Elogios a Vítor Pereira, Mora 'preparado' para jogo, quebra com o Famalicão e os festejos efusivos: tudo o que disse Farioli
— Como olha para a equipa do ponto de vista físico e mental depois do empate com o Famalicão?
— Neste momento, o nível de motivação está alto. É um privilégio jogar os quartos de final da Liga Europa contra um adversário assim. Estamos onde devíamos estar em termos de nível, comprometimento, vontade de ganhar e capacidade de avançar na competição.
— No final do último jogo, admitiu que a exibição não foi a melhor. Nestes dias, sentiu que os jogadores também perceberam isso?
— Sentimos que não jogámos ao nosso nível e foi isso que disse no final do jogo. Claro que o golo do Fofana poderia ter mudado o jogo, mas não a exibição. Já falámos da dificuldade que existe nos jogos logo a seguir às competições europeias e as emoções estavam lá no alto. No fim-de-semana, vimos que todas as equipas de topo tiveram dificuldades. Quando jogamos só 5% abaixo do nível habitual, notamos uma quebra. E o Famalicão tem qualidade. Foi importante regressar rapidamente àquilo que precisamos de melhorar. Agora vem aí novamente outra competição, frente a um adversário que nos vai forçar a adaptar alguns pormenores, que mudou nos últimos jogos. Foram dias ocupados para podermos preparar todos os cenários e estarmos prontos amanhã.
— O facto do Nottingham ter um treinador que conhece tão bem o FC Porto pode fazer a diferença? Na fase de liga, o treinador era outro... Podemos esperar alguma rotação?
— Em relação ao nível do adversário e do papel que o Vítor tem no clube, acho que está muito claro. Escreveu páginas importantes no FC Porto e amanhã vai preparar o Nottingham para estar no seu melhor. Teremos de estar no nosso melhor para competirmos na nossa melhor versão. Há qualidade no treinador, no plantel... Estão num momento positivo desde a chegada do Vítor. E claro que todos estes elementos vão forçar-nos a colocar a nossa melhor versão dentro de campo para podermos competir frente a um adversário que já conhecemos, mas com algumas coisas diferentes. Teremos de estar preparados para as mudanças que aparecerem.
— Como se sentiu o grupo depois do jogo com o Famalicão? Já viu o lance do Zaidu?
— Em relação à primeira pergunta, não foi a primeira vez. Digo aqui muitas vezes e já conhecem a minha maneira de pensar. Quando terminámos o ciclo de jogos com o SC Braga, precisei de acalmar alguns colegas vossos porque todos estavam entusiasmados com as vitórias na Liga, frente ao Estugarda... E agora, não podemos fazer um drama. Claro que queríamos ganhar, e sofrer na última bola do jogo dói ainda mais. Mas temos de virar a página rapidamente depois de uma exibição fraca e depois de um resultado menos positivo. Temos de dar o valor real às coisas. No final das contas, é sempre importante termos esse choque de realidade. Estamos no início de abril, numa posição que, há uns meses, toda a gente assinava por baixo. Agora temos a possibilidade de competir e ganhar três competições. Com a mesma ambição e com a mesma clareza de que estamos onde estamos por aquilo que fizemos até aqui. Lance de Zaidu? Sim, vi e para mim não é um penálti. Nem cartão amarelo...
— Como está a situação física de Rodrigo Mora. Que rotação está a preparar para o Nottingham Forest?
— Quer saber muitas coisas... Vou escolher a primeira, só. O Rodrigo teve um problema que o 'travou' no último jogo, um espasmo, uma cãibra pesada. Mas os exames estavam limpos. Fez tratamento, treino individual e hoje já treinou com a equipa e está preparado para o jogo. No resto, dê-me a possibilidade de manter o onze inicial em segredo para amanhã...
— O FC Porto tem grande história na Europa e está aqui frente a um Nottingham que não está a viver o melhor momento. Assume o favoritismo na eliminatória?
— Em qualquer competição, principalmente a este nível, é muito difícil atribuir favoritismos. Temos uma oportunidade de avançar e acreditamos que podemos colocar todas as nossas cartas em jogo. Mas não nos podemos esquecer do adversário que temos pela frente. Plantel, organização, experiência... Olhando para a tabela da Premier League até podemos ficar com uma ideia diferente, mas estamos a falar da melhor Liga do mundo e de uma equipa que, na temporada passada, ficou no top-7. Investiram muitos milhões nos últimos mercados... Há qualidade suficiente para colocar o Nottingham como um dos candidatos à conquista da Liga Europa. Estamos aqui para colocar todas as nossas cartas em jogo de forma a podermos chegar a Istambul.
— O FC Porto tem oito golos sofridos nos últimos oito jogos. Mudou algo na preparação deste jogo para evitar que volte a acontecer?
— Não, não fizemos muitas mudanças. Claro que era difícil manter o registo defensivo que tínhamos, em que raramente sofríamos um golo ou um remate à baliza. É algo que requer um nível de atenção que retira muita energia aos jogadores. No último jogo, não sofremos muitas oportunidades. Mas nas poucas que sofremos, houve falta de atenção aos detalhes. E o mais importante é voltar com o mesmo espírito, vontade e tentar não sofrer. E isso é essencial neste período da temporada. Já foi antes, e será daqui para a frente nos próximos meses. Continuamos com a mesma fome e paixão que colocamos sempre em campo.
— Temos visto algumas reações do mister que não eram normais, como festejos efusivos. É mais difícil manter o sangue frio nesta altura?
— No golo do Froholdt acho que foi uma celebração engraçada, foi um grande golo. Em relação à obra de arte que o Fofana fez no jogo com o Famalicão, o estádio 'explodiu'. Claro que fiquei emocionado porque foi um grande golo. Essa parte vai sempre ter um papel importante. Penso que sempre fui muito ligado emocionalmente ao jogo. Mesmo no passado, a maneira como vivi os jogos faz parte da minha maneira de ser. Esforçamo-nos muito e, quando vemos golos assim, é normal estarmos ligados ao ambiente.
— As caraterísticas do Nottingham atualmente são mais ou menos favoráveis ao que o FC Porto mostra em campo?
— Não sei... É difícil responder. Quando jogámos contra o Nottingham, foi o primeiro jogo do Sean Dyche e baseámo-nos um pouco com o que tinha sido feito antes. Sofremos dois golos de penálti e até fizemos um jogo bom. Penso que até foi um bom jogo. Mas claro que agora a realidade é diferente. Estamos a falar de uma equipa que está num melhor momento, vêm de resultados importantes. Têm qualidades distintas, perfis de topo nos corredores. Os avançados têm diferentes caraterísticas mas são bons no ataque ao espaço, podendo também ser avançados de referência. São muito fortes no meio-campo, nas bolas paradas... Há muitos fatores que podem determinar o desfecho do jogo e, agora, é difícil dizer qual a melhor versão do Nottingham para nós. Temos a certeza que precisaremos de estar no nosso melhor porque, para competir a este nível e contra adversários assim, não podemos ficar confortáveis. Estas horas que faltam vão servir para continuarmos a preparar bem o jogo e para podermos chegar amanhã com o 'fogo' dentro de nós e com o desejo de nos exibirmos da melhor forma, com os adeptos do nosso lado. Percebi que o estádio vai estar cheio e amanhã os adeptos voltarão a ter um papel importante.