Apresentação do Campeonato do Mundo em Teerão - Foto: IMAGO

Dirigentes iranianos com entrada negada no Canadá para reunião da FIFA

A poucas semanas do início do Campeonato do Mundo, foi negada a entrada no Canadá a uma delegação de dirigentes da federação iraniana de futebol que se deslocava para o congresso da FIFA. O incidente ocorreu no Aeroporto Pearson, em Toronto, e envolveu o presidente da federação, Mehdi Taj, antigo membro da Guarda Revolucionária Islâmica do Irão (IRGC).

Num comunicado divulgado inicialmente pela agência de notícias Tasnim, de Teerão, a federação iraniana classificou o tratamento recebido como «comportamento inaceitável dos funcionários da imigração». A delegação, que viajava com vistos oficiais para participar no Congresso da FIFA — uma reunião que junta as 211 federações-membro —, acabou por regressar à Turquia «no primeiro voo disponível».

A federação considerou o sucedido um «insulto a um dos órgãos mais honrados das forças armadas da nação iraniana».

A ministra dos Negócios Estrangeiros do Canadá, Anita Anand, confirmou que a entrada foi negada, mas descreveu a situação como «não intencional». «Não é um assunto da minha pasta, mas o que entendi é que houve uma revogação da permissão. Não foi intencional, mas deixarei que a ministra [da imigração] se pronuncie», afirmou, referindo-se a Lena Diab.

Por sua vez, Taous Ait, secretária de imprensa da ministra da imigração, declarou que, embora não possa comentar casos individuais, os membros da IRGC são «inadmissíveis no Canadá e não têm lugar no nosso país». Recorde-se que o Canadá classificou a IRGC como uma organização terrorista em 2024. «Tomámos medidas firmes para responsabilizar a IRGC e continuaremos a fazê-lo, protegendo a segurança dos canadianos e a integridade do nosso sistema de imigração», acrescentou Ait.

A polémica adensou-se com as declarações de outras entidades. O Centro Raoul Wallenberg para os Direitos Humanos, uma organização não-governamental canadiana, revelou que «o governo canadiano tinha concedido a Taj uma permissão especial para entrar no Canadá para um evento da FIFA», uma vez que, de outra forma, «ele seria inadmissível devido à sua afiliação com a IRGC».

Nos Estados Unidos, o secretário de Estado, Marco Rubio, considerou a decisão inicial de conceder a entrada a Taj como «profundamente preocupante», afirmando que a mesma «mina a designação do Canadá da IRGC como uma entidade terrorista e contradiz o compromisso do nosso país em combater a impunidade por graves abusos de direitos humanos no Irão».

Este incidente ocorre num clima de incerteza sobre a participação do Irão no Mundial, que arranca a 11 de junho e é coorganizado por Canadá, EUA e México. Em março, o ministro do Desporto iraniano afirmou que o país não participaria «em nenhuma circunstância», enquanto Donald Trump declarou que a equipa era «bem-vinda», mas que a sua presença não era apropriada «para a sua própria vida e segurança».

A FIFA já rejeitou um pedido do Irão para transferir os seus jogos para o México. O enviado especial dos EUA, Paolo Zampolli, revelou ao Financial Times ter pedido a Trump e ao presidente da FIFA, Gianni Infantino, que o Irão fosse substituído pela Itália. No entanto, Infantino já garantiu que o Irão participará «com certeza», e um porta-voz do governo iraniano confirmou a «total prontidão» da equipa.

O Irão tem o seu primeiro jogo do Mundial agendado para 16 de junho contra a Nova Zelândia, em Inglewood, Califórnia, seguindo-se os confrontos com a Bélgica, no mesmo local, e com o Egito, em Seattle.