Alessandro Circati, defesa central italo-australiano do Parma - foto: IMAGO
Alessandro Circati, defesa central italo-australiano do Parma - foto: IMAGO

Do «pai» Buffon à lesão grave: quem é e como joga o central negociado pelo Benfica

Alessandro Circati «não queria jogar na defesa», mas um conselho da «maior referência» trocou-lhe as voltas. Da mudança falhada para Inglaterra aos elogios de Spalleti

Alessandro Circati pode ser o defesa central que o Benfica almeja para substituir António Silva. As águias estão a negociar com o Parma a contratação do internacional australiano.

Aos 22 anos, o defesa central já já soma 96 partidas em seis temporadas ao serviço do único clube que representou a nível sénior. A história começou a cerca de 30 quilómetros de Parma, mas o coração pertence ao outro lado do Mundo.

Alessandro Circati nasceu a 10 de outubro de 2003 em Fidenza, no seio de uma família ligada ao futebol. O pai, Ginafranco, acumulou mais de 200 partidas nos escalões secundários italianos antes de pendurar as botas, em 2004 e... mudar de continente.

A família Circati mudou-se para Perth, na Austrália, em 2004, quando tinha apenas um ano de vida. O futebol, ainda assim, foi uma constante na vida do central negociado pelo Benfica, a par de inúmeros desportos radicais. O percurso com a bola nos pés começou nos escalões jovens do Perth Azzurri, clube com forte ligação às raízes italianas, no ataque.

Alessandro admitiu, em declarações aos meios de comunicação do Parma em abril, que «não queria jogar na defesa», mas que os conselhos do pai, a «maior referência», fizeram a diferença. «Eu queria ser extremo, mas ele dizia 'tu és um defesa'. Com 14/15 anos, disse-me 'se quiseres ir longe, tens de ser defesa'. E aceitei», recordou.

A evolução de Circati impressionou e o Perth Glory recrutou-o em 2016, cinco anos antes de perdê-lo para o futebol europeu. O Parma foi o destino... por acaso. O defesa central revelou, em entrevista à Gazzetta Dello Sport em junho, que tinha tudo acertado para rumar a Inglaterra: «Se não fosse pelo Brexit e pela Covid, talvez estivesse a jogar no Leicester. Estava tudo fechado, mas tinha 17 anos. À luz das novas regras, não podia assinar como menor.»

A duas semanas da viagem de regresso à Austrália, Circati decidiu regressar à cidade natal, Fidenza, para visitar os avós e encontrou novo clube, com a ajuda de sempre: «Como não queria ficar em casa sem fazer nada o meu pai perguntou ao Parma se eu podia treinar com eles durante uns dias.».

O ítalo-australiano reforçou os sub-18 em fevereiro de 2021 e ainda jogou a lateral direito, mas foi no centro da defesa que se afirmou. Um ano depois, estreou-se pela equipa principal, com apenas 18 anos, na receção à SPAL (4-0), em fevereiro de 2022.

Os dois primeiros anos de Circati no futebol sénior coincidiram com os últimos de um monstro. Gianluigi Buffon «foi como um pai para Alessandro», mais de 25 anos depois de se ter treinado com o progenitor, Gianfranco, em 1994, no Parma.

Buffon e Circati (à direita) - Foto: IMAGO

«Ele falou comigo sobre o Bonucci, o Barzagli e o Chiellini e disse-me como me mover, que vídeos assistir. Tentava imitá-los», contou. Com uma lenda nas redes, Circati ganhou espaço no centro da defesa do Parma, mas foi já sem Buffon no clube que, em 2022/23, alcançou a primeira grande conquista da carreira.

O defesa central, então com 20 anos, foi o terceiro jogador mais utilizado na conquista da Serie B, em 2023/24. A primeira temporada na elite italiana, porém, ficou marcada por um dos pontos mais baixos da carreira, até ao momento. Circati sofreu uma rotura dos ligamentos cruzados no joelho esquerdo num treino, a 27 setembro de 2024, e só voltou a somar minutos oficiais em meados de maio.

O internacional italiano, ainda assim, considerou-se um «sortudo» pela forma como conseguiu «voltar mais fortes». «A lesão ajudou-me em alguns aspetos. Ganhei massa muscular e o corpo ideal», frisou em entrevista à Gazzetta Dello Sport.

Os números corroboram as sensações de Circati, que assinou um golo em 33 jogos disputados na temporada passada pelo Parma. As quatro vezes em que envergou a braçadeira de capitão refletem ainda o estatuto reforçado do patrão da defesa.

A temporada rubricada no norte de Itália despertou o interesse da Juventus este verão, de acordo com a imprensa italiana, mas os bianconeri nunca apresentaram proposta. Luciano Spaletti, treinador dos bianconeri, ainda assim, elogiou o central «promissor», «com qualidade» e que «poderia interessar a qualquer clube».

O internacional australiano, de 1,91m, transmite segurança na defesa de cruzamentos, impõe respeito em duelos aéreos e não tem medo de sujar os calções em carrinhos calculados. Mais físico do que Tomás Araújo e Lenglet, Circati apresenta também recursos a construir, embora não sejam a principal valência.

A capacidade de adaptação ao sistema de Marco Silva dadas as rotinas que tem a jogar com mais dois centrais às ordens de Carlos Cuesta, em Parma, levanta dúvidas, assim como as valências na defesa de transições rápidas.

Amor incondicional à Austrália

Alessandro Circati nasceu em Itália, mas o coração sempre pertenceu à Austrália. «Os meus pais falavam comigo em italiano e eu respondia em inglês», frisou à Gazzetta Dello Sport.

Na mesma entrevista, o defesa central contou que ainda representou a seleção sub-20 italiana, mas nunca se sentiu «no sítio certo». «Algo aqui dentro disse-me para mudar. Nasci em Itália, mas sempre me senti australiano.»

Circati em ação no Mundial - Foot: IMAGO

A primeira de 17 internacionalizações pelos Soceroos teve lugar a 17 de outubro de 2023, diante da Nova Zelândia. Circati afirmou-se no centro da defesa e chegou com estatuto de titular ao Mundial-2026, onde somou todos os minutos somados pela seleção australiana.

O defesa central já disputou um duelo ao serviço do Parma, esta temporada, diante do Catania, na Taça de Itália, mas pode mesmo rumar à Luz.

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