Raymond Domenech orientou a França entre 2004 e 2010
Raymond Domenech orientou a França entre 2004 e 2010 - Foto: IMAGO

Ex-selecionador francês revoltado: «É como uma violação da minha alma»

Raymond Domenech não gostou da forma como a Netflix retratou o fiasco da equipa gaulesa no Mundial 2010, na África do Sul

Raymond Domenech, antigo selecionador francês, reagiu com indignação ao documentário da Netflix sobre o fiasco da seleção gaulesa no Mundial 2010, acusando a produção de ser um «ataque extraordinariamente violento» à sua pessoa.

Numa carta publicada na rede social X, o técnico de 74 anos, que liderou a equipa durante o polémico episódio da greve de Knysna, na África do Sul, expressou a sua revolta. «Sinto-me ferido e traído: isto ressoa como uma violação da minha alma. Um roubo das minhas emoções de um momento», escreveu Domenech.

O documentário aborda o desastroso Campeonato do Mundo de 2010, marcado pela greve dos jogadores, que se recusaram a sair do autocarro e boicotaram um treino em frente às câmaras de todo o Mundo. A este episódio somaram-se a exclusão de Nicolas Anelka, após uma discussão com o selecionador ao intervalo de um jogo, e os resultados desportivos catastróficos.

Domenech acusa o documentário de parcialidade e sensacionalismo. «Deveria ser o documentário da explicação. Foi um ataque extraordinariamente violento contra a minha pessoa», lamentou, descrevendo a obra como «um filme totalmente acusatório e de uma parcialidade nauseabunda». Segundo o técnico, a produção não cumpriu o acordado, negando-lhe o «direito de revisão sobre tudo», condição que tinha imposto para participar.

«Escolham os excertos mais suculentos, cortem, montem, arranjem, e terão um filme sensacionalista que não tem outra vocação senão a de remexer na m****», criticou Domenech, que se sentiu alvo de uma «desonestidade tremenda» por parte da produção.

Relativamente às notas do seu diário pessoal citadas no documentário, algumas com palavras duras sobre os seus jogadores, o ex-selecionador defende que não se destinavam a ser publicadas. Explicou que, como qualquer diário íntimo, «permitem, naquele momento, manter viva uma mulher ou um homem, sobrecarregado por todos os lados».

Domenech concluiu a sua missiva demarcando-se totalmente do projeto. «Quero aqui dissociar-me com todas as minhas forças deste documentário», afirmou, considerando que o mesmo «não honra nem o futebol, nem o jornalismo».

O treinador comandou a seleção A de França entre 2004 e 2010, depois de ter orientado os sub-21 gauleses, tendo voltado ao ativo em 2020/21, com uma curta passagem pelo banco do Nantes.

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