Polivalente jogador do Benfica foi substituído no arranque da segunda parte

Elogios, lesão de Aursnes e evolução de Schjelderup: tudo o que disse Mourinho

Treinador das águias analisa triunfo pela margem mínima em Barcelos

José Mourinho comentou, na sala de Imprensa do Estádio Cidade de Barcelos, o triunfo (2-1) do Benfica na noite desta segunda-feira, contra o Gil Vicente, no duelo que marcou o fecho da 24.ª jornada da Liga.

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Análise ao jogo e a lesão de Aursnes

«Daqui a 48 horas já se sabe melhor. É sabido que ele já arrasta este problema há umas semanas largas. Tem-se encontrado quase sempre condições para ele ir a jogo, mas para ele ser substituído logo no início da segunda parte, quando na primeira não tinha sentido nada, deixa-me a pensar que poderá ser algo maior do que o que tem sido até agora. O jogo foi bom e para ser bom precisa de três equipas boas e acho que estiveram em campo três equipas boas. Aquilo que acontece no primeiro minuto de jogo deve ser analisado de igual modo como se fosse ao minuto 20, 30, 40 ou 60. No primeiro minuto, há um cartão amarelo claríssimo. O cartão amarelo ao Otamendi não me cheirou muito bem, mas acho que o árbitro fez um bom jogo porque deixou jogar. As duas equipas jogam bem, são competitivas, têm transições rápidas e acho que o árbitro colaborou bem com o tipo de jogo das duas equipas. Tenho a sensação clara, vendo à pressa, da situação que antecedeu o canto que deu o nosso golo... Vendo à pressa, parece-me um penálti claríssimo, muito mais claro que aquele que foi apitado ao António Silva contra o Casa Pia, por exemplo. Mas isso já é coisa de VAR, não é coisa de árbitro. Dentro de campo, o jogo é a 200 à hora e deixou andar e jogar. Vitória muito importante para nós, contra uma equipa que neste momento está em 5.º, que esteve em 4.º e luta pelo 4.º e que valoriza a nossa vitória num jogo duro.»

Desta vez Prestianni saiu antes de Schjelderup, ao contrário do habitual. Foi uma questão tática ou 'feeling'?

«Uma questão de análise do jogo, nem feeling nem pressentimento, não foi varinha mágica. O Gianluca não esteve mal, mas não foi o Gianluca na verdadeira aceção da palavra. O Andreas estava a criar bastante dificuldades ao lateral daquele lado e eu quis meter o Lukebakio, que se sente muito mais confortável à direita do que à esquerda e optámos por tirar o Prestianni. Depois, o Schjelderup apanha um cartão amarelo e nós estávamos em vantagem nesse momento. O Gil a fazer substituições para andar para a frente, nós, como equipa naquele momento bastante ofensiva e muita gente cansada, então meti o Bah a fechar o flanco direito onde eles são muito fortes, seja com o lateral, seja com o ala, e nesse momento o Lukebakio passa para a esquerda, uma posição onde não se sente muito confortável. Mas o jogo pedia-nos esse equilíbrio.»

Como foi gerindo as diferentes formas de a equipa atacar, nomeadamente no recurso à bola longa e às variações de flanco para explorar o corredor contrário?

«Há aí uma vaga, nalguns países europeus, de defesa à homem, que começou a ser completamente démodé há duas décadas atrás. O Benfica e o Gil são das equipas que melhor defendem à zona. O Gil defende bem, bascula muito bem do lado da bola, fecha muito bem os espaços interiores. E nós tentámos abrir muito... com o Gianluca a ir para dentro, a levar com ele o Konan e depois criar dificuldades ao ala, que é um ala ofensivo e que tinha que vir obrigatoriamente, mas muitas vezes atrasado. Na primeira parte, começámos a criar por aí, sob o ponto de vista estratégico, mas depois, sob o ponto de vista das qualidades individuais, começámos a desequilibrar muito foi pelo lado esquerdo. Onde o Dahl tem duas posições muito boas, ou para marcar ou para assistir. Porque por aquele lado começámos a ir com dois e com três jogadores: com o Dahl, com o Schjelderup, com o Rafa que aparecia ali. O Pavlidis também fez um trabalho extraordinário. É por isso que eu digo que há atacantes que só são bons quando marcam golos, mas há outros atacantes que também são bons quando não marcam golos. Acho que o Pavlidis fez um trabalho fantástico a esticar o jogo, a procurar as costas dos defesas. Aquilo que eu não gostei no jogo foi a maneira como nós não gerimos o início da segunda parte. O Gil reage imediatamente, nós temos a substituição, depois há ali uma acumulação de lançamentos, de pontapés de canto... Temos de saber gerir com outro tipo de maturidade. Inclusive a tentativa de reposição rápida do Trubin, numa situação como aquela, não se deve fazer. Foi o primeiro momento difícil que nós tivemos no jogo. Temos de saber gerir de outra forma, menos naive (ingénua).»

Condição física de Lukebakio

«É uma semana de trabalho que nós não temos tido, mas é uma semana boa de trabalho. Amanhã não treinamos, mas depois temos quarta, quinta, sexta e sábado. Sábado é véspera de jogo, mas temos três bons dias para trabalhar que, seguramente, o ajudarão a melhorar a sua condição.»

A evolução de Schjelderup

«Eu acho que hoje está melhor do que há meses. Acho que é uma coisa que é importante para um jogador: é sentir que o treinador gosta dele. É uma coisa importante ao nível da autoestima, ao nível da confiança. Mas ele sabe que eu gosto muito deste Schjelderup e sabe que eu não gostava nada do Schjelderup que eu vi, que encontrei. O que é que mudou? Mudou muita coisa. Mudou que, do ponto de vista defensivo, tem agora uma noção importante de como defender à zona. Acho que ele defende bem. Não sendo um jogador agressivo, não sendo um jogador defensivo — como não é —, mas transformou-se num jogador com bons conceitos táticos e a interpretá-los bem. Depois, no lado oposto, nós temos alas, temos laterais que aprofundam muito. E do lado esquerdo... acho que um dos jogadores que teve uma boa evolução nestes meses foi o Dahl. Mas quando ele começa a jogar, o Dahl ainda era um jogador de reduzida participação ofensiva. E tendo ele, o único jogador que nós tínhamos a jogar aberto no lado esquerdo... a fluência do jogo é sempre por ele. Quando nós queremos jogar pela esquerda, é sempre por ele. Acho que se sente importante e, como eu dizia, o facto de sentir que o treinador gosta dele, que tem confiança, acho que é uma coisa que melhorou a sua autoestima.»