Diretor do Real Madrid pode ser julgado por concertos no Bernabéu
A juíza que investiga o Real Madrid por alegados crimes ambientais, por infringir os níveis de ruído permitidos durante concertos no Bernabéu, propôs que o diretor geral do clube, José Ángel Sánchez, e a empresa que gere a instalação, a Real Madrid Estadio S.L.U., sejam levados a tribunal, uma vez que existem indícios de crime.
Numa decisão judicial, divulgada pela EFE, a juíza Mónica Aguirre ordenou a conversão do procedimento preliminar em processo sumário. O documento indica que «existem indícios da prática de alegados atos criminosos», especificamente crimes contra o ambiente sob a forma de poluição sonora, acrescenta o AS.
O caso foi aberto após uma queixa apresentada pela Associação de Vizinhos Afetados pelo Bernabéu (AVPB), que alega que os níveis de ruído permitidos, estabelecidos pelos regulamentos municipais, foram excedidos durante um total de 18 concertos e eventos realizados no Bernabéu entre 26 de abril e 8 de setembro de 2024. A lista inclui concertos de artistas como Taylor Swift, Manuel Carrasco, Karol G e Duki, bem como eventos como La Velada del Año, organizado pelo streamer Ibai Llanos.
A associação apresentou como prova cerca de 150 medições de ruído, realizadas tanto por funcionários da Câmara Municipal de Madrid como por empresas de engenharia. Alega-se também que a própria Câmara Municipal iniciou vários processos para aplicar sanções contra os organizadores dos concertos, tendo sido impostas multas entre 16.000 e 148.000 euros.
Segundo a juíza Aguirre, a investigação judicial revelou indícios de crime. No entanto, rejeitou o pedido de investigação do presidente da Câmara da capital, José Luis Martínez-Almeida, e do vereador do ambiente, Borja Carabante, contra os quais a queixa também tinha sido dirigida.
A decisão judicial, datada de 15 de janeiro, concede um prazo de 10 dias aos acusadores particulares e ao Ministério Público para apresentarem uma acusação solicitando o início de um processo judicial ou o arquivamento do caso. Podem também, «excecionalmente», solicitar a realização de diligências adicionais que considerem «indispensáveis». Esta decisão junta-se à sentença do Tribunal Superior de Justiça de Madrid (TSJM) de outubro, que, também após uma queixa da AVPB, confirmou a suspensão das obras de construção perto do Bernabéu para a edificação de dois parques de estacionamento subterrâneos e um túnel.
A AVPB expressou a sua satisfação com a acusação contra o Real Madrid, que, segundo eles, violou a lei de forma «evidente», sublinhando que as provas contra o clube são «esmagadoras».
O presidente da associação, Enrique Martínez de Azagra, disse à EFE que os níveis de decibéis dos concertos, objeto da queixa, «excederam a zona de risco para a saúde em mais de 100 casos», o que é «extremamente grave».
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