Matvei Safanov. do PSG, assistido durante a última final da Liga dos Campeões - Foto: IMAGO

Inglaterra testa regra para acabar com as pausas táticas dos guarda-redes

Uma temporada de ensaio poderá levar a alteração definitiva

O futebol inglês vai implementar uma nova regra experimental esta época para erradicar as controversas pausas táticas que ocorrem quando um guarda-redes recebe assistência médica. A medida, aprovada pelo International Football Association Board (Ifab), resulta de um acordo entre a The Football Association, a Premier League, a English Football League, a National League e a Women's Super League.

A nova diretriz estipula que, se um árbitro autorizar a entrada do fisioterapeuta para tratar de um guarda-redes, a equipa em questão terá de retirar um jogador de campo durante um minuto. O treinador terá 10 segundos para indicar ao quarto árbitro qual o jogador a sair. Caso não o faça nesse período, será o capitão a ter de abandonar o relvado temporariamente.

Esta prática de simular lesões por parte dos guarda-redes tornou-se cada vez mais comum para permitir que as equipas recebam instruções táticas dos treinadores ou para quebrar o ritmo do adversário. Recorde-se que, na época passada, o treinador do Leeds United, Daniel Farke, acusou Gianluigi Donnarumma, guarda-redes do Manchester City, de fingir uma lesão para «contornar as regras» e interromper o jogo.

A estreia desta medida experimental acontecerá já no próximo sábado, no jogo da ronda preliminar da Taça da Liga entre o Tranmere e o Rochdale. Segundo a BBC Sport, a A-League australiana também testará uma variante desta regra, na qual será sempre o capitão a ter de sair do campo.

A decisão de penalizar a equipa com a saída de um jogador de campo foi tomada após discussões lideradas por Howard Webb, chefe de arbitragem da Pro Ref. A lógica é equiparar a situação à dos jogadores de campo, que já são obrigados a sair por um minuto se receberem assistência médica. O objetivo é que a medida funcione como um dissuasor, especialmente nos minutos finais dos jogos, quando as equipas tentam segurar um resultado.

Danny Murphy, comentador do programa «Match of the Day», já tinha sugerido uma solução semelhante na época passada. «Penso que podem mudar isto muito rapidamente», afirmou. «Se um guarda-redes se lesionar, em vez de ele ter de sair, um dos jogadores de campo deveria sair. Assim, seria justo para todos. É uma pequena mudança que faz toda a diferença».

Existem, no entanto, exceções em que a equipa não será penalizada:

— Se o guarda-redes indicar que não precisa de assistência e não tiver causado a paragem do jogo.
— Em caso de colisão entre o guarda-redes e um colega de equipa.
— Se o guarda-redes sofrer uma falta que exija tratamento imediato.
— Se o guarda-redes estiver a sangrar.
— Em caso de lesão grave (que obrigue a substituição) ou concussão.

Os resultados destes testes serão avaliados pelo IFAB ao longo da época, podendo levar a uma alteração permanente das leis do jogo a nível global a partir da temporada 2027-28.

Paralelamente, o IFAB emitiu um esclarecimento sobre a regra de identidade trocada, após a FIFA a ter utilizado para admoestar dois jogadores por simulação no Campeonato do Mundo. Miguel Almirón, do Paraguai, e Breel Embolo, da Suíça, viram o cartão amarelo, com Embolo a ser expulso por acumulação na derrota contra a Argentina. O organismo clarificou que, embora a medida tenha sido bem recebida, «não pode ser utilizada como tal» até que a revisão detalhada do protocolo do VAR esteja concluída.

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