Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG, olha para baixo
Nasser Al-Khelaifi, presidente do PSG - Foto: IMAGO

Dono do PSG investigado por alegado conflito de interesses nos direitos televisivos da Ligue 1

Nasser Al-Khelaifi também é presidente da beIN Media Group

A associação Anticor apresentou uma queixa junto do Ministério Público de Paris contra Nasser Al-Khelaifi, suspeitando que o presidente e dono do PSG, bem como da beIN Media Group, terá usado a sua influência para favorecer a proposta da beIN nas negociações dos direitos televisivos da Ligue 1 em 2024.

A queixa, datada de 3 de março, alega um potencial crime de tomada ilegal de interesses. A Anticor suspeita que Al-Khelaïfi se aproveitou das suas múltiplas funções — além dos cargos referidos, é membro do Conselho de Administração da LFP — para «tentar influenciar a decisão do conselho de administração da Liga a favor da empresa a que preside».

Este caso surge numa altura em que a Liga de Futebol Profissional (LFP) já se encontra sob investigação preliminar por parte do PNF (Ministério Público Financeiro Nacional) devido à venda de 13% do seu capital ao fundo de investimento CVC em 2022, por 1,5 mil milhões de euros.

A polémica remonta ao verão de 2024, quando as negociações lideradas por Vincent Labrune, presidente da LFP, para a venda dos direitos televisivos domésticos da Ligue 1 fracassaram, apesar da expectativa de arrecadar 700 milhões de euros. Perante o impasse, foram consideradas duas soluções: a criação de um canal próprio da LFP ou um acordo com a DAZN e a beIN. A 14 de julho de 2024, numa tensa reunião de presidentes, foi escolhida a segunda opção, que previa que a DAZN transmitisse oito jogos por jornada por 400 milhões de euros anuais, enquanto a beIN ficaria com o último jogo por 78,5 milhões, acrescidos de 20 milhões em patrocínios.

O conteúdo dessa reunião foi revelado em exclusivo pelo L'Équipe e pela France 2 em fevereiro de 2025, expondo os jogos de poder e as trocas de acusações. Jean-Pierre Caillot, presidente do Reims, agradeceu a «Nasser, não o nosso amigo presidente do PSG, mas Nasser, presidente da beIN», pela proposta complementar à da DAZN.

Contudo, a tensão escalou quando Joseph Oughourlian, presidente do Lens, acusou diretamente Al-Khelaïfi de conflito de interesses. «Nasser, tens de compreender um conceito que, visivelmente, vos escapa na beIN, ou no PSG, ou em ambos, que se chama conflito de interesses», afirmou, acrescentando: «Tu intimidas toda a gente». Al-Khelaïfi, por sua vez, reagiu de forma exaltada, criticando Benjamin Morel, diretor-geral da LFP Media, por considerar a proposta conjunta «incompatível» e ameaçando retirar-se das negociações.

A discussão tornou-se ainda mais acesa com a intervenção de Saïd Chabane, do Angers, que alertou para o risco de perder o Qatar como parceiro, depois da saída do Canal+. Em contraste, outros presidentes, como Olivier Létang (Lille) e Damien Comolli (então no Toulouse), agradeceram a Al-Khelaïfi e à beIN pela oferta, considerando-a um «milagre».