Rui Borges é jogo a jogo mas Sporting já trata da sucessão
A expressão é jogo a jogo ganhou fama no Sporting durante o reinado vencedor de Ruben Amorim, treinador que saiu de Alvalade para o Manchester United em novembro de 2024 e que abriu a porta do leão a Rui Borges, contratado em dezembro desse ano depois da curta e mal-sucedida passagem de João Pereira pelo banco leonino. Menos de dois anos depois, é jogo a jogo que está a situação do transmontano até à saída inevitável. Amanhã com o Casa Pia será ele a orientar a equipa mas pode ser a última vez. A administração sportinguista já está no terreno a tratar da sucessão.
Rui Borges sabe que está a prazo mas está tranquilo. Sempre disse que faz parte da solução e nunca será problema. Não deita a toalha ao chão, está focado no trabalho e nos próximos jogos mas sempre sem ser entrave à resolução do assunto mediante um acordo.
No Sporting, Frederico Varandas, o maior defensor do treinador, que o tentou segurar até à última possibilidade, não vai apressar o assunto mas também não pode ir apenas empurrando com a barriga. Por isso estão os verdes e brancos já no terreno no encalço do sucessor. Abel Ferreira e Leonardo Jardim sempre foram preferidos mas com o tempo a jogar contra, pois só em dezembro termina a competição no Brasil e estão sob contratos com Palmeiras e Flamengo.
Abel revela-se impossível. Não apenas pelo elevado vencimento mas sobretudo porque se mantém fiel à presidente Leila Pereira até 2027. Leonardo Jardim é também muito difícil. Vítor Pereira tem sido nome apontado mas fora de órbita e Sérgio Conceição não tem hipóteses de ser bem-vindo em Alvalade depois de ter deixado Varandas de mão estendida no Jamor... Será sempre treinador com currículo.
Casa Pia, Shakhtar, Moreirense...
O relógio não perdoa e o prazo de validade de Rui Borges no comando técnico do Sporting está então com os dias contados. Em Alvalade respira-se o ambiente pesado de um desfecho que soa a crónica de uma morte anunciada desde a tempestade de domingo à noite com o Ac. Viseu (1-2) e que a vitória com o Marítimo na Taça da Liga não amenizou. Neste cenário limite, eventuais triunfos ameaçam servir apenas como penso rápido numa ferida profunda, adiando o inevitável. Resta perceber até quando se estenderá este cenário sombrio, porque já nem um milagre será capaz de devolver um inesperado crédito ao treinador.
A montanha-russa do técnico de 45 anos tem sido vertiginosa. Recorde-se que Rui Borges aterrou no reduto verde e branco a 26 de dezembro de 2024, chamado a render João Pereira e a assumir a pesadíssima herança do legado de Ruben Amorim. A resposta inicial foi de ouro: nessa mesma época de 2024/2025 conduziu a turma de Alvalade ao bicampeonato inédito em 70 anos e carimbou dobradinha que não era alcançada desde 2002.
Os louros da conquista valeram-lhe o voto de confiança da estrutura liderada por Varandas na época transata, materializado numa renovação de contrato até junho de 2028, com mais um ano de opção. Contudo, o feitiço quebrou-se no Jamor. A fatídica e surpreendente derrota frente ao Torreense, na final da Taça de Portugal, colocou o treinador em xeque perante franja considerável do universo leonino. Uma pré-época de bom nível ainda adormeceu as dúvidas mas a dura realidade da competição oficial encarregou-se de as reacender: nos primeiros 13 jogos, o leão já tombou duas vezes e cedeu três empates. Na Liga, são nove pontos atirados ao vento e com isso o título a ser cada vez mais uma miragem.
A contagem decrescente para um divórcio antecipado é agora ensurdecedora. O duelo desta terça-feira, diante do Marítimo, assumia contornos de autêntica prova de fogo. Mas a vitória (2-1), com uma equipa de recurso, porque os titulares de domingo descansaram, não serve para dar a volta à situação. Nem mesmo triunfo amanhã com o Casa Pia salvará Rui Borges da saída. Resta saber se logo a seguir, se o técnico ainda vai estar na Champions com o Shakhtar e depois com o Moreirense antes da paragem para as seleções. Até haver sucessor… é jogo a jogo.