O ISMAI foi a primeira equipa sénior treinada por Ricardo Costa - Foto: A BOLA
O ISMAI foi a primeira equipa sénior treinada por Ricardo Costa - Foto: A BOLA

Memórias do «gajo excêntrico e corajoso» que levou o Sporting ao topo

Miguel Sarmento recorda a dedicação que Ricardo Costa tinha desde a primeira equipa que treinou

Miguel Sarmento foi campeão como jogador do FC Porto e do ABC. Jogou a Liga dos Campeões pelos dois clubes. Foi internacional em todos os escalões até aos sub-21.

E apesar do registo bastante digno enquanto jogador, não tem dúvidas: «acho que vou ser melhor treinador do que fui jogador». É isso que nos diz em conversa, dias após ter vencido o título nacional de sub-18 masculino na Noruega, um país com forte tradição na modalidade, logo no ano de estreia nos bancos.

Miguel Sarmento agora o papel de treinador

Mas quando lhe perguntamos qual o treinador que o marcou mais, o primeiro nome que atira está longe de ser óbvio. Aprendi muito com o Raúl Maia, atual diretor de formação do ABC, nos muitos anos em que trabalhámos juntos», começa por dizer antes de falar de três nomes ‘sagrados’ do andebol português que o orientaram.

«É difícil apontar apenas um entre o [Ljubomir] Obradovic, o Carlos Resende e o Ricardo Costa. São muito diferentes e bebi muito de cada um deles», introduz, antes de detalhar.

«O Obradovic tinha aquela autoridade e disciplina quase militar. Fez-me ver coisas que eu não conhecia. Depois, em dois anos com o Resende no ABC, ganhámos tudo e lembro-me do poder de comunicação e influência que conseguia ter nos jogadores», resume.

Miguel Sarmento trabalhou no FC Porto com Obradovic, que tinha como adjunto Ricardo Costa - Foto: A BOLA

Com Ricardo Costa, atual treinador do Sporting, além de partilhar a posição enquanto jogadores, tem em comum também a ideia de «conseguir ser melhor como treinador» do que foram enquanto jogadores.

Sarmento trabalhou com o técnico tricampeão nacional no FC Porto, quando Ricardo Costa era adjunto de Obradovic, e depois fez parte da primeira equipa sénior que ele assumiu como treinador principal, o ISMAI.

E foi aí que conheceu melhor a dedicação com que o técnico trabalhava. «Eu tinha treinos individuais com o Ricardo Costa. Eu e mais dois ou três jogadores. O ISMAI era uma equipa amadora, mas ele ia-me buscar a casa e fazia muitos quilómetros para fazermos treinos matinais, numa altura em que nem tínhamos pavilhão e andávamos a saltar de uns para outros», recorda.

Além do facto de muitas vezes levar com ele os filhos, mais Kiko do que Martim, que também não escapavam a esses treinos, Miguel Sarmento define Ricardo Costa como «diferente».

«Era impressionante o amor e paixão que ele metia no que fazia. Já na altura tinha ideias diferentes, era um gajo quase excêntrico e muito corajoso. E o tipo de treinos que dava saía do habitual», recorda.

Certo é que passou pouco mais de uma década desde essa altura e esse «gajo excêntrico» domina o andebol nacional como poucas vezes se viu.

E além das brilhantes prestações do Sporting nas duas últimas edições da Liga dos Campeões, nas quais ficou muito perto da final-four, conquistou os últimos nove troféus disputados em Portugal: três campeonatos, três Taças e outras tantas Supertaças.

Ricardo Costa nos festejos do tricampeonato do Sporting - Foto: FPA

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