«Estabeleço padrões elevados, nunca estou satisfeito com nada»
— O Victor chegou ao FC Porto com apenas 19 anos, mas teve um impacto que muitos julgavam ser impensável. Pode dizer-se que até o Victor ficou surpreendido com o que fez?
— Recuando no tempo, estou muito orgulhoso e feliz pela evolução que tive e por me ter tornado no jogador que queria ser. E estou muito feliz por ter conseguido ajudar a equipa desta forma, até conseguirmos conquistar o título. É difícil dizer se fiquei surpreendido ou não, mas sou uma pessoa e um jogador que estabelece padrões elevados. Nunca estou satisfeito com nada. Quero sempre fazer melhor, ser melhor e evoluir noutros aspetos. Mas é claro que também estou um pouco surpreendido por me ter adaptado tão rapidamente à liga, mas ainda tenho muitos mais passos a dar e posso fazer muito mais coisas melhor. Há muitas coisas que ainda posso trabalhar.
— Mas tem consciência de que muitos portistas olham para si como o MVP da temporada?
— Fico sempre feliz pelo prestígio e por todas as pessoas que adoram o meu jogo e o que dou ao FC Porto. Fico contente por receber algo do exterior, mas o que realmente me importa é o sentimento que tenho cá dentro e a forma como me sinto. Se olhar para trás, o que me deixa mais orgulhoso é saber que não tive lesões ao longo da época e que consegui trabalhar arduamente a cada dia para ajudar a equipa e ser melhor como jogador. Foi isso que me fez ter uma boa época.
— Como tem sido lidar com o carinho dos adeptos? Chegou a dizer, numa entrevista, que comprou um boné para não ser reconhecido na rua…
— Não uso sempre. Mas às vezes, quando estás um pouco cansado, depois de um dia difícil ou depois de um treino mais longo que o míster deu, queres ir às compras sem ter de falar muito. Mas adoro as pessoas, o facto de virem ter comigo e reconhecerem-me. As pessoas ficam genuinamente felizes por eu estar aqui e adoro essa atenção que recebo. Só fico contente por as pessoas estarem felizes por me terem aqui. E eu fico muito feliz por poder dar-lhes algo em troca. Aprecio muito tudo o que os adeptos que fizeram por mim e também por todos os outros jogadores que temos na equipa.
— Olhando para trás, para o Victor de há um ano, em que aspeto diria que cresceu mais esta época?
— Na ligação entre os médios. Quando cheguei aqui, era muito difícil para mim fazer essa ligação, jogar com os meus colegas em áreas curtas e apertadas, a um ou dois toques e estar ciente dos espaços à minha volta. Por isso, estou muito feliz por ter evoluído nesse aspeto ao longo da época e ter subido o meu nível. Também estou contente por, no final da época, também ter contribuído com mais alguns golos e assistências, por ter acrescentado isso ao meu jogo. Quero ser um médio box-to-box que adora correr, defender pelos meus colegas e pela equipa, mas também ter algumas boas ações ofensivas. E estou feliz por ter conseguido mudar-me para outro país e viver sozinho. Sinto que também dei muitos passos como ser humano, na forma de ser do Victor. Este ano aconteceu muita coisa dentro de campo, mas também ao Victor.
— Aprofundando o aspeto da influência atacante, atingiu novos máximos de golos e assistências. O que mudou?
— Não estou assim há tanto tempo no futebol sénior, só joguei praticamente duas épocas completas… Mas houve um período em que me foquei muito em chegar à área com mais velocidade, potência e agressividade, tentando não ser demasiado passivo e defensivo, chegar mais à área. Também foi importante melhorar o aspeto específico da finalização, de cabeça, pé esquerdo, pé direito... Foram vários aspetos em que me foquei.
— Qual o golo mais importante que marcou esta época?
— Creio que o que marquei ao Estugarda foi o melhor, sem dúvida, mas o golo no jogo com o Benfica… Apesar de não termos conseguido vencer, foi num jogo grande e difícil, fora de casa, contra um dos nossos rivais. Talvez esse tenha sido o mais importante. Não conseguimos vencer, mas foi importante.
— Entretanto, também se afirmou na seleção da Dinamarca, mas falhou o Mundial. Como foi digerir essa desilusão?
— Foi um período muito, muito difícil para mim, especialmente os dias seguintes e a semana seguinte. Disse algumas vezes que tinha dois sonhos para esta época: ser campeão com o FC Porto, mas também ir ao meu primeiro Mundial e jogar pelo meu país e seleção. Falhar a qualificação para o Mundial foi quase de… partir o coração. Mas sou jovem, terei mais oportunidades. Por outro lado, estou apenas feliz por ter conseguido alcançar um dos meus dois sonhos.
— Aconteceu o mesmo com os seus colegas polacos e a verdade é que, depois dessa pausa, o FC Porto empatou com o Famalicão e com o Nottingham. O apuramento falhado teve algum peso nesses resultados?
— Não acho que esses resultados tenham acontecido devido a esse aspeto específico. Não consegues simplesmente afastar a deceção, mas na verdade, se vir o primeiro jogo que fizemos após cada pausa para os jogos das seleções nacionais, tivemos dificuldades em todos. Não acho que, nessa fase, tenhamos sentido dificuldades por falharmos o apuramento para o Mundial.
Segredos do físico? Vegetais, «muita aveia» e não só
— Há algum segredo para a fantástica capacidade física que apresenta? O Victor corre quilómetros e parece nunca estar cansado…
— Já me fizeram essa pergunta muitas vezes, se tenho algum segredo ou coisas específicas que faça... O mais importante é tentar sempre prevenir lesões. Estou a jogar há quase quatro anos sem lesões que me tenham obrigado a parar muito tempo, foram apenas algumas coisas pequenas. Trata-se apenas de focar no sono que tens de ter, na comida, na recuperação, no trabalho de ginásio... É difícil encontrar uma só coisa, mas tento sempre estar a par de coisas que me permitam ser ainda melhor, tanto no ponto de vista físico como dentro de campo.
— Não sendo dinamarquês como o Victor, o Haaland disse que come fígado e coração de vaca. O Victor tem alguma receita especial desse género?
— Não, não tenho coisas específicas que coma. Gosto de variar. Acho que também é bom comer vegetais e também já me disseram que como muita aveia. Mas é só isso