um desábito enorme no jogador, que entra a pensar que meia versão chega — e meia versão não chega para nada na vida», analisa o ex-selecionador nacional feminino.
«Então, um dos problemas de ter jogos de nível muito fácil é o jogador habituar-se a entrar em campo a acreditar que não tem de dar o seu melhor para ganhar. Por isso, prefiro o melhor nível sempre. Obviamente, o que o Benfica tem de ter é um plantel vasto, no qual todas as jogadoras têm uma palavra a dizer na nossa liga. Todas têm de ter o nível da liga ou superior para poder ter, todos os fins de semana, jogadoras disponíveis para jogar, e à semana também.»
«O que não é possível? 35 minutos, mais 38 minutos, mais 35 minutos, à quarta-feira, ao sábado… Isso não é possível. A partir de dezembro, janeiro ou fevereiro, as jogadoras vão começar a ter quebras acentuadas, ou vão surgir lesões devido à sobrecarga. Ou então não treinamos, porque não dá para chegar a tudo. Então, o importante aqui é: quanto mais aumentarmos o nível para todas, melhor. Portugal precisa de um ótimo nível de basquetebol para que todos entrem com a seriedade necessária e para satisfazer um público exigente. A partir daí, todas têm de estar preparadas para jogar.»
«No Benfica deste ano, preciso que todas as 12 jogadoras — temos algumas jovens que ainda estão num patamar diferente —, mas preciso que estas 12 estejam disponíveis para dar um passo em frente, atuar na sua melhor versão e acreditar que têm nível de Liga ou mais. Toda a gente tem de ajudar o Benfica a competir bem. À quarta, à quinta-feira, ao sábado e ao domingo. E isso é possível com um grupo que entende verdadeiramente: hoje é o momento. Se amanhã não for, não há problema, porque daqui a três dias vou ter outro oportunidade», sublinha Ricardo sobre o espírito que quer ver no grupo.
«Este ano, as jogadoras estão focadas na ideia de passar a fase de grupos. E nós sabemos que não é fácil: temos duas vitórias que não nos deram absolutamente nada. A realidade é esta, porque o grupo tem um nível de equilíbrio tal que rapidamente estas duas vitórias com dois rivais se podem transformar em duas derrotas na fase seguinte.»
«O Sopron é normal que perca poucos jogos, por isso isto vai ser uma luta de três equipas por um lugar certo e um incerto, até porque quatro dos doze melhores terceiros classificados também avançam. Temos um objetivo: passar. Enquanto a nossa liga se decide no play-off, lá mais para a frente, a EuroCup é agora. É já! E estamos muito focados em ganhar jogos na EuroCup, porque queremos passar a fase de grupos. Se não o fizermos, temos de subir no ranking, e isso só se consegue com vitórias, de mais nenhuma maneira», concluiu.
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